Experiências com o ensino remoto durante a pandemia iluminadas pela teoria de Honneth

NÁDYA MARIA PINTO (UFSJ) nadyam1418@yahoo.com.br

http://lattes.cnpq.br/8616022472916697

Dissertação de Mestrado

Orientador: Paulo César Pinheiro

Data prevista para a defesa: 17/12/2021



Fonte: SINDOIF, 2020. Disponível em: <http://www.andes.sindoif.org.br/2020/05/24/o-ensino-remoto-a-pandemia-e-a-educacao-do-faz-de-conta/>


A pesquisa tem o intuito de investigar como a educação na pandemia refletiu nas relações de reconhecimento entre as pessoas. Dessa forma tentarei responder às seguintes questões: As esferas do reconhecimento de Axel Honneth estão presentes no discurso de professoras e professores da educação básica no período da pandemia? Quais?


Axel Honneth é filósofo da Teoria Crítica (teoria de pensamento inaugurada por Horkheimer e Adorno na década de 1930) e um dos principais pensadores alemães da atualidade, membro da terceira geração da Escola de Frankfurt, e influenciado por Charles Taylor e Hegel. Em seu livro, Luta por reconhecimento: A gramática moral dos conflitos sociais (2003), Honneth propõe desenvolver os fundamentos de uma teoria social normativa, partindo do modelo conceitual hegeliano de “luta por reconhecimento”. O filósofo apresenta três esferas de reconhecimento (amor, direito e solidariedade), que correspondem a três tipos de desconsideração, cuja experiência pode influenciar o surgimento de conflitos sociais.


As esferas do reconhecimento que dizem respeito ao reconhecimento afetivo, dentro das relações primárias, seria a esfera do amor. A esfera do direito contempla as leis e os direitos básicos que todas pessoas devem ou deveriam possuir. Já a esfera da solidariedade, é a estima mútua que deve existir entre as pessoas. Dessa forma, o reconhecimento para o filósofo Axel Honneth é um meio normativo em que as pessoas precisam buscar o seu próprio reconhecimento e o reconhecimento do outro para que sua identidade seja formada. Sem o reconhecimento do outro há uma negação da identidade que causa, segundo o filósofo, a vontade das minorias e grupos sociais de lutarem para que seus direitos sejam garantidos, ou seja, que sejam reconhecidas e reconhecidos.


A pesquisa surgiu em decorrência da pandemia da COVID-19, da adaptação do ensino às restrições e regras sanitárias decorrentes do combate à pandemia e após falas de professoras no Grupo de Pesquisas do qual faço parte. O seu objetivo é investigar como o reconhecimento e suas esferas têm se apresentado nas falas dessas professoras para investigar um pouco mais os reflexos da pandemia na educação básica brasileira.


Durante a pandemia, abundam relatos de desigualdades na educação. Pelas falas das professoras, essas desigualdades são confirmadas e explicadas pela falta de condições financeiras de algumas famílias e de acesso à internet precário dos alunos (principal meio utilizado para o contato entre alunos e professores). Somam-se a isso a sobrecarga dos pais e responsáveis que precisam dar conta de suas tarefas e ajudar os filhos nas atividades escolares e a sobrecarga das professoras que, segundo elas mesmas, mais do que dobraram os horários dedicados aos alunos e às atividades escolares. Assim, pareceu-me mais do que necessário investigar e procurar entender como o reconhecimento honnethiano se faz ou não presente nas falas de professoras da educação básica brasileira.


Referências bibliográficas


HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Trad. de Paulo Meneses e Karl-Heinz Efken. 2 ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1992.

HONNETH, Axel. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. Trad. de Luiz Repa. São Paulo: Editora 34, 2003.

HONNETH, Axel. Educação e esfera pública democrática. Civitas, v. 13, n. 3. Porto Alegre, set./dez. 2013, p. 544-562.

TAYLOR, Charles. A política do reconhecimento. In: TAYLOR, Charles. Argumentos Filosóficos. Trad. de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Loyola, 2000, p. 241-274.

TAYLOR, Charles. A consciência de si. In: TAYLOR, Charles. Hegel: sistema, método e estrutura. Trad. de Nélio Schneider. São Paulo: É Realizações, 2014, p. 176-198.

Falas das professoras durante a participação online do Grupo de Pesquisa GPECTHUS do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSJ, em julho de 2020. ..............................................................................................................................................................


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As informações sobre a pesquisa e a imagem divulgada são de responsabilidade da autora da pesquisa.

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