SOBRE A LINGUAGEM DO FEMININO

O NÃO-TODO COMO CATEGORIA PARA PENSAR O SENTIDO ÉTICO DAS IMAGENS NA ARTE CONTEMPORÂNEA

Projeto de Estágio Pós -Doutoral, UFRJ/FAPERJ

Dra. Juliana de Moraes Monteiro

Email: judemoraes@gmail.com

Supervisão: Dra. Carla Rodrigues (UFRJ/FAPERJ)

Este projeto de pesquisa se desenvolve no âmbito do recebimento de bolsa de Pós-Doutorado Nota 10, sob a supervisão da professora Dra. Carla Rodrigues, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a partir de 2019, com previsão de término em 2022. Ele propõe articular arte contemporânea e o conceito de feminino herdado da psicanálise com o intuito de propor uma ética na produção e análise de imagens históricas do presente. 

Em 2001, o filósofo e historiador da arte francês Georges Didi-Huberman publicou o livro Images malgré tout, onde cunhava o conceito  imagem não-toda. O confronto do autor contra os imperativos das posições totalizantes já tinha lugar em sua obra, como em Diante da imagem: questão colocada aos fins de uma história da arte (1990), no qual ele diagnosticou uma situação na cultura moderna que ele chamou de mito da omnitraduzibilidade das imagens, isto é, a crença em um modelo de verdade que conseguiria adequar perfeitamente todos os conceitos em imagens e todas as imagens em conceitos, em uma relação dialética integralmente ajustável. Na obra de 2001, a noção de não-totalidade era extraída explicitamente da obra do psicanalista francês Jacques Lacan, brevemente mencionado no livro. Para o filósofo, a imagem é não-toda porque é atravessada pelo que ele chama de duplo regime, o que faz com que haja sempre algum elemento que se torna inapreensível e insondável na superfície imagética. Sua referência é a formulação do conceito de mulher não-toda (femme pas-toute) no Séminaire XX: encore, de Lacan, ocorrido entre 1972-1973. Para circunscrever a problemática dessa discussão, proponho pensar neste projeto de pesquisa a elaboração do não-todo (pas-tout) como categoria para compreender as imagens nas artes visuais. Embora a noção de não-totalidade já apareça na primeira parte do livro de Didi-Huberman, é somente na segunda que ela ganha precisão. Se Lacan pensará o feminino como aquilo que escapa às prerrogativas do discurso totalizante regido pelo falo, Didi-Huberman conceberá um conceito próprio de imagem como desde sempre marcado pela impossibilidade de se constituir enquanto um todo integral. A ideia de não-todo, ou melhor, não-toda (pas-toute), uma vez que se refere à mulher na obra lacaniana, é recuperada nesse projeto de pesquisa para pensar o feminino enquanto um modo discursivo para analisar as imagens da arte contemporânea.  Pretendo reconstruir o conceito de não-todo para a psicanálise lacaniana e mostrar como ele se abre como horizonte teórico sobre a imagem no corpus filosófico de Didi-Huberman, entendendo a contemporaneidade como um campo privilegiado no qual essa categoria alcança um sentido ético basilar. 

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