CURSO AS PENSADORAS LATINOAMERICANAS – 1ª EDIÇÃO

Atualizado: 30 de Out de 2020

APRESENTAÇÃO DO CURSO

Para a edição do curso As Pensadoras Latinoamericanas escolhemos algumas intelectuais dos séculos XIX e XX que colocam no centro de suas reflexões a periferia. Com discussões pautadas na Filosofia, na História, na Teoria Política, nas Ciências Sociais e na Educação, essas pensadoras contribuíram e contribuem para o aprofundamento de questões éticas, políticas e educacionais diretamente relacionadas à luta pela igualdade de gênero/raça/classe e de lugar como humanos no território do globo. O curso abordará de modo detalhado o pensamento e a luta de cada uma destas pensadoras e fomentará discussões sobres as ideologias feministas nos contextos em que cada uma delas aparece a fim de inclusive colocar questões aos feminismos e questões para se construir juntas a partir destas leituras.

Coordenação: Dra. Viviane Bagiotto Botton

Mediação: Dra. Viviane Bagiotto Botton e Equipe Pedagógica.


Aulas 1x por semana 2h/aula - 2 turmas:

Terças-feiras: das 18h30min às 20h30min

Quintas-feiras: das 8h30min às 10h30min

LINK DE INCRIÇÃO Brasil e América Latina: https://forms.gle/rEaBQEpjCk3iVXE97

E-MAIL PARA INFORMAÇÕES: pensadoraslatinas@gmail.com


LINK DE INCRIÇÃO Europa: https://forms.gle/TT6Us9zSFXzU7R5eA

E-MAIL PARA INFORMAÇÕES: pensadoraslatinas@gmail.com


Nível: básico, introdutório.


Realização: Escola As Pensadoras

Plataforma: Google Meets e Google Classroom. Recomenda-se usar uma conta pessoal Gmail para acompanhar acessar as plataformas.

Certificação: 20 horas, pela Escola As Pensadoras. As aulas ficarão salvas até a data do recebimento dos certificação - 30 a 60 dias.

Corpo Docente e respectiva pensadora:

16/11 Conferência de Abertura "Mulheres indígenas e a colonização"

(Para as 2 turmas e aberta ao público.)

  • As palavras e os ensinamentos das ancestrais - Ana Manoela Karipuna (UFPA)

  • Indígena subjetivando em diferente contextos - Edilaise Nita Tuxá (Articulação Brasileira de Indígena Psicólogos(as) - ABIPSI)

  • Do território às universidades: indígenas mulheres no transitar do saber- Braulina Aurora Baniwa - (PPGAS)


AÇÃO SOLIDÁRIA: SERÃO DOADAS CESTAS BÁSICAS PARA MULHERES INDÍGENAS DE DUAS ETNIAS: a Guaranis a Kaingang.


TURMA 1*

Terças-feiras: das 18h30min às 20h30min

17/11 - Aula 1 -Dra. Miriam Adelman (UFPR): Rosario Castellanos

24/11 - Aula 2 - Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP): Glória Anzaldúa

01/12 - Aula 3 - Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI): Ivone Gebara

08/12 - Aula 4 - Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ): Julieta Paredes

15/12 - Aula 5 - Dra. Lia Pinheiro Barbosa: (UECE) Emma Chirix

TURMA 2*

Quintas-feiras: das 8h30min às 10h30min

19/11 - Aula 1 -Dra. Miriam Adelman (UFPR): Rosario Castellanos

26/11 - Aula 2 - Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP): Glória Anzaldúa

03/12 - Aula 3 - Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI): Ivone Gebara

10/12 - Aula 4 - Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ): Julieta Paredes

17/12 - Aula 5 - Dra. Lia Pinheiro Barbosa: (UECE) Emma Chirix



PLANOS DE AULAS:

Aula 1 : Dra Miriam Aldeman (UFPR): Rosário Castellanos

Não é a ‘mesma (velha) história’: Rosário Castellanos e a crítica do ‘eterno feminino’

Plano da aula:

Introdução ao pensamento da escritora feminista mexicana Rosário Castellanos (1925-1974), através principalmente da peça El eterno feminino. Meu argumento central é que esta peça, que ela inseriu no gênero ‘farsa’, deve ser compreendida (além do seu valor dramatúrgico, que não é pouco) como fazendo parte de um grande projeto das pensadoras, vindas de muitas partes do mundo, de re-escrita da história através de experiências e perspectivas de mulheres. El eterno feminino apresenta uma crítica ácida às estruturas históricas do poder patriarcal mexicana, cuja construção iniciou-se com a chegada dos primeiros colonizadores espanhóis (e imortalizada primeiramente como signo no emblemático ‘casal’ composto pelo explorador Hernán Cortez e a indígena, Malinche). Castellanos, através dessa obra e outras, entra ao elenco das pensadoras/es fundamentais do século XX, contribuindo entre outras coisas para uma história global do feminismo da segunda onda, e para o projeto decolonial de gerar maior compreensão de história e realidades latino-americanas.

Objetivos:

1) Examinar a peça, identificando personagens chaves e o que elas, dentro da trama narrativa, representam em termos de uma re-leitura da construção da nação mexicana.

2) Conectar estes mesmos elementos ao projeto de repensar a história e reconstruir a teoria social - a partir de experiências de mulheres e à luz da teoria feminista e a categoria de relações de gênero.

Bibliografia básica:

Miriam Adelman, “Modernidade e pos-modernidade em vozes femininas” https://www.academia.edu/4145922/Modernidade_e_p%C3%B3s_modernidade_em_vozes_femininas

Rosário Castellanos. El eterno feminino. https://www.academia.edu/36487332/Castellanos_El_Eterno_Femenino_pdf

Steven L. Torres, “ Cultura y posmodernidad: la recepción de El eterno femenino de Rosario Castellanos”

https://www.academia.edu/34573117/_Cultura_y_posmodernidad_la_recepci%C3%B3n_de_El_eterno_femenino_de_Rosario_Castellanos_Ciberletras_Journal_of_Literary_Criticism_15_2006_

Mercedes Sena, “Rosario Castellanos y el eterno feminino”.

file:///C:/Users/miria/Downloads/MercedesSerna%20%20Rosario%20Castellanos.pdf

Nira Yuval-Davis, “Theorizing gender and nation”.

https://www.academia.edu/7712698/Nira_Yuval_Davis_gender_and_nation

Bagiotto Botton, Viviane “A mulher e o eterno feminino em Rosario Castellanos”

https://revistas.ufpr.br/historia/article/view/61402/37583

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Aula 2: Glória Anzaldúa, Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP)

A Consciência de Mestiça em Gloria Anzaldúa

Plano da aula:

Em 1987, a teórica chicana Gloria Anzaldúa desenvolve o conceito de consciência mestiça, uma subjetividade que se orienta para a fronteira, para as encruzilhadas, onde alteridades se cruzam, provocando choques, estranhamentos, rusgas, mas também surge a possibilidade de se abrir para o encontro. Preso no espaço de fronteira, o assunto é dividido entre vozes dissonantes; portanto, não é unitário e não pode ser simplificado por meio de oposições binárias. Esse processo de travessia de fronteira visa a transitividade entre os espaços, buscando remontagens que possam libertar sentido da rigidez resguardada pelas estruturas dominantes. Anzaldúa busca questionamentos críticos sobre o que é percebido como verdade por uma dada cultura a partir de diferentes molduras, pontos de vista, um modo de tangenciar múltiplas perspectivas de ver a identidade de alguém. Ao trilhar caminhos nômades, La mestiza perde o sentido de pertencimento.

Como mestiça não tenho país, minha pátria me expulsou; no entanto, todos os países são meus porque sou irmã de todas as mulheres ou amante em potencial. (Como lésbica, não tenho raça, meu próprio povo me nega; mas sou todas as raças porque há o queer de mim em todas as raças.) Não tenho cultura porque, como feminista, desafio o grupo cultural / religioso derivado do sexo masculino crenças de indo-hispânicos e anglos; ainda assim, sou culta porque estou participando da criação de mais uma cultura, uma nova história para explicar o mundo e nossa participação nele, um novo sistema de valores com imagens e símbolos que se conectam entre si e com o planeta. Eu sou um ato de amassar, de unir e juntar que não só produziu uma criatura das trevas e uma criatura da luz, mas também uma criatura que questiona as definições de claro e escuro e lhes dá novos significados (Anzaldúa 1987, pp. 80-81).

Objetivos:

Esta aula pretende abordar os ritos e a semiótica das narrativas de fronteira que dão corpo ao conceito de consciência de mestiça de Glória Anzaldúa em diálogo com algumas teóricas de fronteira, como Trinh T. Minh-ha, Maria Lugones, Chandra Talpade Mohanty, mas com o foco na obra de Anzaldúa, cuja riqueza imagética e cultural abarca referências que nos fazem pensar a fronteira como um espaço complexo, transitório e que oscila entre o liso e o estriado, entre a patrulha e o que escapa. A proposta é suscitar discussões e questionamentos sobre o que é e o que fazer desta fronteira, num sentido que transita entre o real e o imaginário.

Referências bibliográficas

ANZALDÚA, Gloria. “Como domar una lengua salvaje”. In: GARCÍA, Cristina. Voces sin frontera: antología vintage español de literatura mexicana y chicana contemporánea. Nueva Cork: Vintage books, 2007.

ANZALDÚA, G. Borderlands/La Frontera: the new mestiza. 4 ed. San Francisco: Aunt Lute Books, 2012.

COSTA, Claudia de Lima; ÁVILA, Eliana. “Gloria Anzaldúa, a consciência mestiça e o ‘feminismo da diferença’". Revista Estudos Feministas. Florianópolis: UFSC, 13(3): 691- 703, setembro-dezembro, 2005.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. (Vol. 1.).

LUGONES, María. Colonialidad y género. Tabula Rasa, Bogotá, COL, n. 9, jul.- dic., pp. 73-101.

MOHANTY, Chandra Talpade. (2003) Feminism Without Borders: Decolonizing Theory, Practicing Solidarity, Durnham, North Carolina: Duke University Press, 2003.

MORAGA, Cherríe; ANZALDÚA, Gloria. This bridge called my back: writings by radical women of color. New York, EUA: Kitchen Table, 1981.

SANTOS, Ana Cristina. “Fronteiras da Identidade: O Texto Híbrido de Gloria Anzaldúa”, Revistas UNILA, 2014.

TRINH, T. Minh-ha.Elsewhere, Within Here: Immigration, Refugeeism and the Boundary Event”, New York: Routledge, 2011.

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Aula 3: Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI)

Ivone Gebara: a teóloga e filósofa ecofeminista que rompe silêncios!


No ano 2000 Ivone Gebara sacode a comunidade acadêmica, especialmente a teológica, com seu livro “Rompendo o silêncio: Uma fenomenologia feminista do mal”. Cinco anos antes, 1995, a professora freira tinha sido condenada ao silêncio (silêncio “obsequioso”) pelo vaticano (papado de turno) e “convidada a estudar” para revisitar seus conhecimentos, principalmente, pelas declarações feitas sobre o aborto. Propomos, nesta aula, trabalhar a Teologia Feminista a partir da história de vida desta mulher brasileira que sem dúvidas tem marcado o pensamento teológico e filosófico não só no Brasil, senão também em América e no mundo. Conceitos como: o mal, o pecado, a trindade, o cotidiano (vida ordinária) e outros, ganham no pensamento da Ivone dimensões diferentes: do aqui e agora. Esse Reino, tão cacarejado pela Instituição eclesial, desce como a divindade à terra e se faz/refaz a cada 24h.

Objetivos

- Contribuir à memória feminista, ao sentido histórico do feminismo, com o estudo da vida e trajetória da teóloga e filósofa ecofeminista Ivone Gebara.

- Trabalhar a Teologia Feminista a partir da história de vida de Ivone, brasileira que, sem dúvidas, tem marcado o pensamento teológico e filosófico contemporâneo.

- Destacar a História de Vida como ferramenta metodológica acadêmica feminista.

Referências bibliográficas:

GEBARA, Ivone. Trindade: palavra sobre coisas velhas e novas. Uma perspectiva ecofeminista. 1994.

GEBARA, Ivone. Rompendo o Silêncio: Uma fenomenologia feminista do mal. São Paulo, Vozes, 2000.

GEBARA, Ivone. As Águas do Meu Poço. São Paulo, Brasiliense, 2005.

GEBARA, Ivone. O que é teologia feminista. São Paulo, Brasiliense. 2007.

GEBARA. Ivone. As epistemologias teológicas e suas consequências. IN NEUENFELDT, Elaine; BERGSCH, Karen; PARLOW, Mara (Org.). In: Epistemologia, violência, sexualidade: olhares do II Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião. São Leopoldo: Sinodal, 2008.

Outras obras da autora

  • "María mujer profética" (em co-autoria com Maria Clara Luchetti Bingemer, San Pablo, Madri, 1988);

  • "As incomodas filhas de Eva na Igreja da América Latina" (1990);

  • "Poder e não poder das mulheres" (1991);

  • "Vida Religiosa, da teologia patriarcal à teologia feminista" (1992);

  • "Teologia a ritmo de mujer" (San Pablo, Madrid, 1995);

  • Teologia ecofeminista. Ensaio para repensar o Conhecimento e a Religião (1997);

  • "Longin for running Water. Ecofeminism and Liberation" (Fortress Press, Minneapolis, Minnesota, 1999);

  • A Mobilidade da Senzala Feminina. Mulheres Nordestinas, Vida Melhor e Feminismo (2000);

  • "Intuiciones ecofeministas. Ensayo para repensar el conocimiento y la religión" (Trotta, Madrid, 2000);

  • "Cultura e relaçôes de gênero" (São Paulo, 2001);

  • "El rostro oculto del mal. Una teología desde la experiencia de las mujeres" (Trotta, Madrid, 2002);

  • "La sed de sentido. Búsquedas ecofeministas en prosa poética" (Montevideo, 2002);

  • La sed de sentido. Búsquedas ecofeministas en prosa poética (2002);

  • "Pour libérer la Théologie" (Canadá, 2002);

  • "O que é teologia" (Brasiliense, São Paulo, 2006);

  • "Compartir los panes y los peces. Cristianismo, teología y teología feminista" (Doble clic, Editoras, Montevideo, 2008);

  • O que é Cristianismo (2008);

  • Vulnerabilidade, Justiça e Feminismos - Antologia de Textos (2010);

  • Terra - Eco Sagrado (Teologia da Libertação e Educação Popular) (com Arno Kayser);