GT FILOSOFIA E GÊNERO
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- Assédio: um problema incontornável? Juliana Aggio (UFBA) e Silvana Ramos (USP)
Talvez a grande maioria dos professores de filosofia já tenha cometido um ato de assédio sexual sem ter se dado conta de que o cometera. Há, contudo, aqueles que o cometem, sabem que o cometem e continuam no seu lugar confortável de poder sobre a assediada silenciada e de proteção conivente de seus colegas. E se todo texto político é escrito para alguém e contra alguém, apostamos que esse possa despertar alguma fagulha de consciência naqueles que ainda não se deram conta de que certas falas ou gestos corporais são constrangedores ou mesmo agressivos para uma mulher que esteja em situação hierarquicamente inferior na academia: a aluna. Apostamos, também, em despertar nas mulheres que estudam filosofia a consciência de que já possam ter sofrido assédio sexual ou que possam vir a sofrer e em incitá-las a uma possível reação à altura da gravidade do ocorrido. Há, de um lado, um olhar mais penetrante e mesmo invasivo, um abraço mais apertado do que de costume, um tom mais afetuoso na fala ou uma piada com outras intenções, um comentário sobre a roupa ou sobre os contornos do corpo salientes, uma fala elogiosa como estratégia de sedução, uma mão nos cabelos da aluna até situações mais evidentemente invasivas que pretendem forçar o ato sexual e, de outro, um professor que procura normalizar, naturalizar ou diminuir a vileza de sua própria atitude, como se fosse algo corriqueiro e cotidiano, como se fosse típico de um homem que não consegue se conter diante da beleza feminina, como se fosse uma cantada na forma de piada ou uma brincadeira, como se fosse apenas um elogio. Ora, que mal haveria num simples elogio sobre a roupa, o corpo, ou a inteligência de uma mulher? Nenhum problema se não tiver um tom de sedução e não der a entender que a aluna o estaria seduzindo com sua vestimenta, seu corpo ou sua bela explanação. Nenhum problema se o professor não colocar a aluna num lugar de possível sedutora, como se sua beleza ou inteligência fosse irresistível, como se ele pudesse justificar para si mesmo o seu ato e assim se desresponsabilizar de todas as consequências nocivas que daí advenham, especialmente para a vida da mulher em questão. Atos de assédio sexual são possíveis causadores de danos psíquicos e de incontáveis prejuízos profissionais, especialmente quando a assediada se vê obrigada a ter de continuar, por fazer parte do mesmo ambiente de trabalho, a conviver com o agressor, tendo muitas vezes de suportar suas constantes investidas, por não estar em condições de denunciá-lo ou detê-lo. O ato em si já é constrangedor para a mulher numa situação hierarquicamente inferior como aluna e, mais ainda, se ela estiver numa situação de dependência como bolsista. Ou seja, se o ato for de um professor a situação é grave, mas mais grave ainda se for de um orientador que assina pela bolsa da aluna de graduação ou pós-graduação, pois mais poder acumula tal professor, o que lhe faculta maior ascendência sobre a orientanda, e menor possibilidade de reação da mesma, por medo de perder a bolsa e ainda ser difamada no meio acadêmico e supostamente ter arruinada a possibilidade de um dia galgar o cargo de professora. Não é fácil, nem simples escrever esse texto. Tampouco o é vivenciar ou presenciar o assédio. Calar-se seria uma alternativa sufocante. Talvez falar sobre o assédio não seja a solução para o sofrimento das assediadas, nem cesse completamente o próprio assédio. Talvez alguns homens se sensibilizem com essas palavras e passem a vigiar e a conter mais suas falas e gestos quando tomados por algum desejo sexual diante de uma aluna. Talvez passem a sentir o mesmo desconforto de que falamos ao presenciar uma situação de assédio por parte de um colega. Talvez as alunas passem a ter mais coragem de responder à altura diante do assédio ou encontrem algum refúgio e acolhimento de seu sofrimento em outras alunas e professoras, e até mesmo entre professores sensibilizados com relação a esse tipo de injustiça. O que não podemos é assumir que o assédio seja um problema incontornável. Ouvir um comentário obsceno sobre o seu corpo é um elogio? Ouvir uma cantada no ambiente de trabalho ou estudo é algo natural? Ser tocada de maneira abusiva é algo aceitável? Deixemos claro aqui que o assédio sexual é uma manifestação sensual ou sexual alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Mas o professor pensa: pode ser que ela goste e assim eu possa avançar na minha tentativa de conquistá-la? E as professoras lhe respondem: não se ela for uma aluna e menos ainda se estiver num ambiente acadêmico. Ou a instituição acadêmica não deveria exercer seu papel democrático de salvaguardar os direitos e preservar um ambiente de convívio civilizado e respeitoso? Assim como apoiamos as iniciativas daquelas que denunciam o assédio nas ruas, nas instituições religiosas, nos aparelhos de cultura, nas instituições de saúde, nas assembleias e no Congresso, exigimos que as universidades tenham por princípio o respeito às mulheres e o repúdio a toda e qualquer forma de violência sexual e de gênero. Poderia se objetar: mas não é possível que professor e aluna se apaixonem? Sim, conquanto que a aluna esteja em uma situação absolutamente confortável em consentir sem nenhum tipo de constrangimento. Vamos colocar os pingos nos is: paquera e assédio são distintos. Uma paquera acontece com consentimento de ambas as partes: é uma tentativa legítima de criar uma conexão com alguém que você conhece, ou pretende conhecer, e estima. Mas, atenção, a sedução pode ser constrangedora e se configurar como assédio. Paquera não causa medo e nem angústia, o assédio sim. Se uma investida sexual considerada leve e corriqueira pelo professor tem como resposta da aluna um sorriso nervoso e sem graça ou o silêncio, saibam: não houve o consentimento da outra parte e isso é um assédio. Depois desse be-a-bá, seria de se esperar que todo professor fizesse um exame de consciência relembrando suas ações nas relações com as alunas. Ora, na relação hierárquica professor-aluna e, mais ainda, orientador-orientadanda, é preciso redobrar o cuidado, se se quer ser respeitoso e não mais um que oprime e afugenta a mulher dos estudos filosóficos. O ponto aqui não é jurídico, mas político, embora explicitar a lei possa contribuir para a conscientização (https://www.defensoria.sp.def.br/dpesp/repositorio/41/FOLDER_ASSEDIO_SEXUAL.PDF): o assédio caracteriza-se por constrangimentos ou ameaças com a finalidade de obter favores sexuais feita por alguém de posição superior à vítima, como o professor em relação à aluna (conforme Art. 216-A do Código Penal). A importunação ofensiva ao pudor é o assédio verbal, quando alguém diz coisas desagradáveis e/ou invasivas (as famosas “cantadas”) ou faz ameaças (Conforme Art. 61 da Lei nº 3688/1941). O assédio e a importunação já estão tipificados na lei, embora estejamos muito aquém de contê-los em nosso ambiente acadêmico. A presença desse tipo de comportamento violento e constrangedor traz severas consequências para o tipo de convívio que alimentamos e acaba por contribuir para um dos maiores desafios enfrentados pela área de filosofia: o combate à evasão das mulheres. A evasão de alunas na filosofia é dramática (http://anpof.org/portal/images/Documentos/ARAUJOCarolina_Artigo_2016.pdf) e muitas causas podem ser supostas como motivadoras, mas parece haver sim um silêncio tácito sobre uma das principais causas: o assédio sexual. Pouco se fala sobre isso, infelizmente. Não estamos aqui falando com tom acusatório, mas pretendendo dar um lugar político ao problema do assédio. Não bastasse o silenciamento das próprias assediadas por medo de retaliação, exclusão, difamação, a narrativa precisa romper esse silêncio tácito, confortável ao ambiente acadêmico majoritariamente masculino. Precisamos dizer não, com todas as letras, ao assédio. Dizer não ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens ou como sedutoras irresistíveis. Dizer não ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade. É mostrar que podemos elevar a voz e o poder das mulheres na academia e na sociedade. É não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais que lhes atribuem os homens machistas protegidos pelo patriarcado ainda vigente. É garantir que elas possam ocupar, sem constante sujeição à violência de gênero, o espaço público de debate, essencial ao funcionamento saudável de uma democracia. Há diversos fatores que podem justificar a evasão das alunas nos estudos de filosofia, desde a aparente ausência de filósofas na história da filosofia e nos currículos escolares e acadêmicos, filosofias que justificam e naturalizam a desigualdade de gênero, até um corpo docente composto majoritariamente por homens e, o pior de todos: uma prática silenciosa e constante de cantadas dos professores em relação às alunas, algo que remete à suposição, tão presente em nossa cultura, de que mulheres só poderiam garantir seu espaço na universidade, e na própria sociedade, através do corpo e não em função de seu discurso. E, pior ainda, que o corpo das mulheres é um território comum, passível de invasões que não necessitam de consentimento. Diante da enorme ausência de filósofas na história da filosofia, e da pequena presença delas na área, facilmente vem à mente da aluna a seguinte pergunta: será que existem mulheres filósofas? O que conduz imediatamente a outra pergunta de fundo: será que a mulher é capaz de filosofar? Acreditar que nós, mulheres, seríamos capazes de fazer filosofia é muito mais difícil diante de uma história da filosofia que omite filósofas. É muito mais difícil em um ambiente acadêmico que nos diminui, oprime e, sobretudo, assedia. É muito mais difícil em uma sociedade machista, patriarcal que desqualifica a mulher e desvaloriza a filosofia. Pois bem, a nossa coletividade feminista acadêmica é um movimento de resistência que visa superar essas dificuldades. Juntas e solidárias, lado a lado, contra a violência sexista e racista presente no interior das instituições ou das relações institucionalizadas professor-aluna, gostaríamos de trazer o assunto à tona e de convidar a comunidade acadêmica a assumir o compromisso de combater o assédio. Desde 2016, a chamada primavera das filósofas tem, por acreditar na necessidade de uma filosofia libertária, buscado pautar o debate público sobre como o assédio moral e sexual atua na evasão das mulheres do campo da pesquisa filosófica. Em 2018, formulamos o documento “Diretrizes para prevenir e combater o assédio moral e sexual nos programas de Pós-Graduação em Filosofia das universidades brasileiras”(http://www.anpof.org/portal/images/Manifesta%C3%A7%C3%A3o_de_Apoio_e_Diretrizes_vers%C3%A3o_final_2.pdf) com o intuito de tê-lo aprovado nos programas de pós-graduação no país e, mais, de ter a adoção de uma política séria de combate ao assédio como critério de avaliação destes. O nosso repúdio ao assédio sexual se dá pela identificação de que este é um dos fatores de impedimento para as mulheres seguirem na carreira de pesquisadoras em Filosofia. Trata-se, portanto, de reverter a naturalização da evasão e de afirmar nosso direito de pertencimento a este espaço de pesquisa. Trata-se, portanto, do combate ao assédio como estratégia de afirmação de um direito. Não somos território a ser conquistado ou colonizado, somos sujeitas. Não somos vítimas, somos agentes dos nossos direitos. Não ficamos ruborizadas com supostas cantadas; ficamos, sim, indignadas com a suposição de que estamos à disposição de conquistadores que nos colocam no lugar de sedutoras para não se verem como assediadores. O assédio sexual precisa, por isso, ser entendido por toda a comunidade acadêmica filosófica como um problema político, no sentido mais amplo deste termo. A reivindicação é a de que homens sejam desautorizados a menosprezar as mulheres como alunas ou como pesquisadoras, a subalternizá-las como secundárias, a emudecê-las nos debates, a ignorá-las em reuniões, a impedi-las de ter acesso a cargos de coordenação e direção. Nossa narrativa não se encerrará aqui, tampouco aceitaremos que o assédio seja um problema incontornável e faremos o que estiver ao nosso alcance para romper silêncios e diminuir sofrimentos e opressões das mulheres, sobretudo, das alunas de filosofia. O assédio sexual não mais servirá para nos retirar violentamente do espaço público tão arduamente conquistado ao longo de décadas e décadas de luta por direitos. Mas nossa iniciativa não surtirá verdadeiro efeito transformador se não contarmos com a escuta de nossa área como um todo, se nossas instituições universitárias e de fomento à pesquisa, especialmente pelas ações daqueles e daquelas que nelas trabalham e tomam decisões, não assumirem o mesmo repúdio ao comportamento nocivo que ora denunciamos. Só assim abriremos caminho à construção de relações de gênero mais justas em nosso meio acadêmico. Leia mais sobre assédio no Fórum da Rede. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #filosofasbrasil #assedio #julianaaggio #silvanaramos
- “As Pensadoras e a Filosofia”
No eixo “As Pensadoras e a Filosofia” vamos abrir um espaço de debate livre, construído a partir de exposições dialogadas com Katiúscia Ribeiro e Karina de França. Queremos trazer questões importantes e urgentes no campo da Filosofia e suas interdisciplinaridades. Nos debates, podemos e queremos construir nexos entre os diferentes sub-temas da área, conectando a História da Filosofia com a Ética, a Política, a Estética, o Socialismo, o Pensamento Decolonial negro e indígena da América Latina, os estudos de Gênero e de Corporeidade, as Epistemologias Feministas e etc. As possibilidades são diversas e necessárias! Esses e outros temas podem ensejar um espaço filosófico crítico e afetivo. Você pode inscrever seu resumo pela página do Fórum no nosso site: http://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-frum-virtual-das-pensadoras Quem aí já quer participar dos debates filosóficos do I Fórum d’As Pensadoras? Conta pra gente qual seria a sua temática.
- Filosofia, Feminismo e Decolonialidade.
Já pensou em ter um mês todinho para compartilhar os estudos sobre Feminismo Decolonial com a querida professora Susana de Castro? Inscrição: http://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-aperfeioamento-em-filosofia-feminista Aqui na Escola você pode!! No mês de março iniciaremos a jornada de módulos do curso de Aperfeiçoamento em Filosofia Feminista com a temática “Decolonialidade e Feminismo” e dá só uma olhada no plano de aulas que Susana preparou: Aula 1: Diferença colonial, colonialidade de gênero, locus fraturado Aula 2: Feminismo e as múltiplas opressões de gênero, classe, sexualidade e raça Aula 3: As Latinas Aula 4: ‘Imagem de controle’ e ‘auto definição’ Aula 5: A fala e escrita das subalternizadas pela colonialidade Aula 6: Feminismos comunitários e o Estado de Direito Potente, né? E aí, já quer se inscrever? Corre lá no nosso site para garantir sua vaga e iniciar um novo ano decolonial: Inscrição: http://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-aperfeioamento-em-filosofia-feminista Vem com a gente!
- Narrativas Situadas: Costuras Epistemológicas Afetivas Feministas
É com grande alegria que divulgo o lançamento da Coletânea: Narrativas Situadas - Costuras Epistemológicas Afetivas Feministas, organizada por mim, Caroline Marim (PUCRS) e pela querida Cristina Ribas (PPGAV-UFRGS). A coletânea é resultado das pesquisas e reflexões geradas e gestadas direta e indiretamente nos debates realizados nos encontros do grupo de pesquisa Epistemologias, narrativas e políticas afetivas feministas pelas pesquisadoras do grupo. No lançamento, dia 26/01/21 faremos uma conversa com as autoras, mas vocês já podem ir lendo o livro no site da Editora Fundação Fenix (segue link https://www.fundarfenix.com.br/50-narrativas-situadas) Ótima leitura!!
- Mulheres que leem mulheres: Viviane Botton lê María Lugones
Hoje, encerramos o projeto "Mulheres que leem Mulheres" no ano de 2020, uma parceria do Laboratório Filosofias do Tempo do Agora (Lafita/UFRJ) com a Rede Brasileira de Mulheres Filósofas, publicando nosso décimo vídeo no canal do Youtube da Rede. A cada 15 dias, sempre aos sábados, pesquisadoras brasileiras apresentaram filósofas com o objetivo de ampliar a visibilidade do trabalho de mulheres na filosofia. No décimo vídeo da série, a pesquisadora Viviane Botton (UERJ) apresenta a filósofa argentina María Lugones, falecida em meados de 2020 aos 76 anos. Nas palavras delas, "Lugones faleceu este ano de 2020 deixando uma herança teórico-filosófica e um legado como professora, pesquisadora e mentora intelectual de toda uma nova geração de feministas da América Latina e Caribe que se auto-denominam 'decoloniais', como Ochy Curiel, Yuderkys Espinosa, Breny Mendoza, e toda uma geração de pós-graduand@s que usam suas teses para repensar o nosso sistema-mundo. A filósofa pensa a colonialidade como um sistema epistêmico-político vigente nas Américas desde sua invasão onde uma divisão de todos os seres em categorias binárias hierarquicamente dispostas e inseparáveis umas das outras (como sexo/gênero e origem étnica e social) representam um sistema de inteligibilidade e governabilidade também impostas com a invasão. Na colonialidade, nossas subjetividades e os modos como outorgamos sentido a nossas experiências materiais e intersubjetivas se mantém colonizados. É elaborando um diagnóstico que visou a destruição e a reelaboração teórica-conceitual de nossas práticas ainda coloniais que Lugones nos deixa. Deixa-nos seus trabalhos como ferramentas para o pensamento e a luta anticolonial, que também é a luta antirracista e anti-patriarcal. Agradecemos à filósofa e convidamos tod@s a pensarem com ela e a partir dela". Ano que vem, daremos continuidade ao projeto. Até lá! #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #tempodoagora #maríalugones #vivianebotton #mulheresqueleemmulheres
- Cassiana Stephan e Kamila Babiuki no Filósofas UFPR
Nessa terça, 22/12, às 19 horas, na página facebook.com/filosofasufpr, o Projeto Filósofas UFPR convida todas, todos e todes a conferir a entrevista com as ganhadoras do Prêmio Filósofas 2020 concedido pela Rede Brasileira de Mulheres Filósofas em parceria com a ANPOF!! Melhor dissertação: Kamila Babiuki (UFPR) Melhor tese: Cassiana Stephan (UFPR) Não percam!!! #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #filosofasbrasil #filosofasufpr #premiofilosofas #anpof
- Encerramento e balanço: o primeiro ano do Projeto Uma Filósofa por Mês - 21/12 às 18h
O Projeto Uma Filósofa por Mês convida para uma live de encerramento, uma conversa cujo objetivo é fazer conhecer várias das pessoas que ajudaram a construir as diversas atividades do ano de 2020, nos bastidores e nas telas, nos textos e nos podcasts. Faremos um relato das nossas atividades, do nosso engajamento com as filósofas, do nosso agradecimento às pesquisadoras e pesquisadores que nos acompanharam neste ano tão diferente, mas tão intenso. Convidamos você a nos acompanhar neste momento descontraído de comemoração e de reflexão, para trazer ao grupo suas perguntas, suas sugestões, suas dúvidas, suas curiosidades. Dia 21/12 às 18h00 no canal do Projeto: https://www.youtube.com/watch?v=IRmrmj1Fedc
- O desenvolvimento do pensamento feminista filosófico para além do dilema igualdade-diferença
MICHELLE SILVESTRE CABRAL (UNIOESTE) michellescabral@hotmail.com http://lattes.cnpq.br/0795712259944349 Tese de doutorado Data prevista de defesa:27/11/2023 A proposta deste projeto é analisar um dilema-chave para o feminismo filosófico e os embates surgidos a partir de sua investigação, qual seja, o dilema igualdade-diferença. Tais embates são resultado das críticas feministas ao princípio liberal da igualdade. Tema clássico tratado pelas teorias políticas, esse ideal é elevado a problema de primeira ordem pela tradição feminista, seja pela revisão crítica que ela que se propõe a realizar – e que lhe permite denunciar as contradições e exclusões ocultas sob a forma de universalismo – seja pela constatação analítica das dificuldades e limites de possíveis vinculações semânticas do conceito de igualdade com outros, tais como o de uniformização e de neutralidade. O exame rigoroso do modelo moderno de igualdade revela sua inscrição em uma universalidade que não é neutra, pois foi configurada com as características do masculino, resultando num duplo padrão de aplicação dos princípios gerais do liberalismo (além da própria igualdade, a liberdade). Tal padrão, fundado na concepção moderna de natureza humana, se divide entre: aquele que outorga liberdade e igualdade para todos os homens e aquele que, em contrapartida, justifica a subordinação natural de um grupo (o das mulheres) a partir da determinação de diferenças e especificidades do último relativamente ao primeiro (ZIRBEL, 2016). Em 1792, com a publicação de Reivindicação dos direitos das mulheres, Mary Wollstonecraft aponta os impasses contidos neste paradigma que, ao mesmo tempo em que pretende legitimar uma ordem social baseada na igualdade, exclui desta a possibilidade de participação das mulheres, desqualificando suas especificidades. Denominado de paradoxo da igualdade-diferença ou de dilema de Wollstonecraft (PATEMAN, 1988; BRYSON, 2003), tal problemática delineia os impasses contidos na postulação de uma igualdade moldada de acordo com um referencial masculino, a qual tem como consequência uma avaliação negativa das diferenças dos grupos que fogem a esse padrão. Para Carole Pateman, os apontamentos de Wollstonecraft mostram uma disjunção entre igualdade e diferença que é resultado da dicotomia público-privado, instaurada na modernidade, e da definição de cidadania resultante desta, que foi construída a partir dos atributos, capacidades e atividades dos homens (PATEMAN, 1993 [1988]; 1989). A tensão entre valorização da diferença e afirmação da igualdade atravessa toda a história da reflexão feminista filosófica e fundamenta a reivindicação do feminismo por uma reelaboração do marco teórico que sustenta tais categorias. Os mecanismos que geram as desigualdades, embora sob formas mais complexas, persistem na contemporaneidade e continuam a amparar um sistema que produz, reproduz e mantém disparidades diversas entre os gêneros. Por meio de pesquisa e revisão bibliográfica de obras de representantes do pensamento político moderno e do pensamento feminista filosófico sobre o tema, este projeto de pesquisa se propõe a analisar os impasses e tensões implicados no dilema igualdade-diferença. O objetivo é buscar alternativas para responder às demandas apontadas pelo feminismo e contribuir para a criação de novas possibilidades de interação e organização das relações entre os indivíduos e a sociedade, que convirjam para um modelo de cidadania democrática em que a diferença sexual não represente uma diferença entre liberdade e subordinação. Referências Bibliográficas BRYSON, Valerie. Feminist Political Theory: An Introduction. – 2. ed. - Nova York: Palgrave Macmillan, 2003. PATEMAN, C. O contrato sexual [1988]. Tradução de Marta Avancini. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. ______. The disorder of Women. California: Standford University Press, 1989. WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos das mulheres [1792]. Tradução de Andreia Reis do Carmo. São Paulo: EDIPRO, 2015. ZIRBEL, Ilze. Uma teoria político-feminista do cuidado. 2016. 260 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. Imagem em: https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/419gpCCLgvL._SX323_BO1,204,203,200_.jpg A coluna Em Curso divulga as pesquisas de pós-graduandas na filosofia para contribuir para a visibilidade das pesquisas de filósofas no Brasil. Quer publicar a sua pesquisa? Basta preencher o formulário. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #emcursofilósofas #filósofasbrasil #mulheresnapesquisaemcurso #feminismo #wollstonecraft #liberdade #igualdade
- Resenha: Mulheres, Raça e Classe
Esta obra também deve ser vista como um convite para que a sua leitora e o seu leitor ampliem seu olhar, ou seja, que a intersecção de opressões seja admitida como um meio para a compreensão da busca por emancipação e libertação. É essa uma das riquezas da obra: ser um auxílio na compreensão dos problemas enfrentados na atualidade. Laíssa Ferreira Inaugurando nossa aba “Resenhas”, Laíssa Ferreira apresenta a obra Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, publicado no Brasil em 2016 na tradução de Heci Regina Candiani. Por meio desta análise da obra de Davis, somos convocados a pensar nas semelhanças e diferenças entre o contexto no qual o livro foi escrito e publicado (em 1981 nos Estados Unidos) e a conjuntura estamos experienciando atualmente. Para quem deseja entender o presente, já não é permitido ignorar a importância da perspectiva interseccional proposta por Davis e detalhada por Ferreira, posto que a despeito de todas as diferenças que marcam de modo especialmente injusto as vidas das mulheres negras, o livro da autora estadunidense sublinha o valor de alianças genuínas entre os polos oprimidos das variadas relações de poder instituídas na sociedade contemporânea. Isso sendo proposto a partir de uma reescrita das narrativas mais comuns sobre as experiências das mulheres negras que eram vigentes quando o livro foi escrito. Nos momentos finais de seu texto, Ferreira destaca as potencialidades de transformação que as reflexões de Davis engendram, pois se trata aqui de um trabalho de análise de estruturas de opressão que precisam, com urgência, ser dissolvidas para que novas relações sociais se concretizem, libertas e emancipadas. Além de ler a resenha acessando aqui – este exercício de escrita acadêmica com duplo papel, de formação de escritoras e escritores e de divulgação de livros importantes – você também pode assistir à entrevista que Halina Leal realizou com Laíssa Ferreira, em nosso canal do YouTube.
- MULHERES NA FILOSOFIA: X SEMANA DE FILOSOFIA E SEU ENSINO
A Universidade Federal do Cariri promove uma série de encontros, de 14 a 18 de dezembro. A programação encontra-se detalhada no site: https://filosofiaiisca.wixsite.com/xsemana Lá também são feitas as inscrições de forma gratuita até o dia 14/12/2020. arte gráfica: Viviany Diniz
- Inscrições Abertas (até 18/12/2020) Minicurso FILOSoFIA PERFoRMANCE Prof. Natacha M López Gallucci
Encontram-se abertas as inscrições para o Minicurso "FILOSOFIA Performance" oferecido pela X SEMANA DE FILOSOFIA E SEU ENSINO "MULHERES NA FILOSOFIA" UFCA Brasil. O Minicurso será realizado na 6ta feira 18 de Dezembro de 2020 entre 9 e 12h pelo Zoom O Grupo FiloMove "Filosofia Artes e Estéticas do Movimento", coordenado pela Prof. Dra. Natacha Muriel López Gallucci (PPGArtes ICA UFC, UFCA) estreia PERFORMANCE EM REDE produto do trabalho de 35 pesquisadores artistas de América Latina dirigidos por Gallucci (Ensaio fílmico realizado com o apoio do PNPD Capes). Teaser: https://vimeo.com/465235122 Convidadas Especiais: Abertura Cantada Andrea Cavallara (Palma de Maiorca, Espanha) Maria Laura Corvalán Julieta Boccardo Tom Lobato Erica Vieira
- Inscrições para o curso de Aperfeiçoamento em Filosofia Feminista.
As informações completas você encontra no nosso site: https://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-aperfeioamento-em-filosofia-feminista O curso acontecerá em 8 módulos, de março a novembro, com coordenação da professora Rita de Cássia Fraga Machado. Todas as aulas ficarão disponíveis no Google Classroom por um período de 60 dias após o término do curso total. A Certificação será de 200h e pela Universidade do Estado do Amazonas. Esse grande projeto foi pensado para ampliar a abordagem filosófica tradicional, ao incluir e aprofudar as perspectivas da Filosofia Feminista em seus diversos desdobramentos. Com o Aperfeiçoamento, queremos contribuir não somente para o avanço científico, mas também para o entendimento da complexidade presente na problematização das desigualdades e na busca de melhores meios de combatê-las. Os módulos serão ministrados por importantes professoras do campo da Filosofia no Brasil e organizados em recortes temáticos. Ao longo de cada mês, nos dedicaremos a olhar com mais profundidade para uma das facetas da Filosofia Feminista. Será uma longa e importante jornada e queremos traçá-la junto a vocês! As 100 primeiras inscrições receberá um calendário das pensadoras para que tu agendes as aulas. Vem caminhar com a gente! 💜🖤💛












