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  • Concluintes da Graduação em Filosofia no Brasil por Sexo (Licenciatura e Bacharelado): 2017

    Bem-vindos à Coluna do Quantas Filósofas? na Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Quantas Filósofas? é um projeto de extensão do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seu objetivo é produzir dados sobre Filosofia e Mulheres no Brasil e mobilizar alunos de graduação para a redação e divulgação de verbetes sobre Filósofas. Essa coluna publica periodicamente gráficos baseados em dados oficiais sobre Filosofia e Mulheres no Brasil produzidos pelo Quantas Filósofas?. Gráficos são imagens que trazem muitas informações. Eles contam histórias de pessoas e instituições, eles nos informam para as nossas escolhas. Essa coluna pretende despertar a atenção aos gráficos, por isso não publica comentários ou análises. Quer pedir um gráfico? Escreva para quantasfilosofas@gmail.com #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasbrasil #quantasfilosofas #graduaçãoemfilosofia

  • Ações para diminuir assimetrias de gênero: prorrogação de prazos na revista Em Construção

    A Revista Em Construção: arquivos de epistemologia histórica e estudos de ciência, tendo em vista o momento de crise sanitária, política, econômica e social pelo qual passam as/os pesquisadoras/es brasileiras/os, torna pública a prorrogação dos prazos de recebimento de trabalhos para as duas chamadas de dossiês em aberto. Tal decisão, reflete o comprometimento do corpo editorial da Revista para com ações que visam a diminuição de assimetrias nas relações de gênero no meio acadêmico e editorial científico durante e, sobretudo, após a pandemia. Chamada de trabalhos para o Dossiê: Diásporas, Dissidências e Devastações O sistema mundo/colonial/capitalista/patriarcal/heteronormativo/cristão/militar promoveu devastações e produziu o mundo como o conhecemos (KILOMBA, 2019). Em outras palavras, o colonialismo forçou e continua promovendo o espalhamento, a obliteração e o genocídio dos povos que se encontram, como nos alerta Krenak (2019), na ‘periferia da humanidade’. Seus corpos e suas práticas - dissidentes da norma colonial - seguem resistindo enquanto sobrevivem e atravessam o fim do mundo como o conhecemos reconstituindo outra (s) existência (s). Este dossiê reunirá produções que se propõem a (re)construir outro pensamento e ação-política contra colonial e anti cisheteronormativa. O intuito é rompermos com uma ciência estanque que legitima e monopoliza o saber universal e eurocentrado enquanto desumaniza corpos a partir de concepções racistas e LGBTQfóbicas (COLLINS, 2019; GUEDES, 2017). Sabemos que os estudos da contra colonialidade vão muito além de um projeto acadêmico. No nosso entendimento, a contra colonialidade consiste também numa prática de oposição e intervenção que surgiu desde quando o primeiro sujeito colonial reagiu contra os desígnios imperiais do homem branco colonizador (GROSFOGUEL, 2011; MALDONADO-TORRES, 2016). E assim, os povos em diáspora e aqueles que se desviam da norma branca cisheteronormativa resistem às degradações ontoepistemológicas ocidentais (SILVA, 2014). Desta forma, propomos narrativas nos formatos de artigo acadêmico, resenha, relato de experiência e que versem sobre todas e quaisquer formas de saberes contra coloniais, seja a saúde, a educação, ciências humanas em geral, cosmologias indígenas e africanas, etc. Prorrogado o prazo para o envio de trabalhos: 07/09/20 Previsão da publicação: 01/2021 Para mais informações acesse: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/emconstrucao/index

  • Chamada para a IV Jornada do GEMF (Grupo de Escrita de Mulheres na Filosofia). Participe!

    O Grupo de Escrita de Mulheres na Filosofia (GEMF) convida todas a submeterem seus trabalhos para a sua IV Jornada até o dia 03 de agosto de 2020. O evento se dará em modalidade remota, no dia 17 de setembro de 2020, pela conta oficial da Sociedad Argentina de Analisis Filosófico (SADAF), em Buenos Aires. Com o apoio da Unesco, A IV Jornada promoverá a integração entre as redes de mulheres filósofas atuantes na América Latina, contando com palestras e debates de especialistas sobre o tema. As sessões de comunicação estão abertas para expositoras brasileiras e de outros países da América Latina, que poderão apresentar em português ou espanhol. Confira a chamada no site do GEMF (https://sites.google.com/view/gemf/not%C3%ADcias?authuser=0) e participe! A filosofia é algo que fazemos juntas!

  • Doutorandas no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina

    Esse gráfico é dedicado a Camila Külkamp Bem-vindos à Coluna do Quantas Filósofas? na Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Quantas Filósofas? é um projeto de extensão do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Seu objetivo é produzir dados sobre Filosofia e Mulheres no Brasil e mobilizar alunos de graduação para a redação e divulgação de verbetes sobre Filósofas. Essa coluna publica periodicamente gráficos baseados em dados oficiais sobre Filosofia e Mulheres no Brasil produzidos pelo Quantas Filósofas?. Gráficos são imagens que trazem muitas informações. Eles contam histórias de pessoas e instituições, eles nos informam para as nossas escolhas. Essa coluna pretende despertar a atenção aos gráficos, por isso não publica comentários ou análises. Quer pedir um gráfico? Escreva para quantasfilosofas@gmail.com #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasbrasil #quantasfilosofas #ppfg #ufsc

  • Filosofia feminista para TRANSFORMAR o mundo!

    Acompanhe @aspensadorasoficial no Instagram! #LuteComoUmaPensadora #AsPensadoras

  • Introdução à lógica desde uma perspectiva feminista

    A convite do colega Emiliano Boccardi, professor do Departamento de Filosofia da UFBA que está organizando as UFBA Philosophy Lectures, gravei um minicurso de introdução à lógica desde uma perspectiva feminista. O curso inteiro tem três partes, cada uma dividida em episódios menores. Na primeira, inicio com um breve preâmbulo explicando seu contexto, motivações e falando um pouco das colaborações com colegas – em especial com Nastassja Pugliese, com quem há anos temos conversado e escrito sobre o tema da vinculação entre lógica e feminismo. A aula está dividida nas seguintes partes: Episódio 1 - Usos da linguagem Episódio 2 - O uso proposicional da linguagem Episódio 3 - Lógicas e formalização Episódio 4 - Lógica e práticas filosóficas Na segunda, ilustro alguns conceitos e métodos lógicos elementares através de uma apresentação de tópicos de silogística aristotélica: Episódio 5 - Inferências imediatas: negação e contradição Episódio 6 - Inferências mediatas: silogismo e validade; Silogismos: possibilidades e limites Na terceira parte tematizo a relação entre lógica e feminismo analisando uma crítica feminista à lógica e apresentando alguns contraexemplos. Episódio 7 - Uma crítica feminista à lógica Episódio 8 - Alguns contraexemplos Algumas sugestões de leitura (priorizei a língua portuguesa o quanto foi possível): Introduções à lógica COPI, I.M. (1978) Introdução à lógica. Traduzido por Álvaro Cabral. São Paulo: Editora Mestre Jou. GEACH, P. T. (2013) Razão e argumentação. Tradução de Clarissa Vido et al. Revisão José Alexandre Durry Guerzoni. Porto Alegre: Penso. MANZANO, M. HUERTAS, A. (2004) Lógica para principiantes. Madrid: Alianza Editorial. MATES, B. (1968) Lógica elementar. São Paulo: Ed. Nacional e Ed. USP, 1968. MORTARI, C. (2017) Introdução à lógica. 2ª Ed. São Paulo: Editora Unesp. TRANJAN, T. (2015) Demonstração e interpretação. (Coleção Filosofias: o prazer de pensar). São Paulo: Editora WMF Martins Fontes. TUGENDHAT, E. & WOLFF, U. (1996) Propedêutica lógico-semântica. Tradução de Fernando Augusto da Rocha Rodrigues. Petrópolis: Vozes. Histórias da lógica BLANCHÉ, R. História da Lógica de Aristóteles a Bertrand Russell. Lisboa: Edições 70, 1985. BOCHENSKI, I. M. Historia de la lógica formal. Edición Espanhola de Millán Bravo Lozano. Madrid: Editorial Gredos, 1985. GOMES, E. L. Sobre a história da paraconsistência e a obra de da Costa: a instauração da Lógica Paraconsistente. Campinas: São Paulo [Tese (doutorado) Universidade Estadual de Campinas. Orientadora Ítala Maria Loffredo D’Ottaviano.] KNEALE, M. & KNEALE, W. (1991) O desenvolvimento da lógica. Lisboa: Calouste Gulbenkian. Filosofia da lógica HAACK, S. (2002) Filosofia das lógicas. Tradução de Cezar Augusto Mortari e Luiz Henrique de Araújo Dutra São Paulo: Editora UNESP. WAGNER, P. (2009) Lógica. Tradução de Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola Editorial. Sobre silogística KENNY, A. “A fundação da lógica”. In: KENNY, A. História Concisa da Filosofia Ocidental. Trad. Desidério Murcho, Fernando Martinho, Maria José Figueiredo, Pedro Santos e Rui Cabral (Temas e Debates, 1999). [Disponível no link: http://criticanarede.com/log_fundacao.html] ŁUKASIEWICZ, I. “A verdadeira forma do silogismo aristotélico”. In: Aristotle's syllogistic from the standpoint of modern formal logic. Oxford: Clarendon Press, 1951. 2nd, enlarged ed., 1957 [Tradução de Rui Daniel Cunha, acessível em http://criticanarede.com/silogismo.html] Vários verbetes em BRANQUINHO, J., MURCHO, D., GOMES, N.G. Enciclopédia de termos lógico-filosóficos. Editora WMF Martins Fontes, 2006. Lógica africana Chimakonsam, J. O. (2019) Ezumezu: A System of Logic for African Philosophy and Studies. Springer. Lógica e argumentação BAGGINI, J. & FOSL, P. S. (2008) As ferramentas dos filósofos - Um compêndio sobre conceitos e métodos filosóficos. Tradução Luciana Pudenzi. São Paulo: Edições Loyola. BRUCE, M.; BARBONE, S. (2014) (Orgs.). Os 100 argumentos mais importantes da Filosofia Ocidental. Tradução Ana Lucia Da Rocha Franco. São Paulo: Cultrix. PALAU, G. (2014) Lógica formal y argumentación como disciplinas complementarias. Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación Universidad Nacional de La Plata. WESTON, A. (2009) A construção do argumento. Tradução Alexandre Feitosa Rosas. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes. Lógica e feminismo NYE, A. (1990/2020) Words of Power: a feminist reading of the history of logic. Routledge. AYIM, M. (1995) “Passing through the needle's eye: can a feminist teach logic?” Argumentation vol. 9, pp. 801-820. DIEDRICH, B. (2018) Falar de filósofas é falar de revolução. Representação feminina no ensino de filosofia. Trabalho de conclusão de curso. Orientador prof. Dr. Leonardo Sartori Porto. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponível no Lume UFRGS: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/188274 GOLDSTEIN, L. et. al (2007) Lógica: conceitos-chave em filosofia. Tradução de Lia Levy. [Capítulo 7] LAUX, M.G.R. & NUNES, R.A. (2019) “The role of logic in the genesis of a feminist study group: Philosophy and logic as tolls to fight against oppression.” In: Deciderio et. al. Lógica, argumentación y pensamiento crítico. Alcances, relaciones y aplicaciones. Ciudad de México: Ediciones del Lirio: 71-82. 2019. PUGLIESE, N. & SECCO, G.D (No prelo) “Teaching logic from a feminist point of view.” Introduções ao Feminismo ARRUZZA, C., FRASER, N., BHATTACHARYA, T. (2019) Feminismo para os 99%: um manifesto. Tradução de Heci Regina Candiani. São Paulo: Edotora Boitempo. hooks, bell. (2018) O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. Tradução de Ana Luiza Libânio. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos. TIBURI, M. (2018) Feminismo em comum: para todas, todes e todos. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos. RIBEIRO, D. (2018) Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das Letras.

  • Por que precisamos falar de Feminismo na Universidade? Xô Machsimo Epistêmico!

    Dra. Rita de Cássia Fraga Machado Líder do Grupo de Pesquisa e Extensão_CNPQ as Manas CEST/UEA Militante da Marcha Mundial das Mulheres/Brasil. Professora de Filosofia Todos devemos ser feministas. ChimamandaNgoziAdichie (que essa ideiaadapte-se a ciência) A frase com a qual iniciamos este texto, da escritora e feminista nigeriana Chimamanda Adichie, é ao mesmo tempo polêmica e esclarecedora. No livro “Todos devemos ser feministas”, ela defende uma sociedade em que todos devemos ser feministas, nos provocando a refletir sobre o “todos” e sobre o conceito de “feminismo”. Nossa proposta com essa reflexão é a de trazer para o debate a possibilidade de um pro feminismo exercido pelos homens, mas, antes dessa proposição, é necessário entender o que é feminismo. Estamos vivendo tempos violentos: ataques terroristas, confrontos por questões raciais, de classe e de gênero. Todos os dias nos chegam notícias de violência contra mulheres e casos de feminicidio. Por isso, falar de feminismo não é uma piada engraçada, pois o machismo violenta e mata mulheres diariamente. Particularmente, estou muito preocupada com a maneira como estão se formando os discursos, principalmente na Universidade. Porque feminismo não é somente um discurso, feminismo é prática. Toda feminista carrega por trás de seu discurso uma luta, um desejo de transformação da sociedade, e, sendo assim, feminismo é teoria e prática, e precisamos entender isso. Eu, por exemplo, luto por educação cientifica para as mulheres, ou seja, para que todas nós possamos ter a escola, a universidade, isto é, a formação escolar, acadêmica e profissional como parte essencial de suas vidas. Não nascemos somente para casar, nascemos, principalmente, para nos tornamos mulheres e homens, e isso se constrói com educação. Imaginem se é justo que só os homens possam ter oportunidade de estudar? É justo que hoje no mundo ainda tenham 600 mil meninas fora na escola? É justo que os homens ainda recebam maiores salários e estarem em lugares de poder e privilégio que as mulheres não ocupam? Não, não é. E feminismo é isso, lutar por igualdade. Igualdade na política, igualdade de educação, salários, etc. E, para isso, precisamos continuar mudando a nossa história. Quando nos dizem que as mulheres hoje são maioria nos cursos de pós graduação, nas Universidades e que, por isso, a história mudou, eu, como mulher, pesquisadora e feminista “creio” que esse discurso se deve a uma falta de conhecimento da história. As mulheres sempre foram maioria, e é errado pensar que nós mulheres não estivemos nos espaços. Estivemos, mas sempre de forma rara, silenciadas e invisibilizada, até hoje. Se nós pegarmos os números de mulheres com bolsa produtividades no CNPQ, números de citações na Scielo e número de referências em ementas universitárias, vamos novamente perceber que estamos lá, mas ainda de forma tímida, para não dizer invisíveis. Estou bastante preocupada com o momento atual. Entretanto, ao mesmo tempo presencio o nascimento de consciências coletivas sobre nossa emancipação e a sua importância, homens e mulheres mais sensibilizados para essa questão; vejo estudantes se posicionando contra o sexismo, desafiando as estruturas machistas, racistas e homofóbicas lutando por seus direitos. Isso me alegra e me faz novamente reforçar que a educação, a nossa educação, a educação das mulheres é a minha luta e deve ser de a todas nós. E, aos homens, cabe a eles entenderem seu lugar de privilégio e desistirem de tais lugares para que nós possamos ocupá-los. Isso não é fácil e talvez seja uma utopia. Ainda não vi qualquer homem desistir de um cargo e de seu privilégio de fala. Exatamente isso, de deixar de falar para dar oportunidade às mulheres. Isso ainda não vi, por isso ainda não conheci algum “pro feminista”. Rapidamente conto-lhes uma situação que vivenciei esses dias em uma mesa redonda. Éramos dois professores na mesa, entretanto o professor homem falou por uma hora, e eu precisei realizar a minha exposição em 20 minutos e ainda pedir desculpa porque foi excedido o tempo de duração da mesa. Enfim, esse é mais um dos vários exemplos de machismo que enfrentamos diariamente. Espero que possamos continuar essa reflexão e esse debate e, sobretudo, lutarmos juntas. Resolvi reeditar essa reflexão dado aos muitos relatos de colegas professoras de filosofia a respeito dos assédios que estão sofrendo nessa quarentena, parece que o vírus do machismo também virou pandendêmico! #FilosofiaFeminismo #FilosofasemQuarentena #XôMachsimoEpistêmico #Aspensadoras #EmMarcha Sigamos em Marcha até que todas sejamos livres! Em 19 de fevereiro de 2019. Atualizada em 23/05/2020.

  • Federici sobre mulheres e quarentena

    https://n-1edicoes.org/058?fbclid=IwAR2R8-1K14gE0HMRKpFDm4FI5l_Ogw4Hk7pziWahXVxitsgcycqMMM58-Ow

  • Workshop on-line de redação acadêmica - Feminist Review (em inglês)

    A revista Feminist Review abriu uma chamada para o workshop on-line de redação acadêmica para mulheres pesquisadoras de minorias negras e racializadas em início da carreira. Tanto a chamada quanto o workshop são em inglês. De acordo com a descrição que se encontra em seu blog, a Feminist Review “é uma revista interdisciplinar com revisão por pares que estabelece novas agendas para o feminismo. A Feminist Review (FR) convida à reflexão crítica sobre a relação entre materialidade e representação, teoria e prática, subjetividade e comunidades, formações contemporâneas e históricas. O Coletivo FR está comprometido em explorar o gênero em suas múltiplas formas e inter-relações. A Revista Feminista resiste à crescente instrumentalização das bolsas de estudos no ensino superior britânico e internacional e, assim, apoia a geração de abordagens criativas e inovadoras para a produção de conhecimento. Além de artigos acadêmicos, publicamos peças experimentais, mídia visual e textual e intervenções políticas, incluindo, por exemplo, entrevistas, contos, poemas e ensaios fotográficos. Quando a Feminist Review apareceu pela primeira vez em 1979, se descreveu como uma revista socialista e feminista, 'um veículo para unir pesquisa e teoria com a prática política e contribuir para o desenvolvimento de ambas'. Desafios de raça, classe e sexualidade têm sido fundamentais para o desenvolvimento da revista. Trinta anos depois, a FR continua comprometida com esses valores fundamentais.” (O post original pode ser acessado aqui no blog da revista.) A Feminist Review está aceitando inscrições para um workshop on-line de redação acadêmica para mulheres pesquisadoras de minorias negras e racializadas em início da carreira*. Nosso objetivo é fornecer um espaço de atendimento feminista individual e de pares que incentive a confiança, a abertura à crítica e a inserção ativa da voz na escrita acadêmica. Também esperamos que o workshop ajude a desmistificar o processo de publicação acadêmica, tornando-o menos intimidador. As participantes realizarão exercícios de redação e compartilharão comentários entre si sobre o trabalho existente, com o apoio ativo dos membros coletivos da FR e da editora-chefe. O programa será realizado duas vezes por semana on-line, durante sessões de 1,5 horas, durante um período de quatro semanas, a partir da semana de 8 de junho de 2020. Como se trata de um piloto, os espaços por enquanto serão limitados a dez indivíduos. Para se inscrever, envie um e-mail para feministreview@soas.ac.uk, com o assunto "FR Writing Workshop Application" até 31 de maio de 2020, meia-noite BST contendo: - um resumo (200 palavras ou menos) de um artigo completo que você pode compartilhar (até 8.000 palavras, incluindo resumo, texto principal, citações, notas de rodapé e referências) com o grupo de redatores até 4 de junho de 2020; - um parágrafo (200 palavras ou menos) nos dizendo um pouco sobre você e como / por que você acha que o workshop será importante para você; - uma linha do tempo completa do horário disponível durante as semanas do programa (formulário de download aqui). * Reconhecemos que o “pesquisadora de início de carreira” pode incluir uma variedade de trajetórias e não é um termo específico para a idade e, portanto, permite que os participantes se identifiquem. Imagem do post: March on Washington, de Alma Thomas (1964).

  • Homologação das inscrições para a Turma 2

    CURSO ONLINE DE ESTUDOS FEMINISTAS AS PENSADORAS A coordenação do curso online de estudos feministas As Pensadoras torna pública a homologação das inscrições para a Turma 2 - às terças feiras, das 8h30 às 11h30 e sextas feiras, das 8h30 às 11h30. Solicitamos que qualquer problema com a HOMOLOGAÇÃO seja informado através do e-mail pensadoras.online@gmail.com (ASSUNTO: ERRO/ TURMA2), para que possamos realizar os ajustes necessários. Desde já agradecemos à compreensão de todes. HOMOLOGAÇÃO DAS INSCRIÇÕES - ESTUDANTES Adriana Madeira Coutinho Adriana Silva Cabral Adriana Sousa Chaves Aline Lisboa da Silva Aline Monteiro de Souza Aline Santos Guimarães Ana Caroline Mosena Gollo Ana Lívia Rolim Saraiva Ana Luisa Sertã Almada Mauro Ana Maria Bercht Anna Deyse Rafaela Peinhopf Annie Martins Afonso Araton Cardoso Costa Ariadne Catarina Cardoso Teles Ariane de Oliveira Borba Arielli Alves de Oliveira Arthur Vitorino Costa Fonseca Bárbara de Medeiros Marinho Barbara Madruga da Cunha Bárbara Magalhães Tavares Rodrigues Brenda Dantas Lopes Bela Bruna Albuquerque Alves de Souza Bruna Calixto Lisboa Bruna Padilha de Oliveira Bruna Pastana Beltrão Bruna Raposo Tavares Camila Araújo Moreira da Silva Camila Franco Henriques Camila Silva Berto Carina Murias Carmen Mily dos Reis Leocádio Caroline Farias Alves Caroline Louise do Nascimento Soares Cassia Engres Mocelin Catharina Marcondes Celestino de Faria Celeste Costa de Souza Clarissa Campos Barros Cláudia Leticia Gonçalves Moraes Dábila de Cássia Brito de Miranda Débora Gil Pantaleão Edina Margit Heise Emanuelly Gomes Fernanda Dias de Oliveira Fernanda do Nascimento Grangeão Fernanda Pantaleão Dirscherl Fernando Serra Borborema da Silva Flávia Gonçalves Balarini Gabriela Cardoso Andrade Gabriela Santos Barroso Gigliola Mendes Iara Costa de Melo Jade Bueno Arbo Jéssica Roda Joana Keylla de Sousa Trindade Judit Gomes da Silva Júlia Bahia Adams Júlia Figueiredo do Amaral Cruz Júlia Mitke Reis Silva Karen Gomes Shiratori Katherine Toledo Macedo Keite Crisóstomp Bezerra Kethycia Maria Da Silva Lira Pastório Laiany Caroline Pavin Ghidoni Laís Gedoz Laís Vargas Ramm Leonardo Kumagai Lia Farias Pinto Lilian Ribeiro Antonio Luana Adriano Araújo Luana Machado Scaloppe Luana Paiola Luisa dos Santos Monte Luisa Kipper Beck Lydia Minhoto Cintra Marcia da Conceição Avelino Maria Altimira Hackerott Maria Celeste Pitanga Lachini Maria Pacheco da Costa Vieira dos Santos Maria Paula Moreno Queiroga de Assis Mariana Pereira de Castro Marie Luce Tavares Marina Blank Virgilio da Silva Marina Jerusalinsky Michele Cristina Ramos Gomes Natália Lima Maia Natália Salomé Poubel Nicole Martinazzo Patricia Rosí Prohmann Rafael Arcanjo Teixeira Rafaela Cordeiro Gama Raíssa de Morais Pereira Raissa Furlanetto Cardoso Raquel de Oliveira Barreto Rosângela Wojdela Cavalcanti Sarah Pereira Barbosa Sirlene Moreira Fideles Sthéfanny Sanchez Frizzarim Suelen Wanderley de Oliveira Thais Gomes Shiratori Vanessa Cristina Dias Vanessa Pessoa Alves Rosa Victor Marujo Ibrahim Virgínia Helena Ferreira da Costa Yasmim Fonseca Amaral Yasmin Amanda Baseggio Maíra Giovenardi HOMOLOGAÇÃO DAS INSCRIÇÕES - PROFISSIONAIS Adriana Stephanie Nascimento dos Santos Adriely Ferreira Quental Alcina Fernandes Alessandra Ribeiro de Souza Alice de Barros Gabriel Alice Inês Lorenzi Urbim Aline Ellen dos Santos Mota Aline Santos Guimarães Aline Sette Bruggemann Amanda André de Mendonça Amanda de Campos Marchini Ana Carolina Ferraz dos Santos Ana Carolina Pereira Ana Carolina Rolim Granja Ana Gabrielle Barroncas Ana Luiza de Oliveira e Oliveira Ana Margareth Manique de Melo Ana Paula Alves de Carvalho Ana Teresa Almeida de Souza Lima André Luiz Machado das Neves Andyara Leticia de Sales Correia Angela Maria Caldeira Teixeira de Freitas Bárbara Dornelles Flores Bianca Acioly de Araújo Camila Tereza Cecchin Danguy Carla Benitez Martins Carolina Pescatori Caroline Santos da Silva Cassandra Carmo de Lima Véras Cecilia Amália Cunha Santos Célia Regina da Silva Cláudia Araújo Claudia Barbosa Clayane Carvalho Freitas Cristina Gattino Estima Dainara Toffoli Soares Daniela Baptista Danielle Cabrini Danielle Parfentieff de Noronha Danna de Luccia Elen Alves Arevalo Emanuelle Mario de Paula Erika Cardoso dos Reis Ezilda Claudia de Melo Fabíola Guerra Nakamura Fernanda Nunes Morais da Silva Flávia Baracho Trindade Gabriela de Melo Bueno Gaia Vani Gefson Luiz Ribeiro Barbosa Hellen Maria de Oliveira Lopes Heneli Giorgi de Nicola Isabel Granzotto Llagostera Isabela do Amaral Sales Isabele Villwock Bachtold Isadora Attab Isadora Rezende Bonamim Jaine Cabral de Sousa Janayna Rocha da Silva João Henrique Machado Delgado João Silva Lima Juliana Bonanomi Juliana Gonçalves Rosa Juliana Miguel da Silveira Belchior Juliele Maria Sievers Kim Albano de Barros Lays Emanuelle Viedes Lima Letícia Schneider Ferreira Lidia Neira Alves Lacerda Lilian Fraiji Lívia Goes Oliveira Lorena Wilson Jabour Lot Yan Teresa Luanda Lagares Chamarelli Luisa Lima Cat Luiz Ribeiro Barbosa Luiza Navarro Guedes Lygia Sabbag Fares Maísa Wolff Resplande Marcela Rabello de Castro Centelhas Marcella Monteiro de Souza e Silva Marcelo Henrique Gonçalves de Miranda Márcia Avelino Marcia Guedes Vieira Márcia Maria da Silva Barreiros Marcia Rezende de Oliveira Maria Alice da Silva Maria Angela Pontual de Oliveira Maria Carmen de Sá Maria da Gloria Ribeiro Castro Maria Josete Rech Maria Letícia de Oliveira Reis Maria Lúcia Vannuchi Maria Rita de Holanda Silva Oliveira Maria Walkiria Cabral Mariana de Camargo Penteado Mariane da Silva Pisani Marina Afonso Barreto Lins Neta Marina Rodrigues de Oliveira Mayara Brasil de Sá Leitão Miquelly Pastana Tito Sanches Mirna Pinheiro Caniso Natalia Mendonça dos Santos Neide da Silva Campos Norico Kayano Nóbrega Olívia Morgado Françozo Pâmela Vicentini Faeti Patrícia Lânes Araújo de Souza Preciliana Barreto de Morais Priscila Finger do Prado Priscila Prado Quézea Regina Albolea Mastelaro Raquel Lins Brandão Rebeca Damian Cavalcanti Renata Vilar de Almeida Roberta Lapertosa Roselaine Ripa Sil Lena Ribeiro Calderaro Oliveira Silvia da Cunha Vieira Silvia Scoralich de Carvalho Tabatha Benitz Talita Lazarin Dal No Tallita Fernandes da Silva Tatiana Anes Villamayor Tatiana Brandão de Araújo Thais Lisboa Soares Vanessa Anitablian Baltazar Vanessa Generoso Paes Vanja Poty Sandes Gomes Menezes Wellington Douglas dos Santos Dias Yasmin Oliveira Mercadante Pestana __________________________________________ Rita de Cassia Fraga Machado Coordenadora Tefé-AM, 18 de Maio de 2020. Sejam todes bem-vindes! 🌹

  • Em curso: chamada para publicação na coluna

    A Rede Brasileira de Mulheres Filósofas lança a coluna periódica Em Curso, destinada a pesquisadoras de pós-graduação em filosofia que queiram divulgar suas pesquisas através da nossa plataforma. A Em Curso publicará resumos de pesquisas realizadas por mulheres, em quaisquer linhas de pesquisa em filosofia e sobre quaisquer temáticas filosóficas, com o intuito de visibilizar a atuação de mulheres nas pós-graduações em filosofia de todo o Brasil. A nova coluna será coordenada pelo GEMF, Grupo de Escrita de Mulheres na Filosofia, formado por pesquisadoras de pós-doutorado e professoras que, desde 2015, vêm apoiando e incentivando a escrita acadêmica de filósofas. A Rede está feliz em fazer um convite especial a todas as alunas de pós-graduação em filosofia do Brasil. Preencham o formulário da Em Curso, e participem de mais essa iniciativa de colaboração e incentivo às mulheres filósofas! #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofasemcurso #emcurso

  • A desumanização política de corpos na pandemia

    Anna Laura Maneschy Fadel Doutoranda em Teoria e Filosofia do Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Professora do Curso de Direito do Centro Universitário do Pará. Integrante do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito – FilPED. Loiane Prado Verbicaro Professora da Faculdade de Filosofia e do Programa de Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Coordenadora do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito – FilPED. Dando sequência às reflexões que o Grupo de Pesquisa “Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito” vem fazendo nestes difíceis tempos de pandemia, o tema de hoje discute a desumanização política dos corpos, com inspiração, sobretudo, nos belos textos escritos por Judith Butler, que têm lançado luzes e reflexões sobre a crise que nos assola. No Brasil, a defesa neoliberal do “salve-se quem puder” e da “justiça de mercado” goza de expressivo prestígio perante a opinião pública na luta contra a politização e a justiça social corretora do mercado. Essa lógica ecoa, em tempos de pandemia, no discurso de racionalidade econômica dos mercados que tem defendido que “pior que o medo da epidemia deve ser o medo do desemprego”, afinal a economia não pode parar, ainda que custe a vida de milhares de indivíduos. A vida humana é instrumentalizada pelas razões de mercado para que a engrenagem não pare. O que está por detrás dessa lógica é que “algumas vidas não importam”, algumas mortes – necessárias ou ocasionais – valem o risco. Como Judith Butler destaca, “há sujeitos que não são exatamente reconhecíveis como sujeitos e há vidas que dificilmente – ou melhor dizendo, nunca – são reconhecidas como vidas” (BUTLER, 2016, p. 17). A autora norte-americana Judith Butler é um referencial valioso para discutirmos essa questão. A lúcida exposição que está desenvolvendo sobre os impactos da pandemia nos Estados Unidos, além de suas obras “Quadros de Guerra” (2015) e “Vida precária” (2019), podem auxiliar-nos a pensar sobre a nossa realidade, particularmente sobre a apropriação do neoliberalismo aos nossos corpos e a consequente destruição da ética do reconhecimento. Este é o nosso ponto de partida. Desde “Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade” (2015), Butler rompe com a (aparente) cisão entre corpo e mente, relacionando atos discursivos que atravessam e se expressam por meio dos nossos corpos – o corpo é também linguagem. Ao relacionar esta ideia ao modus operandi do neoliberalismo, a autora afirma que este sistema econômico se apropria deles, relegando-os a uma lógica meramente produtiva, destrutiva e desigual (BUTLER, 2016). Tal sistema produtivo opera-se, segundo Butler, pela intitulada: “ética da violência”, da competitividade, da exclusão, do extermínio. Portanto, não é inesperado que o resultado seja o da desigualdade. Aliada ao populismo conservador, referindo-se à política norte-americana de Donald Trump, a ética da violência transforma-se em um sistema projetado para eliminar muitos e salvaguardar alguns, o que se opõe, diretamente, à igualdade e ao direito de existir desses corpos (BUTLER, 2016). Em recente entrevista sobre a pandemia mundial, a autora ressalta que, embora o vírus seja capaz de demonstrar como vivemos em uma rede de interpendência e compartilhamento, mostra-nos, de forma mais evidente, as profundas vulnerabilidades que nos desigualam social, política e economicamente. Assim, algumas vidas estão mais suscetíveis à morte, como: a população que não tem acesso à saúde de qualidade – na maioria, negros e pardos –, pessoas pobres, refugiados, pessoas encarceradas, pessoas trans e queer etc. (BUTLER, 2020a). Este é um ponto que não pode ser negligenciado. Nessa mesma linha, quando Butler (2016), em “Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto?”, analisa o conceito de “luto”, em uma retomada da teoria da psicanalista Melanie Klein, discute como há um processo de desumanização política de certos corpos, indicando como a consternação causada por uma perda apenas acontece quando reconhecemos que algo importante foi interrompido, afinal, não choramos por algo sem valor. Ao resgatar a ética do reconhecimento de Emmanuel Lévinas, Butler (2016), afirma que somente será possível importar-se com a vida do Outro quando há um liame de reconhecimento com o Eu. Isto é, de forma mais clara, a compreensão da igualdade. O fato de se reconhecer alguém como sujeito de direito implica em superar o obstáculo dicotômico do Eu vs. Eles. Ao comentar sobre esta rede de conexão que possuímos socialmente, no texto: “Traços humanos nas superfícies do mundo”, a autora, sensivelmente, afirma que a pandemia tem a capacidade de demonstrar que “as superfícies da vida ensinam aos humanos sobre o mundo que compartilham, insistindo que estamos conectados” (BUTLER, 2020, p. 10). Entretanto, longe de ser uma análise romantizada da realidade que enfrentamos, Butler denuncia em sua abordagem que enquanto apostarmos em um sistema que se estrutura em privilégios econômicos, sociais, raciais etc., jamais seremos capazes de aprender a lição que está tentando nos ser ensinada. A igualdade é um fim possível, mas não pelos caminhos que estamos adotando. Os acontecimentos políticos do Brasil têm nos conduzido a descaminhos de difícil reparação e superação. Em recente entrevista, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao ser informado sobre a quantidade de mortes no Brasil ter ultrapassado o número da China, reagiu com um infame: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre" (FOLHA DE SÃO PAULO, 2020). Este não foi o primeiro, e provavelmente não será o último, pronunciamento abjeto do representante do país. Ao reagir de maneira odiosa e ao não tratar o problema com seriedade, o presidente descumpre as regras de decoro e civilidade do cargo que ocupa, acenando para a equação segundo a qual “uns e outros podem até morrer, contanto que a economia permaneça avançando.” Essa lógica discursiva ecoa em outros seguimentos. O dono do grupo Madero, ao se manifestar contrariamente às medidas de restrição social, afirmou que: “não se pode parar a economia por 5 ou 7 mil mortes”, por considerar que tal atitude impactaria negativamente os setores econômicos. Em outro momento, empresário paulistano que comandou reality show de sucesso na televisão, em vídeo na sua rede social, declarou que “15 mil mortos é um número muito pequeno que justifique parar tudo”. O curioso é o fato do empresário encontrar-se em isolamento na sua fazenda, com toda a sua família. Esse tipo de discurso repete-se em carreatas de apoio ao presidente, que pede a reabertura dos estabelecimentos comerciais e o fim das políticas de isolamento. Analisando tais manifestações, é perceptível que, para a “elite do atraso”, usando uma expressão de Jessé de Souza, é irrelevante que algumas pessoas morram, pois estas vidas são de menor valor, sua existência é um acaso ou um preço a ser pago diante da crise. Mas desse cômputo estão excluídos, é claro, os seus próprios afetos, os considerados iguais, os que não merecem morrer. Diante desse cenário sombrio, a pergunta que parece estar delineada é a seguinte: “por quais mortes iremos chorar?”, “quais vidas são passíveis de luto”? Tratando-se sobre igualdade, particularmente em tempos de coronavírus, isto parece estar longe de ser uma possibilidade, ainda mais diante do nosso contexto latinoamericano. A necropolítica, termo utilizado pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, mostra-se cada vez mais evidente, como uma verdadeira técnica da morte, dominada pelo Estado, que dita quais serão aqueles que viverão e quais serão deixados a morrer. Como alega Dennis de Oliveira (2018), ao discutir sobre a realidade da América Latina, as nossas relações sociais foram fundadas pela violência e, portanto, nossas estruturas refletem essa prática. Ao pensamos sobre o Brasil, cuja base econômica e cultural têm origem no colonialismo e escravagismo, – a qual nunca foi de fato rompida –, uma política econômica que explore (literalmente) até a morte e que estabeleça critérios bem demarcados de distinção, esse resultado são “os fantasmas do nosso presente”, como afirma Lilia Schwarcz (2019). Nos discursos aqui mencionados, vê-se a concretização dessa lógica necropolítica, do “DNA escravocrata” (OLIVEIRA, 2018). Enquanto defendermos um sistema econômico pautado na exclusão e na competitividade, que se fundamenta e reproduz desigualdades, a pandemia do Covid-19 será apenas a responsável por descortinar aquilo que sempre esteve lá: algumas vidas não importam, são impassíveis de luto e não merecem nosso pranto. Ou, como afirma Butler (2018): “matar é o ápice da desigualdade social”. Para encerrar a reflexão, a nossa luz no fim do túnel, se quisermos seguir com a proposta de Butler, devemos defender que “o corpo implica mortalidade, vulnerabilidade, agência: a pele e a carne nos expõem ao olhar dos outros, mas também ao toque e à violência, e os corpos também ameaçam nos transformar na agência e no instrumento de tudo isso. Embora lutemos por direitos sobre nossos próprios corpos, os próprios corpos pelos quais lutamos não são apenas nossos. O corpo tem sua dimensão invariavelmente pública. Constituído como um fenômeno social na esfera pública, meu corpo é e não é meu”. (BUTLER, 2016, p. 46). Assim, Butler defende a ideia de “corpo” que não seja entendido exclusivamente como singular, privado, atomizado, mas sim como uma grande e complexa rede de interligações no mundo público: eu só existo porque você (s) existe (m) também. E apenas pelo reconhecimento mútuo se faz igualdade. E, como a própria autora declarou: “o mundo não pode ser reduzido à ‘economia’" (BUTLER, 2020a). #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofaemquarentena #desumanizaçãopolíticadecorpos #pandemia Referências BUTLER, Judith. Entrevista no Portal Truth Out, 30 de abril de 2020. Judith Butler: Mourning Is a Political Act Amid the Pandemic and Its Disparities. Disponível em: https://truthout.org/articles/judith-butler-mourning-is-a-political-act-amid-the-pandemic-and-its-disparities/. Acesso em: 06 de maio de 2020a. BUTLER, Judith. Traços humanos nas superfícies do mundo. Tradução de: André Arias e Clara Barzaghi. Disponível em: https://n-1edicoes.org/042. Acesso em: 17 de maio de 2020b. BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade - Col. Sujeito & História. 8ª Ed. 2015. BUTLER, Judith. Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto?. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. BUTLER, Judith. Vida precária: os poderes do luto e da violência. Trad. Andreas Lieber. Belo Horizonte: Autêntica, 2019. FOLHA DE SÃO PAULO. 'E daí? Lamento, quer que eu faça o quê?', diz Bolsonaro sobre recorde de mortos por coronavírus. Reportagem 28 de abril de 2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/e-dai-lamento-quer-que-eu-faca-o-que-diz-bolsonaro-sobre-recorde-de-mortos-por-coronavirus.shtml. Acesso em: 02 de maio de 2020. MBEMBE, Achille. Necropolítica. Artes e Ensaios, Rio de Janeiro, n. 32, p. 123 ‑151, dez. 2016. OLIVEIRA, Dennis. A violência estrutural na América Latina na lógica do sistema da necropolítica e da colonialidade do poder. Extraprensa: cultura e comunicação na América Latina / Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. – v. 11, n. 2 (jan./jun. 2018) – São Paulo: CELACC-ECA-USP, 2018 SCHWARCZ, Lilia Moritiz. Sobre O Autoritarismo Brasileiro. São Paulo: Companhia Das Letras, 2019. SOUZA, Jessé. A elite do atraso: Da Escravidão a Bolsonaro. São Paulo: Estação Brasil, 2019.

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