GT FILOSOFIA E GÊNERO
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- “As Pensadoras e a Filosofia”
Você conhece Katiuscia Ribeiro? Ela é filósofa, professora e doutoranda em Filosofia Africana pela UFRJ. É também Coordenadora Geral do laboratório Geru Maa de Africologia e estudos Ameríndios da UFRJ e CEO da Ajeum Filosófico. Katiuscia irá mediar o eixo “As Pensadoras e a Filosofia” no I Fórum Virtual d’As Pensadoras. O Fórum vai acontecer nos dias 25 e 26 de fevereiro e você pode submeter trabalhos para os eixos de diálogo. Para saber mais sobre o evento, acesse o link: http://www.aspensadoras.com.br/.../i-frum-virtual-das... Vem com a gente!! #fórumvirtual #aspensadoras #comunidadeaspensadoras
- "Filosofia Feminista e Contemporaneidade"
No mês de maio, teremos um mês inteirinho como Ms. Beatrís Seus (UFPel) com o módulo "Filosofia Feminista e Contemporaneidade". Beatrís problematizará as teorias feministas de filósofas como Simone de Beauvoir, Judith Butler e Carole Pateman. Confira o programa de aulas que ela preparou pra gente! Aula 1: Introdução ao pensamento feminista moderno e suas implicações contemporâneas. Aula 2: As reformulações morais e políticas necessárias para a construção de uma sociedade igualitária. Aula 3: A teoria Queer e a crítica ao dualismo identitário. Aula 4: A renovação do pensamento feminista: intersexualidade e transexualidade. Aula 5: A crítica contratualista de Carole Pateman Aula 6: A gênese do patriarcado contemporâneo Inscreva-se pelo link: https://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-aperfeioamento-em-filosofia-feminista #aspensadoras #filosofiafeminista #comunidadeaspensadoras
- “Histórias e Feminismos” vem com a gente!
No mês de abril, no curso de Aperfeiçoamento em Filosofia Feminista, a temática a ser estudada será “Histórias e Feminismos”. E dá só uma olhada no plano de aulas que Viviane Botton preparou: Aula 1 - Questionar a história e o tempo Aula 2 - Repensar o "Milagre Grego" e a mulher nele e na formação do Ocidente. Aula 3 - Avaliar a questão em torno da mulher e o (não)direito à Polis e à lei através do mito de Antígona. Aula 4 - A biologia/medicina e o corpo feminino e o gênero como marca do corpo. Aula 5 - Mulher/sexualidade e loucura dos paradigmas femininos comportamentais e estéticos. Aula 6 - Colonialidade e saberes em jogo na "conquista" do corpo da humana fêmea e da fêmea não-humana. Demais, né? E aí, já quer se inscrever? Corre lá no nosso site para garantir sua vaga! Acesse o link: https://www.aspensadoras.com.br/cursos/i-aperfeioamento-em-filosofia-feminista
- Christine de Pizan: curso para graduadas(os) no PPGF-UFRGS
Ana Rieger Schmidt oferece uma disciplina sobre Christine de Pizan na Pós-graduação em Filosofia da UFRGS. A UFRGS prevê inscrição na modalidade Aluno Especial, de 11 a 12/01, pelo email apoio-ppgifch@ufrgs.br As aulas vão de 18/01 a 07/05, os encontros se darão remotamente, a princípio, nas quintas-feiras à tarde (dia e horário serão definidos com os inscritos). Detalhes sobre programa e bibliografia aqui: http://www.ufrgs.br/ppgfilo/programacao #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofasbrasil #christinedepizan
- M𝐢𝐧𝐢𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 '𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫 𝐧𝐨 𝐂𝐢𝐧𝐞𝐦𝐚: 𝐞𝐬𝐭é𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐩𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐚'
Estão abertas as inscrições para o 𝐦𝐢𝐧𝐢𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 '𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫 𝐧𝐨 𝐂𝐢𝐧𝐞𝐦𝐚: 𝐞𝐬𝐭é𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐩𝐨𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐚', que propõe um estudo intensivo acerca da teoria feminista dentro do cinema através de pensadoras do cinema e da filosofia, bem como mulheres pioneiras que revolucionaram as telas com suas estéticas próprias e seus debates políticos. Conheceremos diretoras de várias partes do mundo e a trajetória de seus filmes que continuam a promover a diferença. Quando: 27 e 30 de janeiro Horário: quarta-feira, das 18h às 20h30 e sábado, das 9h às 11h30. Certificação: 8 horas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Caso você não possa assistir em algum dia ou horário, não se preocupe! Nossas aulas ficam disponíveis por até 60 dias após o término das atividades. Inscreva-se pelo link: http://www.aspensadoras.com.br/cursos/mulher-no-cinema-esttica-e-poltica Vem com a gente!
- Grupo de Estudos sobre justiça, gênero e família na UFSC/UFMG
Coordenação: Rafaela Fernandes Leite (leitefrafaela@gmail.com) Raphael Ferreira Carlos (raphaelfcarlos@gmail.com) Orientação: Prof. Dr. Leandro Martins Zanitelli Ementa: Discussão de algumas das principais Teorias de Justiça, a fim de delimitar de qual forma elas incluem (e se incluem) as desigualdades de gênero e a estrutura dela decorrente como uma questão de justiça, com ênfase na análise da família e na distinção recorrente entre o público e o privado. Posteriormente, pretende-se apresentar o liberalismo político como uma teoria viável para satisfação da justiça igual entre homens, mulheres e crianças, delimitando, tanto quanto possível, as modificações que seriam necessárias para esse propósito. Para tanto, objetiva-se uma apresentação do liberalismo político de John Rawls e, especificamente, do argumento do consenso sobreposto e da razão pública. Finalmente, encerra-se com as críticas feministas opostas ao liberalismo político e a resposta (ou tentativa de) apresentada por Rawls na revisitação da razão pública. Inscrição, cronograma e informações: grupodeestudostjc@gmail.com #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #filosofasbrasil
- Visibilidade às mulheres: a Rede Brasileira de Mulheres Filósofas
Abrindo 2021, apresentamos a entrevista de Loiane Verbicaro, Patrícia Ketzer, Juliana Aggio e Silvana Ramos a Nádia Junqueira Ribeiro para a Revista Filosofia Ciência e Vida sobre Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofasbrasil #visibilidadeàsfilosofas #loianeverbicaro #julianaaggio #patriciaketzer #silvanaramos
- Feliz Ano Novo, pensadoras!
Queremos desejar à todas as mulheres que lutaram conosco lado a lado pela igualdade de gênero na filosofia, pelo combate ao assédio na Universidade e na Escola Pública, e nos inspiram a seguir acreditando num projeto de educação intelectual para as mulheres e com mulheres! Obrigada! Vem com a gente em 2021! https://www.aspensadoras.com.br/escola #aspensadoras #redebrasileirademulheresfilosofas #aperfeiçoamentoemfilosofiafeminista
- As Pensadoras e o Socialismo.
Tem alguém aí afim de pensar feminismo de uma perspectiva materialista através do pensamento das maiores socialistas da história? Pois cheguem mais! Estão abertas as inscrições para o curso que vai abrir o novo ano de trabalho da nossa escola: As Pensadoras e o Socialismo! LINK DA INSCRIÇÃO: http://www.aspensadoras.com.br/cursos/as-pensadoras-e-o-socialismo--1-edio Vamos discutir a atualidade do feminismo marxista no Brasil, a formação da consciência militante feminista e a luta de classe, o trabalho doméstico e fazer debates sobre a reprodução social. Rosa Luxemburgo, Heleieth Saffioti, Ivone Gebara, Silvia Federici, Tithi Bhattacharya são alguns dos nomes que vão guiar nossos estudos. Serão cinco encontros: 11, 12, 19 e 25 de janeiro e 2 de fevereiro. Sempre das 18h30 às 20h30. Samantha Lodi vai falar sobre “A educação revolucionária de Nadezhda Krupskaia”. Também estarão conosco nesse curso as professoras Dra. Mirla Cisne Alvaro (UERN), Dra. Mary Garcia Castro (UFRJ) e Dra. Rita Machado (UEA), que também coordena o curso. O feminismo no qual a gente acredita é aquele para os 99%! Pensar um feminismo marxista, portanto, é urgente para que nenhuma mulher fique de fora de um mundo mais justo e igualitário. Te convidamos para esse debate. Pensadoras trabalhadoras do mundo, uni-vas! #aspensadoraseosocialismo #escolaaspensadoras #comunidadeaspensadoras
- Novo Link para Assinaturas: Petição da Rede Argentina de Coletivos Feministas de Filosofia
A Rede Argentina de Coletivos Feministas de Filosofia publica uma declaração em apoio à lei de interrupção voluntária da gravidez naquele país. Interessadas/os em apoiar a causa podem deixar sua assinatura em https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeWs84zzsYO56DeqMiqUfYhPxxRpwFUbuSZEu9VG2jQwQPgrQ/viewform?usp=sf_link Declaración de la Red Argentina de Colectivas Feministas de Filosofía en apoyo a la Ley de Interrupción Voluntaria del Embarazo Desde la Red Argentina de Colectivas Feministas de Filosofía nos pronunciamos a favor del derecho al aborto legal, seguro y gratuito. Exigimos a la Cámara de Senadores del Honorable Congreso de la Nación que apruebe y haga efectiva la sanción de la Ley de Interrupción Voluntaria del Embarazo y demandamos al Estado nacional y a los Estados provinciales la implementación de políticas públicas en favor de la salud y la educación sexual y reproductiva, tal como se prevé en las Leyes de Educación Sexual Integral (26.150) y de Salud Sexual y Procreación Responsable (25.673). Sabemos que el concepto de “vida” es motivo de disputas y no se corresponde con una realidad observable o delimitable desde una única disciplina científica. Hace siglos la filosofía rastrea, analiza e historiza los modos en que las nociones de vida y de viviente se construyen, se articulan en diversos contextos y son disputadas por diferentes discursividades (científicas, religiosas, etc.) que pretenden tener sobre ellas la razón última. También sabemos que la capacidad de gestar no es natural ni incuestionable, y no debe ser confundida con la esencia ni con la finalidad última de ningún cuerpo. La atribución de naturalidad a la capacidad de gestar es producto de una serie de operaciones conceptuales que la ponen en una relación de proporcionalidad inversa con la capacidad de tomar decisiones. Es decir, en la medida en que un cuerpo es transformado en “natural” y “esencialmente” gestante es reducido de sujeto a objeto de decisión e inferiorizado. Considerando lo anterior, sostenemos que en la deliberación sobre la presente ley no debe confundirse la interpretación personal del legislador sobre posibles dimensiones morales vinculadas a la gestación con las garantías jurídicas necesarias para tomar la decisión de gestar o no en un marco de libertad, legalidad, seguridad y autonomía. La interrupción voluntaria del embarazo no puede ser reducida a un dilema moral: es una disputa filosófico-política que involucra estructuras materiales, afectivas y simbólicas construidas socialmente. Quienes tienen la responsabilidad de legislar no deberían fundamentar sus decisiones en sus convicciones morales individuales, porque la tarea para la que fueron elegidxs y mandatadxs involucra la protección de los derechos humanos, entre los que se encuentran los derechos sexuales y reproductivos. El no reconocimiento legal del derecho a decidir la interrupción del embarazo tiene como consecuencia la realización de abortos clandestinos cuyas condiciones de precariedad e insalubridad están directamente vinculadas con la procedencia social de quienes gestan, y son el primer factor de mortalidad en el periodo gestacional. Por eso, como respuesta a este problema impostergable de salud pública y de autonomía política, es imperiosa la aprobación de la ley. Se trata de un derecho exigido desde las calles y consensuado por distintos sectores sociales y políticos preocupados por garantizar los derechos humanos de las personas con capacidad de gestar. Desde la primera elevación del proyecto de la Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito en 2007, la adhesión de la sociedad civil no ha hecho más que crecer y profundizarse. Ahora, cuando el proyecto ha sido presentado por octava vez en el Congreso y aprobado por la Cámara de Diputados, reclamamos y exigimos a la Cámara de Senadores que asuma esta vez la responsabilidad social y política de resolver un problema que vulnera derechos fundamentales de las personas gestantes, incluidas niñes y adolescentes. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #filosofasbrasil #redeargentinadecoletivasfeministasdefilosofia
- Aula de Encerramento por Susana de Castro: As Pensadoras agora em nosso canal
Encerrando a série As Pensadoras, Susana de Castro, presidenta eleita da ANPOF, apresenta o feminismo descolonial, sua formulação segundo María Lugones, seus pontos de contato com o feminismo negro e a necessidade de uma abordagem que não situe a luta contra as opressões em ondas históricas. Esse vídeo integra a primeira série do projeto As Pensadoras, coordenado por Rita Machado (UEA), que tem por objetivo divulgar a contribuição da obra de mulheres para a história do pensamento e para os feminismos. Veja o programa de curso e a bibliografia em https://www.filosofas.org/post/copy-of-curso-on-line-as-pensadoras-abertas-inscrições-turma-3 SUSANA DE CASTRO é Professora associada do departamento de Filosofia da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRJ. Coordenadora do Laboratório Antígona de Filosofia e Gênero. Autora dos livros Filosofia e Gênero (7Letras, 2014) e As mulheres das tragédias gregas: poderosas? (Manole, 2011), e do capítulo “Condescendência: estratégia pater-colonial de poder” (In: Hollanda, Heloisa Buarque, org. Pensamento feminista Hoje: Perspectivas decoloniais, Bazar, 2020), entre outros. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7714162590268606 #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasorg #filosofasbrasil #aspensadoras #susanadecastro
- As assimetrias de gênero e o encolhimento acadêmico das mulheres em tempos de pandemia
Juliana Pantoja Machado Mestranda em Direito, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional (CESUPA). Integrante do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito – FilPED. Loiane Prado Verbicaro Professora da Faculdade de Filosofia e do Programa de Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Coordenadora do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito – FilPED. Em tempos de remodulação das formas de opressão com o avanço do capitalismo financeirizado e suas consequências deletérias à proteção social e à realização de uma agenda igualitária, as assimetrias de gênero avançam, colocando as mulheres à disposição do sistema capitalista de maneira brutal, especialmente no contexto de uma pandemia. Desde a caça as bruxas, como nos alertou Federici no livro “Calibã e a Bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva”, a divisão social entre mulheres e homens foi desenhada para que mulheres não prosperassem, limitadas a crescerem apenas dentro do isolamento de gigantescos muros do campo doméstico, permeado pelos interesses na sua capacidade de reprodução da vida e da mão de obra. Encolher as mulheres tem sido uma abordagem metodológica do sistema capitalista desde o seu nascimento. Federici nos mostrou que o isolamento de mulheres, de acordo com a história medieval, foi pensado para castrar a potência feminina que dava a elas um poder político essencial. Mulheres no poder despertam à lógica dominante um medo visceral. No contexto brasileiro, pensar esse medo o traz associado necessariamente ao racismo. Mulheres negras potentes causam verdadeiros pesadelos para aqueles que buscam a manutenção da estrutura hegemônica e segregacionista. Por consequência, a manutenção social depende do trabalho exaustivo e não reconhecido de mulheres, historicamente educadas a existirem enquanto ferramenta, socializadas para movimentarem a economia do cuidado. São, portanto, ferramentas de afazeres do lar, satisfação sexual, doação e exploração. Instrumentos disponíveis a arcar com os custos que os homens não estão dispostos a assumir. Sustentam uma sociedade que as precariza de toda as formas disponíveis, principalmente as mulheres cujas vulnerabilidades se misturam com demais formas de opressão. Por essa razão, o método de construção do campo público/político e, consequentemente, também acadêmico, alimenta o desaparecimento das mulheres em tempos de crise. Uma ode ao célebre e conhecido manifesto de Beauvoir sobre a sempre presente possibilidade de desmonte das conquistas das mulheres: “[...] basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida”. Acrescentemos à essa crítica também as oportunidades. Não apenas os direitos positivamente conquistados estremecem, as oportunidades de pertencimento e participação social, acadêmica e pública também são usurpadas das mulheres, sempre que possível. Na vivência pandêmica brasileira, os dados disponibilizados por Candido e Campos (2020) demonstram o percentual anormalmente mais baixo de submissão de artigos acadêmicos assinados por mulheres para este período. Apenas 28% dos textos pertencem a autoras. No mesmo caminho, o estudo feito pelo projeto brasileiro Parent in Science mostrou que 52% das mulheres pesquisadoras com filhos não conseguiram concluir seus artigos, além disso, a produção acadêmica feminina caiu 70% do início do ano até o momento em que a pandemia se instalou. Quando analisamos através da perspectiva também de raça, de forma não surpreendente esses dados são ainda mais desiguais, demonstrando em tal pesquisa que entre aqueles que estão conseguindo produzir de forma compatível com a qual faziam antes da pandemia apenas 8,1% são mulheres negras e 3,4% mulheres negras mães. Dos dados analisados, detém-se ainda que enquanto 65,3% de homens com filhos conseguiram submeter artigos científicos como o planejado, 47,4% das mulheres deram a mesma resposta. Além disso, 70,4% dos homens brancos entregaram trabalhos, e ao mesmo tempo, 47,3% das mulheres negras submeteram. Essa queda na produção científica de mulheres no Brasil traz consigo a representação de todos os obstáculos impostos à participação acadêmica. Há, por consequência, o apagamento das formulações, leituras, estratégias e percepções dessas mulheres. Nesse sentido, Kilomba (2019, p. 50) reforça que “[...] o centro acadêmico não é um local neutro.”, uma vez que funcionaria como um repositório de privilégios, colocando mulheres negras a sua margem. Collins (2019, p. 131) disserta ainda sobre as condições de “isolamento e obscuridade” em que muitas intelectuais afro-americanas trabalharam, sem reconhecimento. Chandra Mohanty (1991) nos alertou ainda para as práticas acadêmicas de colonização discursiva na América Latina, cuja universalização de epistemologias - no seu estudo sobretudo as feministas coloniais - tendem a impulsionar, como uma produção monolítica dos assuntos estudados. Na visão da autora, o privilégio epistêmico existe no sentido de admitir uma escala de participação baseada no acesso histórico e injusto de uns em detrimento de outros. Nesse cenário em que mulheres são a ponta expoente da subjugação, o encolhimento durante a pandemia é um resultado do círculo de exclusões materiais e de oportunidade que marcam a existência das mulheres, sobretudo aquelas que carregam as intersecções das formas de opressões como as negras, índias, periféricas, LGBTQI+ e transexuais. Afinal, como já nos instigou Spivak (2010) – ao questionar a legitimidade de ocupação do discurso apenas pelos sujeitos dominantes – pode o subalterno falar? Lembremos que para a autora, o subalterno é quem pertence “[...] às camadas mais baixas da sociedade constituídas pelos modos específicos de exclusão dos mercados, da representação política e legal, e da possibilidade de se tornarem membros plenos no estrato social dominante” (SPIVAK, 2010, p. 12). Considerando que a estruturação do conhecimento foi sistematicamente pensada para a exclusão feminina, tal qual o espaço público – pois o conhecimento é poder e como já sabemos, dar poder às mulheres é um perigo na sociedade patriarcal – parece razoável perceber as mulheres como subalternas. Nessa perspectiva, poderiam, então, as mulheres produzir academicamente no período de pandemia? Os números respondem um sonoro e contínuo não! Na busca pelas justificativas tropeçamos na representação ideológica da cultura patriarcal, com as já conhecidas amarras que por meios diversos priva mulheres de uma participação social ativa, universaliza os sujeitos sociais a partir de perspectivas discriminatórias e marginaliza a produção intelectual daqueles que estão fora do circuito de dominação. Como sustenta Tiburi (2019, p. 59) “[...] qualquer sistema de privilégios é feito para que uns usufruam deles enquanto outros devem trabalhar para que o sistema seja mantido”. Nessa perspectiva, sobra às mulheres, por imposição, manter o sistema através dos estereótipos do cuidado – como norte universal – edificado em bases opostas à parentalidade revolucionária sugerida por Hooks (2019, p. 209), em que haveria uma divisão equitativa das necessidades de cuidado com os filhos. Ou mesmo, uma divisão familiar equitativa do cuidado de forma mais abrangente, levando em consideração que essa tarefa é imposta responsabilizando as mulheres pelo cuidado para além da sua prole. De todo modo, não apenas o cuidado figura nessa perspectiva de encolhimento da participação feminina, a legitimidade, o questionamento da capacidade, do pertencimento e a validação do conhecimento também funcionam como instrumentos de controle dos espaços públicos, proporcionando sempre aos mesmos atores o protagonismo em disputa, marcando assim, relações desiguais de poder. O campo acadêmico reflete, então, a incapacidade social de se pluralizar as elaborações científicas, pois centraliza a sua construção por meio do reflexo social desigual vivido na sociedade, muito embora, seja papel desse meio específico repensar essa estruturação e promover as críticas necessárias para a sua desconstrução. Não soa como novidade, portanto, o fato de termos sido achatadas enquanto curva produtiva, tal qual a curva de desenvolvimento da epidemia deveria ter sido, através do isolamento. Porém, na nossa realidade, a única curva que realmente cedeu foi a da nossa produção formal. Informalmente permanecemos aqui, produzindo para o mundo capitalista através do trabalho doméstico não valorizado, através da lógica do cuidado e de toda a alimentação ao sistema dos privilégios, do qual não fazemos parte de diferentes formas e o qual sustentamos sem reconhecimento. A participação política/pública das mulheres nunca foi pequena, mas sempre foi encolhida por apagamentos estratégicos que perpassam pelo campo acadêmico, cujo desenvolvimento não tem lugar de acolhimento para mulheres em sua pluralidade, como as mães, negras, índias, LGBTGI+, transexuais e periféricas. REFERÊNCIAS CANDIDO, Marcia Rangel; CAMPOS, Luiz Augusto. Pandemia reduz submissões de artigos acadêmicos assinados por mulheres. Portal Geledés, São Paulo, 16 de mai. 2020. Disponível em: < https://www.geledes.org.br/pandemia-reduz-submissoes-de-artigos-academicos-assinados-por-mulheres/>. Acesso em 19 de mai. 2020. COLLINS, Patricia Hills. Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo, 2019. FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Elefante, 2017. GARCIA, Janaina. Produção científica de mulheres despenca na pandemia – de homens bem menos. Portal Uol, São Paulo, 26 de mai, 2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/05/26/pandemia-pode-acentuar-disparidade-entre-homens-e-mulheres-na-ciencia.htm. Acesso em 21 dez. 2020. HOOKS, Bell. Teoria feminista: da margem ao centro. São Paulo: Perspectiva, 2019. KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: memórias de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Editora Cobogó, 2019. MOHANTY, Chandra Talpade. Under western eyes: feminist scholarship and colonial discourse. IN: MOHANTY, Chandra Talpade; RUSSO, Ann; TORRES, Lourdes (Eds.). Third World women and politics of feminism. Indiana: Indiana University Press, 1991. PARENT IN SCIENCE. Produtividade acadêmica durante a pandemia: efeitos de gênero, raça e parentalidade. Disponível em: https://327b604e-5cf4-492b-910b-e35e2bc67511.filesusr.com/ugd/0b341b_81cd8390d0f94bfd8fcd17ee6f29bc0e.pdf?index=true. Acesso em 22 dez. 2020. SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar?. Trad. Sandra Regina Goulart Almeida; Marcos Pereira Feitosa; André Pereira. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2010. TIBURI, Marcia. Feminismo em comum: para todas, todes e todos. 10 ed. Rio de Janeiro: Rosa dos tempos, 2019.












