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  • Mulheres que leem Mulheres: Isabela Pinho lê Katia Muricy

    Dando continuidade ao projeto "Mulheres que leem Mulheres", uma parceria da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas com o Laboratório Filosofias do Tempo do Agora(Lafita/UFRJ) , publicamos hoje nosso segundo vídeo no canal do Youtube da Rede. A cada 15 dias, sempre aos sábados, pesquisadoras brasileiras apresentarão filósofas com o objetivo de ampliar a visibilidade do trabalho de mulheres na filosofia. No segundo video da série, a pesquisadora Isabela Pinho( UFRJ) apresenta a filósofa brasileira Katia Muricy. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JsUAX7esR1E

  • Construção do gênero em Freud e Butler: entre bissexualidade originária e identidade de gênero

    PETRA BASTONE (UFRJ) petra.bastone@hotmail.com Lattes: http://lattes.cnpq.br/0464150571138825 Tese de doutorado Data Prevista de defesa: 05/08/2024 O caminho de Freud, no que concerne ao psiquismo feminino, foi árduo e repleto de incertezas. Muitas foram as hipóteses freudianas sobre a sexualidade feminina, a formação da feminilidade e a passagem da menina pelo complexo de Édipo. Ele afirma que a anatomia é o destino e, ao mesmo tempo, que ninguém é inteiramente feminino ou masculino. Como se dão os processos de identificação na teoria freudiana? Como as disposições femininas e masculinas influenciam na consolidação do gênero? Quais os possíveis destinos para uma mulher na medida em que ela recusa sua feminilidade? E para um homem quando recusa sua masculinidade? Para tentar uma conversa entre psicanálise e teoria queer, introduzirei o estudo de Problemas de gênero. Feminismo e Subversão da Identidade (2017), originalmente publicado em 1990, principal obra da autora americana Judith Butler. Com a análise da obra, irei expor, além da crítica que a autora reserva à psicanálise, o que é e como se dá a construção do gênero no indivíduo para, então, tratar da construção do feminino em ambas as teorias. Na seção denominada "Freud e a melancolia de gênero", da obra mencionada, Judith Butler expõe as identificações que ocorrem mediante a perda de um objeto amado na melancolia. Com isso, a autora afirma que não é apenas o caráter do indivíduo que está sendo construído por meio de tais identificações, mas também a aquisição de uma identidade de gênero. Segundo Butler, apreendemos melhor a ideia da construção da identidade de gênero se tivermos em vista que o tabu do incesto é a primeira perda que o ser humano vive. Além disso, é também a primeira identificação com o objeto perdido pela qual o indivíduo passa. Nesse caso, ele internaliza o objeto do tabu. Em uma relação heterossexual, o curso “positivo” do Édipo é que a menina se identifique com a mãe e o menino com o pai. Para Butler, o problema reside no fato de que, quando Freud postula a bissexualidade primária, ele admite que existem desejo e identificações com ambos os sexos. Porém, não é isso que ocorre. Para o menino, deve haver duas escolhas: entre os objetos e entre as duas predisposições sexuais, femininas e masculinas. Se o menino escolhe a predisposição feminina, ele estaria assumindo uma conduta passiva e bastante repudiada. A feminilidade na obra freudiana é, por diversas vezes, um objeto de repulsa. Seria o pai, por isso, no caso do menino, punitivo ou objeto de desejo? É pelo repúdio à mãe que Freud assegura se instaurar a consolidação de gênero na criança. Ao renunciar à mãe como objeto de amor, o menino a internaliza em si através de traços de identificação. Com isso, juntamente com a disposição heterossexual, ele estabelece também disposições femininas. Mas, no interior da teoria freudiana, qual é a origem das predisposições femininas e masculinas? Quais seriam as consequências das identificações ocorridas? Seria a bissexualidade, na verdade, uma série de internalizações das perdas de objetos de amor? Acaso haveria, no interior da obra freudiana, possíveis encaminhamentos para tais questionamentos? Para Freud, o processo de construção da mulher é um caminho de descobertas, rejeições e opressões. A mulher, tão logo descobre que não possui um pênis, descobre também sua inferioridade, é condenada a viver uma inveja do órgão masculino que pode, como consequência, levá-la a rejeitar sua feminilidade. No que concerne ao seu prazer, a mulher deve abandonar o prazer clitoridiano para que possa dar lugar à vagina (órgão que é responsável pelo prazer feminino e pela reprodução). A teoria freudiana é influenciada por uma matriz heterossexual do desejo, como afirma Butler. Interessa-me investigar como se dá a aquisição de gênero no interior da obra de Freud e analisar a crítica que a autora endereça à psicanálise. Se, para Freud (1924), “a anatomia é o destino”, acaso seria possível, a partir de seu próprio pensamento, pensar a identidade de gênero de um modo tal que ela não se enraíze na anatomia do indivíduo? BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução: Nuno Quincas. Lisboa: Orfeu Negro, 2017. FREUD, Sigmund. "A dissolução do complexo de Édipo". (J. Salomão, Trad.). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas (Vol. XIX, pp. 215-226). Rio de Janeiro: Imago, 1974 (Originalmente publicado em 1924) A coluna Em curso divulga as pesquisas de pós-graduandas na filosofia para contribuir para a visibilidade das pesquisas de filósofas no Brasil. Quer publicar a sua pesquisa? Basta preencher o formulário. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #emcursofilósofas #filosofasbrasil #temadatese #mulhreresnapesquisaemcurso #autora

  • Perspectivas Feministas em História da Filosofia

    O Laboratório de Filosofia Francesa Contemporânea da Unifesp convida a todos para a live de estréia do seu canal no Youtube, amanhã, 27/08, às 20 horas, com o tema "Perspectiva feminista em história da filosofia" tendo como convidada a Profa. Dra. Izilda Johanson. Izilda Johanson é professora de Filosofia Contemporânea no Departamento e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, feminista, membro da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas (filosofas.org) com estudos e publicações dedicados ao tema e a abordagens de perspectiva feminista em filosofia e história da filosofia. A mediação será feita pela Profa. Eloísa Benvenutti. Doutora em Filosofia pela Unifesp. Professora da Faculdade Cásper Líbero. Pesquisadora do Laboratório de Filosofia Francesa Contemporânea da Unifesp.

  • AS PENSADORAS – 2ª EDIÇÃO

    APRESENTAÇÃO DO CURSO Para a segunda edição do curso As Pensadoras, escolhemos algumas intelectuais dos séculos XIX e XX que trazem, no centro de suas reflexões, o conceito de liberdade. Com discussões pautadas na Filosofia, História, Teoria Política e Educação, essas pensadoras contribuíram para o aprofundamento de questões políticas, éticas e educacionais em meio à luta pela igualdade de gênero. De uma maneira geral, o curso também pretende discutir qual o papel preponderante das ideologias feministas desse período, o que pontuaram e de como os feminismos se colocam como questão, ou questões para se construir.  Também pretende-se  discutir os  pressupostos teóricos dos pensamentos das autoras dentro de sua realidade social e quais os principais pontos em que avançaram, considerando o seu tempo histórico. Coordenação: Dra. Rita Machado (UEA) Mediação: Dra. Rita Machado (UEA)/Carla Ávila (UCPel) Corpo Docente: Dra. Loiane Prado Verbicaro (UFPA); Dra. Cecília Pires (GT Et/Cid ANPOF);Dra. Rita Machado (UEA) ;  Dra. Alice de Carvalho Lino Lecci (UFR) e Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ); Ma. Beatrís da Silva Seus ( UFPEL). Início: 15 de Setembro TURMA 1; 17 de Setembro TURMA 2; 19 de Setembro TURMA 3. Datas e horários: TURMA 1* - Terças-feiras: das 18h30min às 20h30min. TURMA 2** - Quintas-feiras: das 8h30min às 10h30min. TURMA 3*** - Sábados: das 16h30min às 18h30min. Aulas com 2h de duração, podendo exceder 15 minutos; Intervalo de 15 min, se a professora desejar. Nível : básico, intermediário. Inscrição PELO FORMULÁRIO (PREENCHER): https://forms.gle/jrH3vpH1hATcWyz29 (ao final do preenchimento solicitar enviar uma cópia do formulário para seu e-mail clicando em: enviar uma cópia para meu e-mail). Informações pelo e-mail: pensadoras.online@gmail.com Realização: Escola As Pensadoras Plataforma: Google Meets. Recomenda-se usar um e-mail do Gmail para acompanhar as aulas. Certificação: 20 horas, pela AS PENSADORAS - em 30 dias após o término do curso. CRONOGRAMAS TURMA 1* Terças feiras das 18h30min às 20h30. 15/09 - Aula Inaugural - Neoliberalismo e a política antidemocrática no Ocidente a partir do pensamento de Wendy Brown - Dra. Loiane Prado Verbicaro (UFPA)/ Dra.Rita de Cássia Fraga Machado (UEA); 22/09 - Aula 1 - Hannah Arendt - Dra. Cecília Pires (GT Ética e Política da ANPOF); 29/09 - Aula 2 - Simone de Beauvoir – Ma. Beatrís da Silva Seus ( UFPEL) 06/10 - Aula 3 - Nísia Floresta -Dra. Rita Machado (UEA) 13/10 - Aula 4 – Angela Davis - Dra. Alice de Carvalho Lino Lecci (UFR) 20/10 - Aula 5 - Maria Lugones - Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ) TURMA 2** Quintas-feiras das 8h30mim às 10h30. 17/09 - Aula Inaugural - Neoliberalismo e a política antidemocrática no Ocidente a partir do pensamento de Wendy Brown - Dra. Loiane Prado Verbicaro (UFPA)/ Dra. Rita de Cássia Fraga Machado (UEA); 24/09 - Aula 1 - Hannah Arendt - Dra. Cecília Pires (GT Ética e Política da ANPOF); 01/10 - Aula 2 -  Simone de Beauvoir – Ma. Beatrís da Silva Seus ( UFPEL) 08/10 - Aula 3 - Nísia Floresta - Dra. Rita Machado (UEA); 15/10 - Aula 4 - Angela Davis - Dra. Alice de Carvalho Lino Lecci (UFR) 22/10 - Aula 5 – Maria Lugones - Viviane Bagiotto Botton (UERJ) TURMA 3*** Sábados - 16h30min às 18h30min 19/09 - Aula Inaugural - Neoliberalismo e a política antidemocrática no Ocidente a partir do pensamento de Wendy Brown - Dra. Loiane Prado Verbicaro (UFPA)/ Dra. Rita de Cássia Fraga Machado (UEA); 26/09 - Aula 1 - Hannah Arendt - Dra. Cecília Pires (GT Ética e Política da ANPOF); 03/10 - Aula 2 -  Simone de Beauvoir – Ma. Beatrís da Silva Seus ( UFPEL) 10/10 - Aula 3 - Nísia Floresta -Dra. Rita Machado (UEA); 17/10 - Aula 4 - Angela Davis - Dra. Alice de Carvalho Lino Lecci (UFR) 24/10 - Aula 5 – Maria Lugones - Viviane Bagiotto Botton (UERJ) PLANOS DE AULAS SERÃO ENVIADOS NA HOMOLOGAÇÃO DA INSCRIÇÃO. REFERÊNCIAS ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Trad. Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1981. ______. Crises da República. Trad. José Wolkmann. São Paulo: Perspectiva, 2006 ______. Sobre a Violência. Trad. André Macedo Duarte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. BEAUVOIR, Simone. Por uma moral da ambiguidade seguido de Pirro e Cinéias. Tradução de Marcelo Jacques de Moraes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. _______. Moral da ambiguidade. Tradução de Anamaria de Vasconcellos. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1970. _______. O segundo sexo. Tradução de Sérgio Milliet. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. SEUS, Beatrís. Simone de Beauvoir e a libertação da mulher: do existencialismo sartriano à moral da ambiguidade. Porto Alegre: Editora Fi, 2019. SILVÉRIO DE ALMEIDA, Cleide Rita y, DAL MAS DIAS, Elaine Teresinha (2009). «Nísia Floresta: O Conhecimento Como Fonte de Emancipação e a Formação da Cidadania Feminina» (PDF). Revista Historia de la Educación Pinheiro Dias, Luma (2017). «Nísia Floresta e a escrita em defesa da educação feminina nos oitocentos» (PDF). Universidade Federal do Piauí. Consultado em 14 de novembro de 2018 DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo Editorial, 2016. _________. Mulheres, cultura e política. São Paulo: Boitempo Editorial, 2017. _________. A liberdade é uma luta constante. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018. LUGONES, Maria, “Colonialidad y Género”, In: Tábula Rasa. Bogotá - Colombia, No.9: 73-101, julio-diciembre 2008/ http://www.scielo.org.co/pdf/tara/n9/n9a06.pdf ______ Pilgrimages/Peregrinajes: Theorizing Coalitions Against Multiple Oppressions. Lanham, Rowman & Littlefield, 2003 ______ “Colonialidad y gênero, hacia un feminismo decolonial” In: Género y descolonialidad /Walter Mignolo ... [et.al.]- 2a ed. - Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Del Signo, 2014. QUEM SOMOS: DRA. LOIANE PRADO VERBICARO (UFPA) É professora da Faculdade de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Pará - UFPA. Doutora em Filosofia do Direito pela Universidade de Salamanca - USAL (2014). Mestra em Direitos Fundamentais e Relações Sociais pela Universidade Federal do Pará - UFPA (2006), com período de estudo na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP. Mestra em Ciência Política pela Universidade Federal do Pará - UFPA (2011). Graduada em Direito pela Universidade Federal do Pará - suma cum laude - UFPA (2004). Graduada em Filosofia (Bacharelado) pela Universidade Federal do Pará - UFPA (2019). Membro da Comissão Assessora da Área do Direito (ENADE), no triênio 2018-2020. Diretora Regional Norte da Associação Brasileira de Ensino Jurídico - ABEDI, no triênio 2018-2020. Avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES. Foi Coordenadora do Curso de Direito, Professora do Programa de Mestrado e da Graduação em Direito do Centro Universitário do Pará - CESUPA. Integrante da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Integrante do GT Filosofia e Gênero da ANPOF. Líder do Grupo de Pesquisa - CNPq: Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito. Autora do livro "Judicialização da Política, Ativismo e Discricionariedade Judicial". Tem experiência na área de Filosofia, Direito e Ciência Política, com ênfase em Filosofia Política, Ética, Filosofia do Direito, Direitos Humanos. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4100200759767576 DRA. CECÍLIA PIRES (GT ET/CID ANPOF) Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (1969), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (1975), na área de Filosofia Contemporânea e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1988), na área de Filosofia Social. Foi Professora na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Membro do GT/ANPOF Ética e Cidadania. Realizou estágio de pós-doutorado, na área de Filosofia Política em Paris I - Sorbonne (2000-2001). Atuou como Professora Titular na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), de 1996 a 2012, realizando pesquisa na área de Filosofia Política com ênfase em Ética, no eixo dos temas poder e subjetividade. Atualmente, presta consultoria na área de Filosofia Política e Ética. Foi Professora e Pesquisadora na área de Filosofia Política no Programa de Pós-Graduação em Direito, na Escola de Direito da Faculdade Meridional (IMED-Passo Fundo), de abril de 2013 a julho de 2017. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8006360058565136 DRA. ALICE DE CARVALHO LINO LECCI (UFR) Atualmente, é Professora Adjunta no Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Rondonópolis; Doutora em Estética Contemporânea (2015) pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade de São Paulo; Mestre em Estética e Filosofia da Arte (2008) pelo Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, Bacharel e Licenciada em Filosofia (2006) pela Universidade Federal de Ouro Preto. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6166938001473226 Dra. VIVIANE BAGIOTTO BOTTON (UERJ) É pesquisadora de pós-doutorado em filosofia na UERJ onde desenvolve uma pesquisa sobre o diagnóstico da Histeria no Brasil da perspectiva das relações entre loucura, mulheres e ciências médicas nacionais. Defendeu o doutorado na UNAM- Universidade Nacional Autónoma do México, no fina de 2015, tendo também realizado um intercâmbio com a Universidade ParisXII e Paris I por 1 ano. Neste trabalho estudou a questão do Corpo e da Subjetividade no pensamento de Michel Foucault e disso passou a dedicar-se aos estudos sobre gênero e poder, primeiramente pelas questões decorrentes da tese, mas também pela experiência e proximidade com as escritoras latino-americanas e em especial a mexicana e a chicana. Isto convergiu com a entrada ao grupo Anamorfoses de filosofia latinoamericana e decolonial que passou a integrar quando foi professora substituta na PUC-SP em 2016 e 2017. Viviane também é integrante do grupo de estudos Michel Foucault da PUC-SP; do laboratório "filosofias do tempo do agora" (UFRJ); e é uma das fundadoras e coordenadora do núcleo de estudos sobre histeria, (parceiro do PPGF/UFRJ) e que se associa a sua atual pesquisa. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6607821831919427 Doutoranda. BEATRÍS DA SILVA SEUS (UFPel) Beatris Seus é formada em Filosofia - Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas (2016), sendo também Mestre em Filosofia Moral e Polítca, no qual foi bolsista CAPES, na mesma instituição (2017). Atualmente cursa Doutorado na UFPel, defendendo a Tese intitulada "Simone de Beauvoir e a superação do Niilismo: Fundamentação de um Princípio Moral Universalizável". Seus estudos concentram-se na Filosofia Moderna e Contemporânea, com ênfase em Ética, Ontologia, Fenomenologia e Existencialismo; estendendo-se à pesquisa sobre a filosofia kantiana, schopenhaueriana e nietzschiana. Professora Formadora junto ao Curso de Licenciatura em Filosofia a Distância da UFPel no âmbito da Universidade Aberta do Brasil (UAB), e Professora de Filosofia e Sociologia no centro educacional presencial e EaD Uni Colégio. Autora da obra "Simone de Beauvoir e a libertação da mulher: do existencialismo sartriano à moral da ambiguidade", fruto de sua dissertação de mestrado. LINK DO LATTES: http://lattes.cnpq.br/8373603127275109 ___________________________ Coordenação: Dra. Rita de cássia Fraga Machado (UEA) Professora Adjunta na Universidade do Estado do Amazonas - UEA. Pós-Doutora pelo Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Bolsista PNPD/CAPES. Doutora em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS na linha de pesquisa Trabalho, Movimentos Sociais e Educação. Foi professora substituta entre 2010-2012. Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Especialista em Metodologia do Ensino de Filosofia pela UNISINOS. É licenciada e Bacharel em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos- UNISINOS. Representante na área de ciência humanas e sociais da Câmaras de Assessoramento Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas-FAPEAM. Líder do Grupo de Pesquisa_CNPq- Feminismo, Trabalho e Participação Popular e Comunitária. Seus interesses de pesquisa atualmente compreende as problemáticas de Mulheres como: Trabalho, Movimentos Sociais Populares, Feminismos e Epistemologia Feminista. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8882999172098781 *Essa ementa é de propriedade intelectual d'As Pensadoras.

  • Nancy Fraser por Yara Frateschi: As Pensadoras agora em nosso canal

    Yara Frateschi apresenta as principais ideias do pensamento de Nancy Fraser, tratando de questões sobre o capitalismo neoliberal, a reprodução social, a desigualdade interseccional e o feminismo para os 99%. Esse vídeo integra a primeira série do projeto As Pensadoras, coordenado por Rita Machado (UEA), que tem por objetivo divulgar a contribuição da obra de mulheres para a história do pensamento e para os feminismos. Veja o programa de curso e a bibliografia em https://www.filosofas.org/post/copy-of-curso-on-line-as-pensadoras-abertas-inscrições-turma-3 YARA FRATESCHI é Professora Livre Docente de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Campinas desde 2004. Possui graduação (1997), mestrado (1999), doutorado (2003) e pós-doutorado (2004) em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Bolsista de Produtividade em Pesquisa nivel IB do CNPq. Pesquisadora visitante na Columbia University (2000), na ENS de Paris (2006) e na Yale University (2015). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente em temas vinculados à relação entre Ética e Política, Filosofia Politica e Teoria Crítica. Co-editora do Blog Mulheres na Filosofia e editora em exercício dos Cadernos de Filosofia alemã: crítica e modernidade.Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4137746P6 #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasbrasil #filosofasorg #yarafrateschi #nancyfraser #aspensadoras

  • A Floresta queima, as Mulheres queiman: ecocidio e feminicidio possuem a mesma natureza.

    Por Rita de Cássia Fraga Machado Professora de Filosofia e Ecofeminista. Universidade do Estado do Amazonas - rmachado@uea.edu.br Texto Originalmente Publicad em: https://amazoniareal.com.br/a-floresta-queima-as-mulheres-queimam-ecocidio-e-feminicidio-possuem-a-mesma-natureza/ Reprodução de direito da autora, em 21/08. A mais de dois ano uma professora, na cidade de Tefé, foi queimada viva, não se surpreendam, o feminicidio foi cometido pelo se ex marido que até hoje não foi condenado. Deste então, observo como esses crimes de colocar fogo em mulheres virou corriqueiro em casos de violência contra mulheres, aqui não vou me deter a listar esses crimes, minha intenção é refletir como que parece normal ver a Floresta queimar sem qualquer incomodação profunda. A professora, assim como a floresta, os rios, os lagos, o ar sofrem genocídios e parece não acontecer nada, aliás, acontece, a flexibilização nas leis que deveriam proteger esses desastres, por sim, são desastres, são genocídios. Essa foi a definição da procuradora da República em Altamira Thais Santi em relação aos crimes de Altamira/PA. Em tempo, acordamos com a notícia, nada nova para nós mulheres de que uma menina de 10 anos teria assassinado um bebê, ou seja, insanidade não explica para ouvir esses absurdos. Realmente o Brasil morreu, como afirma a colega e companheira Marlise Mato. O Brasil morreu! A Floresta queima, as mulheres queimam perifericamente. Os criminosos que colocam fogo somem diante das tragédias que provocam afinal quem se interessa por esses territórios: mulheres, índios, povos tradicionais, sim, são esses que se interessam em manter a vida, a vida humana, e esses povos, incluindo as mulheres estão nas periferias das grandes cidades. Nossos corpos são tratados como periferia, e, portanto violentados, maltratados e hostilizados como a periferia, pois se imagina que tudo de ruim existe por lá. Imaginação estúpida e ignóbil. Em recente artigo Eliane Brum chamou a atenção para isso, para o periférico dos territórios devastados. “Essa é a angústia de quem luta pelo meio ambiente nesse centro do mundo que é tratado como periferia” e depois a jornalista completa “E, em seguida, esquecida”. Lígia, Mariana, Brumadinho, Altamira, todos periferia, todos explorados e massificados até a morte. A permanência do patriarcado como estruturante das relações sociais de gênero permite que o corpo das mulheres, historicamente, pertença aos homens e ao Estado. Em sociedades patriarcais, como a nossa, a autonomia sobre nossos corpos ainda é uma luta central dos movimentos feministas. Aqui se agrega a luta ecológica, lutar pelas liberdades dos nossos corpos está condicionado, nas mulheres da floresta, à luta pela liberdade da natureza. Não me entendam mal, pois o que estou propondo como reflexão não é nenhuma ideia essencialista entre mulher e natureza, não é. A proposição é para que possamos pensar como enfrentar questões como essas e que estão atuais e emergentes ao pensamento-ético brasileiro. Rita Segato, ao questionar o que é o corpo da mulher, se pergunta: “Quem o declara nesse lugar? Quem assim o titula? São seus pares, os outros homens que o intitulam no “clube”. Eles possuem uma estrutura de clube, de confraria, de irmandade, de máfia. Enfim, essa é a estrutura da masculidade, e segue [...] é sobre o corpo feminino que ele vai mostrar, exibir que é portador de potência. Há uma afinidade direta do corpo feminino com a visão que temos de território” (Segato, 2010, p. 52). Há uma relação direta entre o corpo da mulher, a natureza e o patriarcado e é por intermédio da exploração e do uso da força cruel que ele, o homem, mostra a sua conquista. Segato assim como outras tantas pensadoras nos ajudam a pensar e o agir no presente. Afinal, o que está acontecendo com a vida, com a nossa vida? Precisamos mesmo comer tanto agrotóxico, matar um rio inteiro e toda a biodiversidade que existia lá, é preciso queimar a floresta? Digam-me, por quê necessidade de tanta crueldade e terror com a floresta e com as mulheres? Escrevam para mim, quero compartilhar essa dor. ...às mulheres, aos rios, ao ar, a nossa casa comum. Tefé, Amazonas, em 13 de setembro de 2019. (Original) São Leopoldo, 21 de Agosto de 2020, revisitado.

  • Conversas Feministas 2020.2

    Na próxima semana retornaremos ao nosso Conversas Feministas e aproveitamos para divulgar o calendário do 2º semestre. No próximo encontro (25/08) conversaremos com a Profa. Fernanda Tarabal da UFRGS sobre Pesquisa em História de Vida, das 15h às 17h. A mediação dessa conversa será feita pela pesquisadora e professora Caroline Marim, coordenadora de nosso Grupo Epistemologias Afetivas Feministas. Para participar do Conversas nos envie um email manifestando o interesse em participar do próximo encontro que retornaremos com as instruções de acesso. Quem perdeu os últimos Conversas Feministas, disponibilizamos no nosso canal do youtube os dois últimos encontros: https://www.youtube.com/channel/UC8MEm5OJPJyxrCkcddm0WYg

  • CHAMADA DE ARTIGOS - REVISTA BRASILEIRA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO

    Aberta a chamada para submissões para o Dossiê "Mulheres, Pensamento e Religião" Os artigos devem ser relacionados aos seguintes temas: Mulheres, Religião e Filosofia; Mulheres, Religião e Arte; Mulheres, Religião e Ciência; Mística Feminina; Mulheres e Religião na História; Santidade e Pecado; SUBMISSÕES ATÉ 31/10/2020 Desde já agradecemos a atenção e colaboração de todos, lembrando que é necessário seguir as Diretrizes para Autores , e que as submissões devem ser realizadas em: http://periodicos.unb.br/index.php/rbfr/about/submissions Acrescentamos que a Revista continua aceitando artigos de temática geral em fluxo contínuo, bem como resenhas, traduções e entrevistas.

  • LIVE: Jovens Filósofas em Diálogo no canal @labfilgm

    Evento online "Jovens Filósofas em Diálogo" (26, 27, 28 de agosto - das 19:00h. às 21:00h.). Transmissão ao vivo no Instagram @labfilgm. Inscrições gratuitas para Certificado no link: www.even3.com.br/geimf2020 Promoção e Realização: Grupo de Estudos Independente Mulheres e Filosofia (GEIMF) Laboratório de Filosofia Política e Moral Gerardo Marotta (LabFilGM - UNIRIO/CNPq) Faculdade de Filosofia - UNIRIO

  • Redistribuição e Reconhecimento: lutas de fronteiras, mulheres e violência em tempos de pandemia

    Fádia Yasmin Costa Mauro Doutoranda em Direitos Humanos de Grupos Vulneráveis pelo PPGD/UFPA. Integrante do Grupo de Pesquisa Filosofia Prática (CNPq): Investigações em Política, Ética e Direito do PPGFIL/UFPA, na linha "Gênero e Teoria Crítica". Advogada e Vice-Presidente da Comissão de Proteção aos Direitos da Pessoa Com Deficiência da OAB/PA. Loiane Prado Verbicaro Professora da Faculdade de Filosofia e do Programa de Mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq): Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito (UFPA). Editora-chefe da Revista Apoena (UFPA). A pandemia tem reforçado a urgência de mudanças estruturais no país, assim como a imprescindibilidade do amparo humanitário, da solidariedade, da necessidade de assistência universal à saúde, com o fortalecimento da arquitetura de saúde pública, da defesa das universidades públicas, dos investimentos em pesquisa e confiança na ciência, da construção de uma rede de proteção social, do resgate aos valores democráticos e da implementação de uma agenda igualitária que contemple demandas de redistribuição e reconhecimento. Sem dúvida que as mulheres estão no grupo dos mais vulneráveis e afetados pela pandemia do Coronavírus. É inclusive o que afirma a Organização das Nações Unidas (2020, online) ao advertir para os números alarmantes de aumento da violência doméstica neste período, dispondo que “a combinação de tensões econômicas e sociais provocadas pela pandemia, bem como restrições ao movimento, aumentaram dramaticamente o número de mulheres e meninas que enfrentam abusos, em quase todos os países”. Para refletir sobre o agravamento da situação dos grupos vulneráveis e, em especial, a condição da mulher, consideramos oportuna a discussão do pensamento da filósofa Nancy Fraser[1] que, na sua concepção de justiça, entende a necessidade de contemplar a redistribuição e o reconhecimento sem reducionismos unívocos. Segundo a autora, (2006, p. 231) “Isso significa, em parte, pensar em como conceituar reconhecimento cultural e igualdade social de forma a que sustentem um ao outro, ao invés de se aniquilarem”. Trata-se de uma oposição ao que a autora convém chamar de “falsas antíteses”, explicando a ideia segundo a qual, injustiças devem ser compreendidas de forma interligada, e não antitética ou abstratamente pensada. Fraser entende que injustiças simbólicas (de status) não podem – nem devem – ser entendidas ou reduzidas a meros desdobramentos das injustiças que se concretizam por meio da divisão de classes, ou vice-versa (FRASER, 2012, p. 414). Assim, compreende que injustiças devem ser analisadas mutuamente a partir de dois prismas: o econômico e cultural. A injustiça econômica está diretamente relacionada à estrutura econômico-política da sociedade, à exploração do trabalho humano, marginalização, conflitos de classe que necessitam de novos modelos de redistribuição econômica e política. O segundo aspecto para compreensão da injustiça é o cultural ou simbólico, estando diretamente relacionado à padrões sociais de representação, interpretação e comunicação, a exemplo da dominação cultural, além da insivibilização ou ocultamento, como no caso de mulheres. (FRASER, 2006). Assim, longe de ocuparem esferas apartadas, injustiça econômica e injustiça cultural normalmente estão imbricadas, dialeticamente, reforçando-se mutuamente e os dilemas sociais e respostas a esses dilemas entrelaçados, só podem ser formuladas compreendendo-se sua relação de retroalimentação e também de necessidade de combate simultâneo destas. Em Capitalismo em Debate (2020), Fraser retoma esta discussão centralizando o capitalismo muito além de um sistema econômico, justificando-o como uma verdadeira “ordem social institucionalizada”, que abriga múltiplas tendências de crises, para além das identificadas por Marx em “O Capital”, centradas nas lutas de classes. A visão de Fraser de capitalismo enquanto ordem social institucionalizada enriquece a ideia de luta social como pensada pelo marxismo. Para além do espectro econômico das lutas de classes, Fraser amplia-as para as chamadas lutas de fronteiras que revelam outros eixos de dominação que não os de classe, à exemplo da produção e reprodução de gênero. Isso porque no sistema capitalista existem divisões de primeiro plano e planos de fundo, e essas formas de dominação se configuram enquanto tão reais e arraigadas na sociedade quanto àquelas relacionadas às lutas de classe. Essa concepção também expõe a insuficiência da luta centrada no conflito trabalho x capital, que se reduz ao trabalho assalariado, ao “lugar da produção”. Essa visão exclui lutas em torno do trabalho não assalariado e expropriado, à exemplo das mulheres que, confinadas ao trabalho reprodutivo, não são consideradas como trabalhadoras. Suas lutas acontecem às margens dos pontos de produção e são moldadas por eixos de dominação, como gênero e raça. Nestes termos, é preciso uma compreensão alargada de lutas de classes. Segundo Fraser, as “lutas de fronteira” não emergem de dentro da “economia, mas em pontos em que a produção encontra a reprodução, a econômica encontra a política e a sociedade humana encontra a natureza não humana” (FRASER, 2020, p. 187). Tais fronteiras constituem os lugares e, ao mesmo tempo, os temas das lutas, objetos de contestação, estando, portanto, sustentadas no próprio desenvolvimento da sociedade capitalista, de modo que não é possível identificá-las como secundárias ou, ainda, superestruturais. Para Fraser (2006), a correção para a injustiça econômica depende de uma necessária reestruturação político-econômica, envolvendo a redistribuição de renda ou ainda uma reestruturação da divisão do trabalho, compreendida nesta, por exemplo, a divisão sexual de trabalho e o trabalho não remunerado de mulheres, como parte de uma nova instituição social que repense as formas de trabalho. A isso, Fraser denomina “redistribuição”. Por sua vez, para o enfrentamento da injustiça cultural, é necessário repensarmos em uma mudança estrutural normativa e valorativa da sociedade, na qual sejam apreciadas as identidades de grupos vulnerabilizados a partir de uma transformação dos padrões sociais representativos, de interpretação e comunicação desses sujeitos. A essa compreensão, Fraser denomina “reconhecimento”. O gênero então, a partir de todos esses pressupostos, precisa ser vislumbrado enquanto um paradigma de “coletividade bivalente” no interior das lutas de fronteira, isso porque abarca dimensões tanto de injustiças econômicas (lutas de classe), quanto de injustiças cultural-valorativas e de status. Redistribuição e reconhecimento, portanto, precisam estar fundamentalmente entrelaçados na ótica de uma resolução das injustiças. Sob esse aspecto, segundo Fraser (2006), a injustiça de gênero parte de uma premissa que reivindica compensações redistributivas para eliminação de estruturas de poder nas quais mulheres são subjugadas por sua força de trabalho. Como o gênero não é somente uma categoria de diferenciação econômico-política, mas também de valoração cultural, Fraser também o enquadra na categoria do reconhecimento, exigindo uma reconstrução do privilégio da masculinidade, do sexismo cultural e da exploração de mulheres em razão de padrões estéticos, culturais e comportamentais de “feminilidade” que estão diretamente relacionadas à violência doméstica generalizada e à sua exploração sexual. Fraser entende que as identidades grupais são objeto do reconhecimento social e que é preciso atribuir certos modos de consciência ao papel de mudança social. Aponta para a existência de padrões culturais e valorativos institucionalizados que obstaculizam a participação na vida social de forma equânime. Neste sentido, as reivindicações por reconhecimento são entendidas como formas de desinstitucionalizar padrões de valor cultural que impedem a equidade de participação, para trocá-los por outros que a encorajem, de modo que padrões de justiça distributiva devem promover o acesso ao reconhecimento de grupos vulnerabilizados, entre os quais compreendem-se as mulheres, entre outros sujeitos sociais, entendendo-se a justiça enquanto bidimensional: redistribuição e reconhecimento numa relação de co-pertença, sem secundarismos, estando eles tão à frente das lutas sociais, quanto os aspectos de classe. No contexto pandêmico que nos assola, a ausência de políticas públicas – que deveriam ser intensificadas ante os números alarmantes de violência – com viés de gênero no Brasil é latente, tanto do ponto de vista da redistribuição, quanto do reconhecimento. A ausência desse direcionamento na tomada de decisões públicas e políticas é clara. Desconsidera-se os múltiplos fardos aos quais mulheres estão vinculadas, além da evidente sobrecarga de funções, do trabalho doméstico não remunerado, do cuidado com filhos, com saúde emocional e, ainda, a atenção aos níveis de produtividade no trabalho desenvolvido, com todos os fatores anteriores somados. Ao encontro desse cenário, dados do projeto brasileiro Parent in Science (2020, online), que acompanhou a produção acadêmica durante a pandemia, demonstram que 40% das mulheres pesquisadoras sem filhos não concluíram seus artigos, contra 20% dos homens pesquisadores. Ainda, 52% das mulheres pesquisadoras com filhos não concluíram seus artigos, contra 38% de homens pesquisadores. Já no âmbito do reconhecimento, a fala do Presidente Jair Bolsonaro (Março, 2020), ao dizer que “tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Como é que acaba com isso? Tem que trabalhar, meu Deus do céu. É crime trabalhar?”, justifica a ocorrência de violência doméstica em razão dos níveis de isolamento social, desemprego ou à presença de companheiros e maridos no âmbito doméstico, fugindo do combate à estrutura de dominação e violência a que as mulheres são submetidas em seus relacionamentos, bem como, da necessidade de proteção que deveria ser conferida pelo Estado. Em contraste com esse posicionamento nefário, a ONU, para prevenção e combate à violência de gênero durante a pandemia, propôs aos países o aumento de investimentos em serviços online e em organizações da sociedade civil para garantir que os sistemas judiciais continuem processando os agressores, com sistemas de alerta de emergência em farmácias e mercados. (ONU, 2020). Entre outras respostas sugeridas pela Organização, estão a criação de abrigos para vítimas de violência de gênero e a ampliação de conscientização pública, através de peças publicitárias, a fim de garantir o maior alcance possível dessas medidas. O Brasil, embora tenha apresentado algumas medidas de combate à violência doméstica, como ampliação de serviços da delegacia eletrônica e registro online de boletins de ocorrências de violência doméstica, realizados pelo Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, bem como a criação de um aplicativo, o “Direitos Humanos BR”, para denúncia de violações, pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e a manutenção da Central de Atendimento através do 180 – Central de Atendimento à Mulher, estas ainda estão longe de representarem políticas de enfrentamento suficientes contra as estatísticas da quarentena e os aumentos não só da violência, mas de feminicídios contra mulheres. (VEJA, 2020). É tempo de reavaliar os problemas mais profundos de nossas sociedades, de refletir sobre as contradições sistêmicas e institucionais que vêm se acirrando no capitalismo em sua fase financeirizada e neoliberal, o que provoca um contínuo de expropriação e exploração. Considerando que a versão financeirizada do capitalismo contemporâneo constitui um regime de expropriação universalizada, que se agrava com o corte de apoio público à reprodução social, torna-se difícil vislumbrar um caminho democrático que não perpasse pela transformação estrutural da matriz social marcada por atravessamentos de gênero, raça e classe e por uma concepção de justiça que alie demandas de redistribuição somadas às de reconhecimento. Referências: CATRACA LIVRE. Bolsonaro usa violência doméstica para criticar isolamento social. Reportagem de 30 de março de 2020. Disponível em: https://catracalivre.com.br/cidadania/bolsonaro-usa-violencia-domestica-para-criticar-isolamento-social/. Acesso em: 26 de maio de 2020. FLECK, Amaro de Oliveira. Sobre os conceitos de justiça e liberdade nas obras de Sen e Fraser. Revista Dissertatio. Vol. 37, p. 117-138, 2013. Disponível em: . Acesso em 26 de maio de 2020 FRASER, Nancy. 2001. “From redistribution to recognition? Dilemmas of justice in a ‘postsocialist’ age”. In: S. Seidman; J. Alexander. (orgs.). 2001. The new social theory reader. Londres: Routledge, pp. 285-293. Traduzido por Julio Assis Simões. Cadernos de campo, São Paulo, n. 14/15, p. 231-239, 2006. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/50109. Acesso em 26 de maio de 2020 FRASER, Nancy. Justice interruptus: critical reflections on the “postsocialist” condition. London: Routledge, 1997. FRASER, Nancy. “Social justice in the age of identity politics: redistribution, recognition, and participation”. In: FRASER, N. e HONNETH, A. Redistribution or recognition? A political-philosophical exchange. London and New York: Verso Books, 2003, p. 7-109 FRASER, Nancy. Escalas de Justicia. Tradução de Antoni Martínez Riu. Barcelona/ES: Herder Editorial, 2012. FRASER, Nancy; JAEGGI, Rahel. Capitalismo em Debate: uma conversa na teoria crítica. 1 ed. São Paulo: Boitempo, 2020. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Chefe da ONU alerta para aumento da violência doméstica em meio à pandemia do coronavírus. Reportagem de 06 de abril de 2020. Disponível em:https://nacoesunidas.org/chefe-da-onu-alerta-para-aumento-da-violencia-domestica-em-meio-a-pandemia-do-coronavirus/. Acesso em 20 de maio de 2020. UOL. Produção científica de mulheres despenca na pandemia --de homens, bem menos. Reportagem de 26/05/2020. Disponível em: https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/05/26/pandemia-pode-acentuar-disparidade-entre-homens-e-mulheres-na-ciencia.htm. Acesso em 26 maio de 2020. VEJA. Subnotificação e gatilhos: o drama da violência doméstica na quarentena. Reportagem de 29 de abril de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/subnotificacao-e-gatilhos-o-drama-da-violencia-domestica-na-quarentena/. Acesso em 26 de maio de 2020. [1] O livro “Capitalismo em Debate” (2020) foi objeto de discussão, em julho deste ano, no Grupo de Pesquisa: Filosofia Prática: Investigações em Política, Ética e Direito (UFPA).

  • Epistemologias Feministas e história da filosofia – Dia 19/08 às 18h30

    O Projeto Uma Filósofa por Mês convida para a sua primeira live sobre epistemologias feministas. A temática será tratada tendo como de fundo o questionamento de nossa formação filosófica canônica e a construção da história da filosofia como baseada sobre conceitos generificados, racializados e geográfica e politicamente localizados. A intersecção entre questões epistemológicas e metodológicas sobre a história da filosofia é fundamental para os diagnósticos de apagamento e de silenciamento sobre as filósofas – e os modos de deslegitimação da racionalidade das mulheres. Este debate atravessa, assim, as nossas reflexões em busca de compreensão sobre os mecanismos de exclusão das mulheres da filosofia e o empreendimento de publicização da vida e das obras das filósofas que é o cerne do nosso projeto. Para esta primeira conversa, convidamos Patrícia Ketzer e Kariane Marques. A live terá lugar dia 19/08 às 18h30, no canal da Rede: https://youtu.be/-Cy6fEArXZw Patrícia Ketzer possui graduação (2008) e mestrado (2010) em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2015). Atualmente é professora adjunta II da Universidade de Passo Fundo, onde coordena a especialização em Ciências Sociais e o Projeto de Extensão em Economia Solidária e Equidade de Gênero. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Epistemologia, atuando principalmente nos seguintes temas: injustiças epistêmicas, epistemologia feminista, questões de gênero. Kariane Marques é Bacharel e Mestra em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Doutoranda em Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora substituta de Filosofia (UFBA). Atuou como professora de Filosofia e Coordenadora Executiva no Projeto de Extensão, Alternativa Pré-Universitário Popular/ UFSM. Como Tutora do Curso de Especialização em Ensino de Filosofia no Ensino Médio - UFSM (UAB/EAD). Professora-tutora Graduações Online, de Filosofia e Ética - PUC/PR. Tem experiência na área de epistemologia. A live tem curadoria de Janyne Sattler, professora do Departamento e do PPG em Filosofia na UFSC e coordenadora do Projeto Uma Filósofa por Mês. Assista! Dia 19/08 às 18h30: https://youtu.be/-Cy6fEArXZw E siga-nos: @umafilosofapormes

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