GT FILOSOFIA E GÊNERO
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- Margareth Cavendish por Janyne Sattler: As Pensadoras agora em nosso canal
Janyne Satler apresenta as principais ideias de Margareth Cavendish, com ênfase em “O Mundo Resplancente”. A aula se insere em um projeto de pesquisa sobre utopias escritas por mulheres. Ela trata de questões como o letramento feminino, a importância da linguagem como ação no mundo e a influência de gênero na concepção de virtudes epidêmicas. Esse vídeo integra a primeira série do projeto As Pensadoras, coordenado por Rita Machado (UEA), que tem por objetivo divulgar a contribuição da obra de mulheres para a história do pensamento e para os feminismos. Veja o programa de curso e a bibliografia em https://www.filosofas.org/post/copy-of-curso-on-line-as-pensadoras-abertas-inscrições-turma-3 JANYNE SATTLER é docente do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doutora em Filosofia pela Université du Québec à Montréal (2011), possuindo pós-doutorado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC - 2011-2012). Pesquisadora do Núcleo de Ética e Filosofia Política (NÉFIPO) e do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC. Coordenadora do Grupo de Estudos em Reflexão Moral Interdisciplinar e Narratividade (GERMINA). Vice-coordenadora do GT de Filosofia e Gênero da ANPOF. Professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia na Universidade Federal de Santa Maria e na Universidade da Fronteira Sul, em Chapecó. Atua especialmente nos temas seguintes: ética e estética em Wittgenstein; a ética estóica e ética das virtudes; cosmopolitismo; literatura e filosofia, estudos de gênero e feminismos. Link: http://lattes.cnpq.br/9316851338632064 #redebrasileirademulheresfilosofas #aspensadoras #janynesattler #margarethcavendish #filosofasOrg #filosofasbrasil
- Colóquio Filósofas: 25 a 27 de novembro, você não pode perder.
Marilena Chaui, Jeanne-Marie Gagnebin, Naomi Scheman, Maria de Lourdes Borges, Silvana Ramos, Yara Frateschi, Susana de Castro, Carla Rodrigues, Juliana Aggio, Sílvia Faustino, Janyne Sattler, Carolina Araújo, Tessa Lacerda, Gisele Secco, Maria Cristina Longo, Imaculada Kangussu, Marília Pisani, Izilda Johanson, Tânia Kuhnen, Juliana Missaggia, Ilze Zirbel, Halina Leal, Graziela Rinaldi da Rosa, Laurenio Sombra, Gislene Vale dos Santos, Juliana Monteiro, Camila Kulkamp, Nathalia Barroso e Rafaela Vaccari reúnem-se para comemorar o lançamento do Dossiê Filósofas da Revista Ideação e o primeiro aniversário da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. O evento é uma organização do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Estadual de Feira de Santana. As transmissões serão pelo canal YouTube da Rede. Para obtenção de certificado é necessário fazer inscrição até 25 de novembro, veja a programação e o link para inscrição aqui. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofasbrasil #coloquiofilosofas #revistaideacao #ppgfilosofiaufba #uefs
- CURSO AS PENSADORAS LATINOAMERICANAS – 1ª EDIÇÃO
APRESENTAÇÃO DO CURSO Para a edição do curso As Pensadoras Latinoamericanas escolhemos algumas intelectuais dos séculos XIX e XX que colocam no centro de suas reflexões a periferia. Com discussões pautadas na Filosofia, na História, na Teoria Política, nas Ciências Sociais e na Educação, essas pensadoras contribuíram e contribuem para o aprofundamento de questões éticas, políticas e educacionais diretamente relacionadas à luta pela igualdade de gênero/raça/classe e de lugar como humanos no território do globo. O curso abordará de modo detalhado o pensamento e a luta de cada uma destas pensadoras e fomentará discussões sobres as ideologias feministas nos contextos em que cada uma delas aparece a fim de inclusive colocar questões aos feminismos e questões para se construir juntas a partir destas leituras. Coordenação: Dra. Viviane Bagiotto Botton Mediação: Dra. Viviane Bagiotto Botton e Equipe Pedagógica. Aulas 1x por semana 2h/aula - 2 turmas: Terças-feiras: das 18h30min às 20h30min Quintas-feiras: das 8h30min às 10h30min LINK DE INCRIÇÃO Brasil e América Latina: https://forms.gle/rEaBQEpjCk3iVXE97 E-MAIL PARA INFORMAÇÕES: pensadoraslatinas@gmail.com LINK DE INCRIÇÃO Europa: https://forms.gle/TT6Us9zSFXzU7R5eA E-MAIL PARA INFORMAÇÕES: pensadoraslatinas@gmail.com Nível: básico, introdutório. Realização: Escola As Pensadoras Plataforma: Google Meets e Google Classroom. Recomenda-se usar uma conta pessoal Gmail para acompanhar acessar as plataformas. Certificação: 20 horas, pela Escola As Pensadoras. As aulas ficarão salvas até a data do recebimento dos certificação - 30 a 60 dias. Corpo Docente e respectiva pensadora: 16/11 Conferência de Abertura "Mulheres indígenas e a colonização" (Para as 2 turmas e aberta ao público.) As palavras e os ensinamentos das ancestrais - Ana Manoela Karipuna (UFPA) Indígena subjetivando em diferente contextos - Edilaise Nita Tuxá (Articulação Brasileira de Indígena Psicólogos(as) - ABIPSI) Do território às universidades: indígenas mulheres no transitar do saber- Braulina Aurora Baniwa - (PPGAS) AÇÃO SOLIDÁRIA: SERÃO DOADAS CESTAS BÁSICAS PARA MULHERES INDÍGENAS DE DUAS ETNIAS: a Guaranis a Kaingang. TURMA 1* Terças-feiras: das 18h30min às 20h30min 17/11 - Aula 1 -Dra. Miriam Adelman (UFPR): Rosario Castellanos 24/11 - Aula 2 - Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP): Glória Anzaldúa 01/12 - Aula 3 - Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI): Ivone Gebara 08/12 - Aula 4 - Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ): Julieta Paredes 15/12 - Aula 5 - Dra. Lia Pinheiro Barbosa: (UECE) Emma Chirix TURMA 2* Quintas-feiras: das 8h30min às 10h30min 19/11 - Aula 1 -Dra. Miriam Adelman (UFPR): Rosario Castellanos 26/11 - Aula 2 - Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP): Glória Anzaldúa 03/12 - Aula 3 - Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI): Ivone Gebara 10/12 - Aula 4 - Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ): Julieta Paredes 17/12 - Aula 5 - Dra. Lia Pinheiro Barbosa: (UECE) Emma Chirix PLANOS DE AULAS: Aula 1 : Dra Miriam Aldeman (UFPR): Rosário Castellanos Não é a ‘mesma (velha) história’: Rosário Castellanos e a crítica do ‘eterno feminino’ Plano da aula: Introdução ao pensamento da escritora feminista mexicana Rosário Castellanos (1925-1974), através principalmente da peça El eterno feminino. Meu argumento central é que esta peça, que ela inseriu no gênero ‘farsa’, deve ser compreendida (além do seu valor dramatúrgico, que não é pouco) como fazendo parte de um grande projeto das pensadoras, vindas de muitas partes do mundo, de re-escrita da história através de experiências e perspectivas de mulheres. El eterno feminino apresenta uma crítica ácida às estruturas históricas do poder patriarcal mexicana, cuja construção iniciou-se com a chegada dos primeiros colonizadores espanhóis (e imortalizada primeiramente como signo no emblemático ‘casal’ composto pelo explorador Hernán Cortez e a indígena, Malinche). Castellanos, através dessa obra e outras, entra ao elenco das pensadoras/es fundamentais do século XX, contribuindo entre outras coisas para uma história global do feminismo da segunda onda, e para o projeto decolonial de gerar maior compreensão de história e realidades latino-americanas. Objetivos: 1) Examinar a peça, identificando personagens chaves e o que elas, dentro da trama narrativa, representam em termos de uma re-leitura da construção da nação mexicana. 2) Conectar estes mesmos elementos ao projeto de repensar a história e reconstruir a teoria social - a partir de experiências de mulheres e à luz da teoria feminista e a categoria de relações de gênero. Bibliografia básica: Miriam Adelman, “Modernidade e pos-modernidade em vozes femininas” https://www.academia.edu/4145922/Modernidade_e_p%C3%B3s_modernidade_em_vozes_femininas Rosário Castellanos. El eterno feminino. https://www.academia.edu/36487332/Castellanos_El_Eterno_Femenino_pdf Steven L. Torres, “ Cultura y posmodernidad: la recepción de El eterno femenino de Rosario Castellanos” https://www.academia.edu/34573117/_Cultura_y_posmodernidad_la_recepci%C3%B3n_de_El_eterno_femenino_de_Rosario_Castellanos_Ciberletras_Journal_of_Literary_Criticism_15_2006_ Mercedes Sena, “Rosario Castellanos y el eterno feminino”. file:///C:/Users/miria/Downloads/MercedesSerna%20%20Rosario%20Castellanos.pdf Nira Yuval-Davis, “Theorizing gender and nation”. https://www.academia.edu/7712698/Nira_Yuval_Davis_gender_and_nation Bagiotto Botton, Viviane “A mulher e o eterno feminino em Rosario Castellanos” https://revistas.ufpr.br/historia/article/view/61402/37583 ______________________ Aula 2: Glória Anzaldúa, Dra. Marina Costin Fuser (PUC-SP) A Consciência de Mestiça em Gloria Anzaldúa Plano da aula: Em 1987, a teórica chicana Gloria Anzaldúa desenvolve o conceito de consciência mestiça, uma subjetividade que se orienta para a fronteira, para as encruzilhadas, onde alteridades se cruzam, provocando choques, estranhamentos, rusgas, mas também surge a possibilidade de se abrir para o encontro. Preso no espaço de fronteira, o assunto é dividido entre vozes dissonantes; portanto, não é unitário e não pode ser simplificado por meio de oposições binárias. Esse processo de travessia de fronteira visa a transitividade entre os espaços, buscando remontagens que possam libertar sentido da rigidez resguardada pelas estruturas dominantes. Anzaldúa busca questionamentos críticos sobre o que é percebido como verdade por uma dada cultura a partir de diferentes molduras, pontos de vista, um modo de tangenciar múltiplas perspectivas de ver a identidade de alguém. Ao trilhar caminhos nômades, La mestiza perde o sentido de pertencimento. Como mestiça não tenho país, minha pátria me expulsou; no entanto, todos os países são meus porque sou irmã de todas as mulheres ou amante em potencial. (Como lésbica, não tenho raça, meu próprio povo me nega; mas sou todas as raças porque há o queer de mim em todas as raças.) Não tenho cultura porque, como feminista, desafio o grupo cultural / religioso derivado do sexo masculino crenças de indo-hispânicos e anglos; ainda assim, sou culta porque estou participando da criação de mais uma cultura, uma nova história para explicar o mundo e nossa participação nele, um novo sistema de valores com imagens e símbolos que se conectam entre si e com o planeta. Eu sou um ato de amassar, de unir e juntar que não só produziu uma criatura das trevas e uma criatura da luz, mas também uma criatura que questiona as definições de claro e escuro e lhes dá novos significados (Anzaldúa 1987, pp. 80-81). Objetivos: Esta aula pretende abordar os ritos e a semiótica das narrativas de fronteira que dão corpo ao conceito de consciência de mestiça de Glória Anzaldúa em diálogo com algumas teóricas de fronteira, como Trinh T. Minh-ha, Maria Lugones, Chandra Talpade Mohanty, mas com o foco na obra de Anzaldúa, cuja riqueza imagética e cultural abarca referências que nos fazem pensar a fronteira como um espaço complexo, transitório e que oscila entre o liso e o estriado, entre a patrulha e o que escapa. A proposta é suscitar discussões e questionamentos sobre o que é e o que fazer desta fronteira, num sentido que transita entre o real e o imaginário. Referências bibliográficas ANZALDÚA, Gloria. “Como domar una lengua salvaje”. In: GARCÍA, Cristina. Voces sin frontera: antología vintage español de literatura mexicana y chicana contemporánea. Nueva Cork: Vintage books, 2007. ANZALDÚA, G. Borderlands/La Frontera: the new mestiza. 4 ed. San Francisco: Aunt Lute Books, 2012. COSTA, Claudia de Lima; ÁVILA, Eliana. “Gloria Anzaldúa, a consciência mestiça e o ‘feminismo da diferença’". Revista Estudos Feministas. Florianópolis: UFSC, 13(3): 691- 703, setembro-dezembro, 2005. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995. (Vol. 1.). LUGONES, María. Colonialidad y género. Tabula Rasa, Bogotá, COL, n. 9, jul.- dic., pp. 73-101. MOHANTY, Chandra Talpade. (2003) Feminism Without Borders: Decolonizing Theory, Practicing Solidarity, Durnham, North Carolina: Duke University Press, 2003. MORAGA, Cherríe; ANZALDÚA, Gloria. This bridge called my back: writings by radical women of color. New York, EUA: Kitchen Table, 1981. SANTOS, Ana Cristina. “Fronteiras da Identidade: O Texto Híbrido de Gloria Anzaldúa”, Revistas UNILA, 2014. TRINH, T. Minh-ha. “Elsewhere, Within Here: Immigration, Refugeeism and the Boundary Event”, New York: Routledge, 2011. ______________________ Aula 3: Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz (UNINI) Ivone Gebara: a teóloga e filósofa ecofeminista que rompe silêncios! No ano 2000 Ivone Gebara sacode a comunidade acadêmica, especialmente a teológica, com seu livro “Rompendo o silêncio: Uma fenomenologia feminista do mal”. Cinco anos antes, 1995, a professora freira tinha sido condenada ao silêncio (silêncio “obsequioso”) pelo vaticano (papado de turno) e “convidada a estudar” para revisitar seus conhecimentos, principalmente, pelas declarações feitas sobre o aborto. Propomos, nesta aula, trabalhar a Teologia Feminista a partir da história de vida desta mulher brasileira que sem dúvidas tem marcado o pensamento teológico e filosófico não só no Brasil, senão também em América e no mundo. Conceitos como: o mal, o pecado, a trindade, o cotidiano (vida ordinária) e outros, ganham no pensamento da Ivone dimensões diferentes: do aqui e agora. Esse Reino, tão cacarejado pela Instituição eclesial, desce como a divindade à terra e se faz/refaz a cada 24h. Objetivos - Contribuir à memória feminista, ao sentido histórico do feminismo, com o estudo da vida e trajetória da teóloga e filósofa ecofeminista Ivone Gebara. - Trabalhar a Teologia Feminista a partir da história de vida de Ivone, brasileira que, sem dúvidas, tem marcado o pensamento teológico e filosófico contemporâneo. - Destacar a História de Vida como ferramenta metodológica acadêmica feminista. Referências bibliográficas: GEBARA, Ivone. Trindade: palavra sobre coisas velhas e novas. Uma perspectiva ecofeminista. 1994. GEBARA, Ivone. Rompendo o Silêncio: Uma fenomenologia feminista do mal. São Paulo, Vozes, 2000. GEBARA, Ivone. As Águas do Meu Poço. São Paulo, Brasiliense, 2005. GEBARA, Ivone. O que é teologia feminista. São Paulo, Brasiliense. 2007. GEBARA. Ivone. As epistemologias teológicas e suas consequências. IN NEUENFELDT, Elaine; BERGSCH, Karen; PARLOW, Mara (Org.). In: Epistemologia, violência, sexualidade: olhares do II Congresso Latino-Americano de Gênero e Religião. São Leopoldo: Sinodal, 2008. Outras obras da autora "María mujer profética" (em co-autoria com Maria Clara Luchetti Bingemer, San Pablo, Madri, 1988); "As incomodas filhas de Eva na Igreja da América Latina" (1990); "Poder e não poder das mulheres" (1991); "Vida Religiosa, da teologia patriarcal à teologia feminista" (1992); "Teologia a ritmo de mujer" (San Pablo, Madrid, 1995); Teologia ecofeminista. Ensaio para repensar o Conhecimento e a Religião (1997); "Longin for running Water. Ecofeminism and Liberation" (Fortress Press, Minneapolis, Minnesota, 1999); A Mobilidade da Senzala Feminina. Mulheres Nordestinas, Vida Melhor e Feminismo (2000); "Intuiciones ecofeministas. Ensayo para repensar el conocimiento y la religión" (Trotta, Madrid, 2000); "Cultura e relaçôes de gênero" (São Paulo, 2001); "El rostro oculto del mal. Una teología desde la experiencia de las mujeres" (Trotta, Madrid, 2002); "La sed de sentido. Búsquedas ecofeministas en prosa poética" (Montevideo, 2002); La sed de sentido. Búsquedas ecofeministas en prosa poética (2002); "Pour libérer la Théologie" (Canadá, 2002); "O que é teologia" (Brasiliense, São Paulo, 2006); "Compartir los panes y los peces. Cristianismo, teología y teología feminista" (Doble clic, Editoras, Montevideo, 2008); O que é Cristianismo (2008); Vulnerabilidade, Justiça e Feminismos - Antologia de Textos (2010); Terra - Eco Sagrado (Teologia da Libertação e Educação Popular) (com Arno Kayser); Filosofia feminista - uma brevíssima introdução (2017); Travessias e acenos (1º romance) - Edições Terceira Via (2018). ______________________ Aula 4: Dra. Viviane Bagiotto Botton (UERJ) : Julieta Paredes Q’amasa Warminanaka, descolonizando o patriarco-capitalismo A ativista boliviana Julieta Paredes se torna uma pensadora dos feminismos lationoamericanos e decoloniais a partir de sua prática coletiva e de sua intensa experiência em criar novos mundo e utopias "feministas" de cunho comunitário, em especial ao atuar no grupo "Mujeres Creando", fundado por ela e por outras ativistas e pensadoras, como Maria Galindo, uma de suas maiores aliadas. Na medida em que luta contra o patriarcado e o capitalismo, Paredes os pensa como indissociáveis e entende a colonização como um processo opressor que acabou sendo reproduzido nos povos originários e contribuindo para a opressão e a violência contra as mulheres. A colonização patriarco-capitalista neste sentido não é entendida somente como um acontecimento violento que teve um momento de início, mas como uma violência constante que precisa parada com a luta constante e diária de re-criação de novas realidades por meio da tecelagem de novas redes de relações e principalmente de modo comunitário. A descolonização para Julieta Paredes se faz de resistências ao mercado, ao capital, ao discurso hegemônico patriarco-epistémico-logo-euro-branco-capitalista através da Q’amasa Warminanaka (força feminina) no e para o território Abya Yala. Objetivo da Aula: Expor os principais aspectos dos argumentos da pensadora em relação a sua teoria e prática e fomentar a reflexão e o debate em torno deles. Referências bibliográficas: Paredes, Julieta, "Temos que construir a utopia no dia a dia", entrevista com Julieta Paredes In: https://apublica.org/2020/05/temos-que-construir-a-utopia-no-dia-a-dia-diz-a-boliviana-julieta-paredes/ _____ Hilando fino desde el feminismo comunitario, La Paz: CC Creative Commons, 2010. _____ "La opresión que se recria", In: Varias, Mujeres en diálogo: Avanzando Hacia la Dezpatriarcalización en Bolívia, La Paz: Coordinadora de la mujer, 2012. _____ "Disidencia y Feminismo Comunitario". Hemispheric Institute. 5 de agosto de 2017. In: https://web.archive.org/web/20170805222058/http://hemisphericinstitute.org/hemi/es/e-misferica-102/paredes ____ Mujeres Creando, despatriarcalizar con arte". Revista Pueblos. In: http://www.revistapueblos.org/blog/2016/09/20/mujeres-creando-despatriarcalizar-con-arte/ Morales, Victoria Aldunate (22 de noviembre de 2008). Julieta Paredes: feministas para revolucionar la sociedad.. - Hommodolars.org". hommodolars.org. janeiro de 2017. In:https://web.archive.org/web/20170116154303/http://hommodolars.org/web/spip.php?article957 Valencia, Rufo (24 de junio de 2014). "La boliviana Julieta Paredes explica en Canadá el feminismo comunitario indígena". Radio Canada International. In: http://www.rcinet.ca/es/2014/06/24/la-boliviana-julieta-paredes-explica-en-canada-el-feminismo-comunitario-indigena/ Monasterios Pérez, Elizabeth (2006). No pudieron con nosotras: el desafío del feminismo autónomo de Mujeres Creando (Plural Editores edición). p. 61. https://books.google.fr/books?id=6johjww9TyMC Julieta paredes explica EL Feminismo Comunitario: Charla pública con Julieta Paredes hermana Aymara de Bolivia». Auto Gestival. https://www.youtube.com/watch?v=FqD5uD_lHh8 ______________________ Aula 5 : Dra. Lia Pinheiro Barbosa: Emma Chirix Mulheres indígenas, corpos, subjetividades e racismo à luz de Emma Chirix Plano de Aula: A pensadora Emma Chirix pesquisa sobre como o “processo civilizatório” consolidou um disciplinamento dos corpos das mulheres indígenas. Nessa linha, a pensadora analisa como os corpos das mulheres indígenas maias foram construídos e materializados à luz das normas, valores e castigos inerentes ao papel “civilizatório” erigido historicamente pelo Estado e a Igreja Católica. Em uma perspectiva feminista, Emma Chirix adentra às interfaces entre interseccionalidade, corpos, poder e racismo e aponta como se expressam as relações de poder, a hierarquia e o privilégio racial em relação às mulheres indígenas. Objetivo da Aula: A aula tem por objetivo apresentar uma introdução às bases teórico-metodológicas da produção intelectual da socióloga guatemalteca Emma Chirix. Outro objetivo é debater a concepção de “processo civilizatório” a partir da domesticação dos corpos das mulheres indígenas, dando ênfase às categorias corpos, subjetividades e racismo à luz do feminismo e em uma perspectiva descolonizadora. Referências Bibliográficas CHIRIX, Emma. Cuerpos, poderes y políticas: mujeres mayas en un internado católico. Guatemala: Ediciones Maya’Na’oj, 2013. CHIRIX, Emma. “Subjetividad y racismo: la mirada de las/los otros y sus efectos”. In: Espinosa-Miñoso, Yuderkis; Gómez-Correal, Diana; Ochoa-Muñoz, Karina (orgs.). Tejiendo de otro modo: feminismo, epistemología y apuestas descoloniales en Abya Yala. Popayán: Universidad del Cauca, 2014, p. 211-222. QUEM SOMOS Dra. VIVIANE BAGIOTTO BOTTON (UERJ) É pesquisadora de pós-doutorado em filosofia na UERJ onde desenvolve uma pesquisa sobre o diagnóstico da Histeria no Brasil da perspectiva das relações entre loucura, mulheres e ciências médicas nacionais. Tem doutorado pela UNAM- Universidade Nacional Autónoma do México tendo também realizado um intercâmbio com a Universidade ParisXII e Paris I. Estuda questão sobre Corpo e Subjetividades a partir do pensamento de Michel Foucault e dedicar-se aos estudos sobre gênero e poder, primeiramente nas questões impulsionadas pela tese e também pela experiência e proximidade com as escritoras latino-americanas e em especial a mexicana e a chicana. Isto convergiu com a entrada ao grupo Anamorfoses de filosofia latinoamericana e decolonial que passou a integrar quando foi professora substituta na PUC-SP em 2016 e 2017 e atualmente com sua atuação junto ao laboratório "filosofias do tempo do agora" (UFRJ) e do núcleo de estudos sobre histeria, fundado por ela e outras pesquisadoras do Rio de Janeiro. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6607821831919427 Dra. LIA PINHEIRO BARBOSA (UECE): Doutora em Estudos Latino-Americanos pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), com intercâmbio no Centro de Estudios Superiores de México y Centroamérica (CESMECA).. Socióloga e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora da Universidade Estadual do Ceará (UECE), no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), no Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE) e na Faculdade de Educação de Crateús (FAEC). Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) Pensamento Social e Epistemologias do Conhecimento na América Latina e Caribe. Pesquisadora do Grupo de Trabalho Economía Feminista Emancipatória e do Grupo de Trabalho Anticapitalismos y Sociabilidades Emergentes, ambos do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO). Desenvolve pesquisas relacionadas à resistência, movimentos indígenas e camponeses e defesa dos territórios e dos comuns na América Latina. Nesse marco, também pesquisa a concepção onto-epistêmica de feminismo e da luta das mulheres na perspectiva das camponesas e indígenas em contextos de resistências na região. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3858914223581195 Dra. Nivia Ivette Núñez de la Paz. Pós-doutorado em Teologia Sistemática (2015-2017) pela Faculdades EST, São Leopoldo (RS) com o Projeto "Em defesa da vida: da violência de gênero para relações humanizadas", bolsa PNPD/CAPES. Doutora (2008) e mestra (2004) em Teologia pela Faculdades EST, São Leopoldo (RS). Licenciada em Teologia (2001) pelo Seminário Evangélico de Teologia, Matanzas, Cuba. Bacharelado em Filosofia (2015-2019) pela SINAL - Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Rio Branco, Acre. Professora do Mestrado em Educação e Diretora de Tese da Universidad Internacional Iberoamericana - UNINI e da Universidad Europea del Atlantico - UNEATLANTICO. Miembro de la Escuela Internacional de Filosofia Intercultural – EIFI, Barcelona/España.. É membro do Grupo de Pesquisa Religião, Gênero e Violências (REGEVI) da Faculdade UNIDA de Vitória/Brasil e do Grupo de Investigación Formación, Interculturalidad e Innovación en Educación, UNINI-México e do Grupo de Pesquisa de Teologia Pública, da Pontifícia Universidade Católica, PUC- Curitiba/Brasil. Suas Áreas de Pesquisa e atuação são: Feminismos, Teologia, Filosofía, Violência contra as mulheres, Educação Popular, Interculturalidade, Ética e Direitos Humanos. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3269216996688630. Dra. Marina Costin Fuser é doutora em Estudos de Gênero pela University of Sussex. Passou um ano pesquisando sob a supervisão de Trinh T. Minh-ha em Berkeley, onde cursou seu doutorado-sanduíche no Department of Gender and Womens Studies. Recentemente fez um curso executivo de Womens Leadership no Barnard College, Columbia University em Nova York. Trabalhou como assistente de pesquisa no programa Diálogos do Institute of Development Studies com análise, transcrições e traduções do material audiovisual coletado em plataforma de jovens cidadãos em Mozambique. Pesquisa e atua em questões de gênero e mulheres desde 2006, contribuindo com artigos, pesquisas, iniciativas e palestras sobre o tema. Publicou sua dissertação de mestrado, Mulheres que dançam à beira de um abismo: mulheres na dramaturgia de Hilda Hilst, pela EDUC em 2018, pesquisou o conceito de emancipação da mulher em O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir. Sua tese de doutorado é sobre nomadismo no cinema e na etnografia pós-colonial de Trinh T. Minh-ha. Integrou o GenEq - Gender Equity Resource Center (Centro de Recursos sobre Equidades) em Berkeley e o NGender - núcleo de estudos de gênero de Sussex. Foi colaboradora do Reframe - coletivo de doutorandos e acadêmicos engajados de Sussex, e estagiou em curadoria de cinema no Pacific Film Archive, em Berkeley. Bacharel e mestre em ciências sociais pela PUC-SP, e lecionou em Sussex no campo de estudos culturais. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4874123641874986 Dra. Miriam Adelman possui mestrado (M.Phil) em Sociologia - New York University (1990) e doutorado pelo programa de Doutorado Interdisciplinar em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004). É professora associada do Programa de Pós-graduação em Sociologia (PGSOCIO), do Programa de Pós-graduação em Letras (PGLETRAS, área de Estudos Literários) e o Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná e co-coordenadora do Grupo de Pesquisa de Mulheres e Produção Cultura, da UFPR, assim como co-fundadora do Núcleo de Estudos de Gênero/UFPR, núcleo interdisciplinar que atua nessa instituição desde 1994. Tem produção recente nas seguintes temáticas: teoria sociológica contemporânea; teoria feminista; cultura e discursos midiáticos; corporalidades e identidades e relações entre humanos e outros animais. Atualmente realiza pesquisa de campo nesta última área, através de estudos sobre gênero e culturas equestres populares, na interface com discussões sobre gênero e espaço, o rural e o urbano nas sociedades contemporâneas. Na área de cultura e discursos midiáticos, realiza pesquisa sobre representações de gênero e produção de mulheres na literatura e noutras áreas das artes; tem como projeto em andamento, a organização de um livro sobre esta temática. É também escritora e tradutora (do português e do espanhol) especializada na produção de versões, em língua inglesa, de textos nas diversas disciplinas das ciências humanas. Mantém o blog Juntando Palavras (conviteapalavra.blogspot.com) Lattes: http://lattes.cnpq.br/1512074830811621 Ana Manoela Karipuna, indígena do povo Karipuna do Amapá. Mestranda em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Pará (PPGSA / UFPA). Graduada em Ciências Sociais (UFPA). É membro dos grupos de pesquisa Diversidade e Interculturalidade na Amazônia: Pesquisas colaborativas e pluridisciplinares (Museu Paraense Emílio Goeldi) e do grupo Ameríndia - Grupo de pesquisa em Etnologia Indígena (UFPA). Colabora em pesquisas voltadas para os povos indígenas de Oiapoque e para as pautas das indígenas mulheres. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8803372320058647 Edilaise Nita Tuxá, mulher indígena do povo Tuxá da aldeia Mãe. Mestra em Antropologia Social pela Universidade Federal de Roraima (UFRR). Especialista em Saúde Indígena pela UNIFESP. Graduada em Psicologia. Atua como professora substituta do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena da Universidade Federal de Roraima (UFRR). É coordenadora da Articulação Brasileira de Indígenas Psicólogos (as) - ABIPSI. Pesquisadora e militante indígena voltada para a temática de Saúde Indígena, Bem Viver indígena; Saúde mental em contexto indígena. Lattes: http://lattes.cnpq.br/2390725253616825 Braulina Aurora Baniwa, indígena Mulher, pesquisadora e estudante do povo Baniwa, Bacharela em antropologia na Universidade de Brasília. Cursando Mestrado em Antropologia Social na UNB. Ativista do movimento Indígena, foi presidente da associação dos Acadêmicos Indígenas da Universidade de Brasília - AAIUnB. Defensora da questão de Gênero e sexualidade indígena e atuante na discussão sobre o racismo institucional, violência contra mulher, invisibilidade de estudantes indígenas nas universidades, levando esses debates para dentro das universidades, roteirista de documentários indígenas, lutadora pelo protagonismo de indígenas nos lugares de fala. Articuladora de Antropólogos indígenas no Brasil, juntamente com os demais estudantes indígenas. Lattes: Lattes: http://lattes.cnpq.br/327407032073 Essa ementa é de propriedade da Escola As Pensadoras e de responsabilidade das professoras pertencentes ao corpo docente. Não permite cópia.
- A Pós-Graduação em Filosofia no Brasil: ciclo de debates
Comemorando o seu primeiro aniversário, a Rede Brasileira de Mulheres Filósofas abre um ciclo de debates sobre a Pós-Graduação em Filosofia no Brasil em seu Canal YouTube. Nomes como Fátima Évora, Márcia Zebina, João Carlos Salles, Carolina Araújo, Maria Critina Longo, Silvana Ramos e Halina Leal debaterão aspectos importantes das faces educacional, institucional e social do nosso sistema. Além disso, integra o ciclo um debate com os atuais candidatos à presidência da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF): Susana de Castro (UFRJ) e Ernani Chaves (UFPA). Confira a programação aqui. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #filosofasbrasil #anpof #posgraduaçãoemfilosofia
- A nossa Onda: começa nesta quarta-feira
Confira, em anexo, a programação final do III Encontro do Grupo de Trabalho da Anpof Filosofia e Gênero: A nossa Onda e participe. Por gentileza, também divulgue nosso evento, mais uma importante e potente ação intelectual que visa à transformação de nosso modo de pensar e agir na sociedade.
- Mulheres que leem mulheres: Fernanda Miguens lê bell hooks
Dando continuidade ao projeto "Mulheres que leem Mulheres", uma parceria da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas com o Laboratório Filosofias do Tempo do Agora(Lafita/UFRJ) , publicamos hoje nosso sexto vídeo no canal do Youtube da Rede. A cada 15 dias, sempre aos sábados, pesquisadoras brasileiras apresentarão filósofas com o objetivo de ampliar a visibilidade do trabalho de mulheres na filosofia. No sexto vídeo da série, a pesquisadora Fernanda Miguens apresenta a filósofa e escritora bell hooks.
- A potencialidade do feminismo agonístico
ROSIENE BARROS DA ROCHA (UFES) cap.rosienebarros@gmail.com http://lattes.cnpq.br/7558235148522928 Dissertação de mestrado Orientador: Marcelo Martins Barreira Data de defesa: 23/09/2019 Fonte da imagem: https://www.democraticaudit.com/wp-content/uploads/2018/08/For-a-Left-Populism-image.jpg A pesquisa, que surgiu inicialmente do meu interesse em aprofundar a análise sobre teorias e pensamentos políticos produzidos por mulheres filósofas, buscou investigar em que medida o modelo agonístico de democracia radical proposto por Chantal Mouffe, baseado na valorização do pluralismo e do dissenso, pode ser identificado no feminismo. A abordagem da autora quanto à forma de ampliar a esfera de ação política constitui o nosso foco de análise, na busca por compreender como as diversas articulações e lutas democráticas feministas podem retratar a potência de um feminismo agonístico como projeto político mais amplo de democracia. A filósofa desenvolve o seu pensamento assumindo o antagonismo e o conflito como categorias centrais do político, na medida em que defende a importância do dissenso para a própria sobrevivência da democracia, em uma sociedade cada vez mais plural. Como forma de compatibilizar a distinção amigo/inimigo do antagonismo com o pluralismo democrático, a autora propõe transformar o antagonismo em agonismo, o que torna possível o conflito não entre inimigos, mas entre adversários. Mouffe reconhece a importância, contudo, da construção de cidadãos democráticos como forma de possibilitar o modelo adversarial proposto. A partir da noção de exterioridade constitutiva, ou seja, o “eles”, a autora se lança à compreensão sobre o que está em jogo na construção das identidades, apontando, assim, o poder como constitutivo das relações sociais que se estabelecem entre nós/eles. A maneira de viabilizar as formas de identificação dos cidadãos, com o propósito de motivá-los à participação democrática e coletiva, não fugiu do raio de análise da autora, cuja proposta passa pela tarefa da política de criar canais democráticos pelos quais as paixões pudessem ser mobilizadas. Nessa seara, Mouffe defende o necessário embate entre esquerda e direita como importante canal democrático capaz de mobilizar a participação política dos cidadãos, uma vez que a dimensão afetiva está diretamente relacionada com as formas de identificação democrática. Na ausência de um espaço vibrante de contestação, assim como formas democráticas de identificação, abre-se espaço para discursos extremistas e fundamentalistas que incluem a política na esfera moral e, assim, colocam em risco o processo democrático. A forma de encarar a luta política é abordada pela autora a partir da compreensão de radicalização da democracia, que exige a transformação das estruturas de poder e a construção de uma nova hegemonia. Através das práticas articulatórias, a autora propõe a cadeia de equivalências como estratégia capaz de subverter as diferenças entre identidades construídas discursivamente e, assim, formar uma vontade coletiva capaz de ampliar a ação política contrária às práticas opressoras. Assim, as diferenças entre as identidades deixariam de existir momentaneamente para dar lugar a uma forma de identificação coletiva ou vontade coletiva. A partir da criação de espaços agonísticos, as demandas poderão ser articuladas como estratégia capaz de confrontar a hegemonia, cuja resolução, contudo, é sempre provisória e contingente, em um interminável processo de conflito e interação entre poderes hegemônicos e contra-hegemônicos. Nesse ponto, faz-se possível identificar o perfil agonístico que assume o feminismo em razão da ampla diversidade de vozes e de identidades existentes dentro do próprio movimento feminista e que sempre marcaram a sua trajetória. A diversidade e pluralidade de posicionamentos foram recebidos pelo feminismo, assim como os inevitáveis conflitos daí advindos, tornando-os não só valorizados no jogo democrático em que se busca garantir a liberdade e igualdade, como também traduzidos como potencialidade para ampliar a ação política democrática. A atuação política das mobilizações feministas, cujas identidades políticas fluidas são constantes na articulação de demandas, nos convence como forma de aplicação do modelo de democracia radical e plural de Chantal Mouffe nos casos concretos. De fato, mulheres indígenas, negras, rurais e urbanas protagonizaram, em vários momentos da história de lutas políticas, ações de resistência e enfrentamento contra práticas antidemocráticas que colocavam em risco toda a sociedade, confirmando, assim, a potencialidade de um feminismo agonístico. Um caso que exemplifica tal potencialidade do feminismo agonístico, ao adotar práticas de articulação como estratégia de lutas democráticas, se refere à construção do processo participativo protagonizado pelas mulheres sindicalistas e trabalhadoras rurais em nosso País. Abarcando uma diversidade de identidades – agricultoras, extrativistas, quilombolas, pescadoras, dentre outras – as “mulheres trabalhadoras rurais” se voltaram para a construção de bases de lutas e reivindicações unificadas como forma de garantir a inclusão e representatividade de uma pluralidade de identidades e posições de sujeito. Essa diversidade fez parte da composição da Marcha das Margaridas, que buscou incluir lutas e reivindicações em suas pautas como forma de ampliar o alcance do movimento, assim como fortalecer o sentimento de pertencimento coletivo e de inclusão. Ao defender uma política feminista não fundamentada em um modelo homogêneo e coerente, a referida plataforma de mulheres se lançou na articulação de diferentes lutas e reivindicações em um campo diverso, mutável e capaz de movimentar fronteiras (PIMENTA, 2012, p. 4). A forma de potencializar as estratégias do projeto democrático feminista agonístico deve considerar, assim, o enfrentamento de novos e velhos desafios a partir de uma visão mais ampla e com capacidade para alcançar as desigualdades e relações complexas sob os recortes não apenas de gênero, mas também de classe, etnia, raça, idade, orientação sexual, dentre outros, por meio das práticas articulatórias e formação da cadeia de equivalências entre os demais movimentos sociais. Por não se render ao silêncio forçado dos consensos, o feminismo se abriu aos espaços agonísticos e às mais diversas formas de interpretação de valores e princípios ético-políticos no próprio movimento feminista. Sob tal análise, torna-se possível identificar a potencialidade do feminismo agonístico, a partir da proposta de democracia radical e plural de Chantal Mouffe, como uma alternativa de política democrática para as sociedades contemporâneas. Referências Bibliográficas MOUFFE, Chantal. O Regresso do Político. Tradução Ana Cecília Simões. Lisboa. Ed. Gradiva, 1996. ______. Pensando a democracia com, e contra, Carl Schimitt. Tradução Menelick de Carvalho Neto. Em “Revue Française de Science Politique, vol. 42, n° 1, fevereiro – 1992 ______. Por um modelo agonístico de democracia. Revista de Sociologia e Política. Curitiba, 25, p. 11-23, Nov. 2005. ______. Sobre o Político. Tradução Fernando Santos. São Paulo. Ed. WMF Martins Fontes, 2015. _______. Hegemonia e Estratégia Socialista: Por uma política democrática radical. Tradução de Joanildo A. Burity, Josias de Paula Jr. e Aécio Amaral. São Paulo. Ed. Intermeios. 2015. PIMENTA, Sara Deolinda Cardoso. Participação, poder e democracia: mulheres trabalhadoras no sindicalismo rural. Seminário Internacional Fazendo Gênero 10. Florianópolis, 2012. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A coluna Em Curso divulga as pesquisas de pós-graduandas na filosofia para contribuir para a visibilidade das pesquisas de filósofas no Brasil. Quer publicar a sua pesquisa? Basta preencher o formulário. #redebrasileirademulheresfilosofas #filosofasOrg #emcursofilósofas #filósofasbrasil #mulheresnapesquisaemcurso #feminismo #Mouffe #democracia
- A Estética da Exceção - evento do projeto Hermenêutica com emissão de certificado
E se eu disser que em novembro nós teremos um evento (com emissão de certificados para @s inscrit@s) para discutir como a pandemia afetou questões estéticas e relativas a arte? Afinal, em que se estão transformando nossos sentimentos, afetos, gostos, sensações e as vivências que estes compõem dada a crise instaurada pela ausência de controle sobre os efeitos sócio-políticos do novo Coronavírus -- em especial sobre as mulheres? Como a arte, em suas mais diversas formas e manifestações, pode interferir e sofrer transformações nesse contexto? O evento consistirá em um espaço para reflexão a respeito das influências exercidas pela pandemia de COVID-19 sobre essas e outras questões estéticas relacionadas que condicionam nossas vidas e vivências, e contará com a participação de pesquisadoras da área de estética e arte e de artistas a respeito do tema. .Convidadas: Profa. Dra. Carla Damião (Dep. de Filosofia UFG); Profa. Dra Rosana Ramalho (Belas Artes UFRJ); Profa. Dra. Loraine de Fátima Oliveira ( Dep. de Filosofia UFPE) .Dia e horário do evento: 05 de novembro de 2020, 18h00min (horário de Brasília) .Local: Evento online no canal do projeto Hermenêutica da Pandemia no YouTube. Link para o canal: https://www.youtube.com/channel/UC9ZR-Lh6UFFllyhUfnTDdHA Inscrições pelo link: https://forms.gle/VWvyDRwnjEtZQt1x8 ou pelo site https://hermeneuticapandem.wixsite.com/hermeneutica .E-mail para contato: hermeneuticapandemia@gmail.com
- REDE DE MULHERES NA ACADEMIA: a união contra a invisibilidade e o epistemicídio
Epistemicídio é compreendido como silenciamento, subalternização e invisibilização de saberes não hegemônicos. Loiane Prado Verbicaro Doutora em Filosofia do Direito. Professora da Faculdade de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Integrante da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Integrante do GT “Filosofia e Gênero” da ANPOF. Texto publicado em 22 de outubro de 2020 no espaço "Opinião e Análise", da série GPEIA, no Jornal JOTA. No texto, falo da experiência e potência da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas. Quem sabe não poderíamos ter uma mobilização semelhante para a criação de uma Rede Brasileira de Mulheres Juristas?! Acesso na íntegra: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/mulheres-academia-uniao-contra-invisibilidade-epistemicidio-22102020. O ensino jurídico contempla, majoritariamente, vozes masculinas como protagonistas do saber, com repercussões na baixa representatividade das mulheres nos espaços institucionais de decisão e nos cargos de liderança e visibilidade acadêmica. O trabalho publicado pela UNESCO “Interações de gênero nas salas de aula da Faculdade de Direito da USP: um currículo oculto?”[1] das professoras Sheila, Cecília, Izabella, Lívia, Luciana e Marília revela em detalhes o caráter estrutural da opressão de gênero presente nas práticas e discursos (incluindo os implícitos) acadêmicos, acenando à necessidade de um olhar sensível aos contextos sociais, raciais e de gênero das salas de aula das faculdades de Direito, e para além delas. A histórica naturalização dessa desigualdade realiza-se, como pano de fundo, à luz dos valores universais do liberalismo. Nota-se, no entanto, a face obscura desses padrões universais de liberdade e igualdade que nunca se aplicaram da mesma forma a homens e mulheres. O universalismo seletivo da construção da modernidade jurídica não foi capaz de desafiar desigualdades estruturais e estruturantes, que se perpetuaram sob o manto da neutralidade quanto ao gênero, legitimando historicamente uma predisposição masculina, com desvantagens sistemáticas às mulheres. Sobre este ponto, referencio a filósofa Seyla Benhabib e sua crítica às teorias universalistas que enfatizam a dimensão do outro generalizado como sujeito que informa o ponto de vista pressuposto pelo cânone dominante, responsável pela invisibilização da mulher no debate moral, político e jurídico contemporâneo e pela consectária reprodução das relações de dominação das mulheres pelos homens. Decerto que essa assimetria não é exclusiva do Direito. E gostaria de fazer referência a um movimento potente de desencastelamento da voz das mulheres, de união e força coletiva experenciado pela Filosofia. Como professora de Direito e de Filosofia e minha vivência nas duas áreas, penso que a experiência que tem sido construída na Filosofia pode trazer luzes sobre alguns caminhos que podemos percorrer no Direito. No final de 2019, foi criada a Rede Brasileira de Mulheres Filósofas, um projeto que se apresenta para viabilizar a integração de pesquisadoras, colocando-as em conexão, comunicação e diálogo a partir de seus trabalhos e projetos de ensino, pesquisa e extensão para que, juntas, possam enfrentar os obstáculos de uma área fortemente marcada por um silenciamento e consequente desconhecimento sobre a presença de filósofas e autoras na história do pensamento filosófico, ademais de reivindicar mais igualdade de gênero, considerando as enormes assimetrias na área.[2] Acreditando que a Filosofia não é um privilégio dos homens, a Rede propõe-se a realizar um resgate das filósofas na Filosofia, além de trabalhar para tornar a área mais democrática, diversa e plural em suas perspectivas e campos de estudo, com o fomento das discussões acerca da inclusão do gênero como categoria filosófica e a partir de uma crítica à tradição moderna para trazer ao debate os marcadores de gênero, raça e classe, que se interseccionam na construção do sujeito concreto. Nesse contexto, a Rede pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas mulheres na Filosofia, em todos as regiões, recantos e universidades do país, permitindo conexões, parcerias e servindo de inspiração para que tenhamos mais mulheres na Filosofia e um ambiente simétrico e igualitário, considerando as significativas desigualdades de gênero, de raça, de classe e também as desigualdades regionais (as profundas assimetrias do conjunto federativo brasileiro). A Rede pretende, ademais, ser um importante locus de discussão para uma democratização pedagógica de valorização do trabalho das mulheres, contra o epistemicídio – compreendido como silenciamento, subalternização e invisibilização de saberes não hegemônicos – e todo tipo de preconceito vinculado ao gênero e à sexualidade. Para tanto, defende que os projetos de ensino, pesquisa e extensão, em suas bibliografias e programas de curso, tragam mais filósofas e autoras, assim como, que nos eventos acadêmicos, as mulheres sejam chamadas a participar, a fim de combater sua sub-representação na área e permitir uma maior visibilidade de seus trabalhos, que serve de exemplo e inspiração às alunas e para que se promova a desnaturalização da ideia de que o lugar do pensamento abstrato e conceitual não é socialmente destinado às mulheres, permitindo-se, dessa forma, que as alunas iniciem suas trajetórias mais representadas, fortalecidas e acolhidas. Penso que a Filosofia e o Direito são áreas resistentes a mudanças estruturais. A realização de um projeto coletivo em Rede que estabeleça a união contra a invisibilidade e o epistemicídio, a exemplo da Rede Brasileira de Mulheres Filósofas, é o caminho capaz de nos unir, apesar da distância, e de nos fortalecer, apesar de sermos minoritárias, para enfrentarmos, cooperativa e solidariamente, os desafios de um quadro de desigualdade social, cultural e institucional que nos invisibiliza e nos secundariza. [1] Neder Cerezetti et al. Interações de gênero nas salas de aula da Faculdade de Direito da USP: um currículo oculto?, São Paulo, Cátedra UNESCO de Direito à Educação/Universidade de São Paulo (USP), 2019, disponível em: . [2] De acordo com as pesquisas realizadas pela professora Carolina Araújo (UFRJ), as mulheres representam 38% entre os graduados, 28% nos cursos de pós-graduação e 20% no corpo docente de Filosofia.
- Live: Nísia Floresta e a educação para a emancipação - dia 22/10 às 18h30
O Projeto Uma Filósofa por Mês chama para uma conversa sobre filosofia, educação e política em Nísia Floresta. O centro do debate é a obra Opúsculo Humanitário, publicada em 1853, fundamental para a compreensão do pensamento pedagógico de Nísia Floresta. Trata-se de pensar aí em sua proposta de educação como projeto político, sobretudo desde a perspectiva das mulheres e para a sua consituição como cidadãs do nosso país, cuja emancipação exige abandonar o lugar de sujeição doméstica em todos os seus aspectos, e reivindicar para isso uma reforma do sistema educacional que seja voltada à inclusão da instrução e do aperfeiçoamento das faculdades morais das mulheres. Que tais temáticas incidam ainda hoje sobre nossa educação brasileira não parece constituir uma mera coincidência. Participam dessa conversa: Maurício Rasia Cossio, doutorando do PPGFIL/UFSC, integrante do Projeto Uma Filósofa por Mês vinculado ao Grupo Germina (Grupo de estudos em reflexão moral interdisciplinar e narratividade), professor de Filosofia na EEB Prof. Aníbal Nunes Pires, guitarrista de punk rock e filho da dona Jaqueline. Vinicius Arion, doutorando do PPGFIL/UFSC, integrante do Projeto Uma Filósofa por Mês vinculado ao Grupo Germina (Grupo de estudos em reflexão moral interdisciplinar e narratividade) e professor de Filosofia da rede púbica estadual de Santa Catarina, na EEB Prof. Aníbal Nunes Pires. E Janyne Sattler, professora do Departamento e do PPGFIL da UFSC, e coordenadora do Projeto Uma Filósofa por Mês. Amanhâ, dia 22 de outubro às 18h30 no canal do Projeto: https://www.youtube.com/watch?v=NXgEZ_PRqeQ
- Mulheres na Filosofia Entrevistas: Maria Lacerda
Na próxima sexta-feira, 23/10, às 10h, a editora do Blog Mulheres na Filosofia, Gisele Secco, entrevistará Camila Jourdan, autora do verbete "Feminismo, educação libertária e antifascismo no pensamento de Maria Lacerda de Moura". O verbete estará no ar em nosso blog na sexta-feira. A conversa será em nosso canal do YouTube. Inscreva-se aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RkSRwoy5UHo&feature=youtu.be Com verbetes sobre filósofas e temas feministas escritos por pesquisadoras e pesquisadores brasileiros de diversas áreas do conhecimento, o blog Mulheres na Filosofia é um espaço de divulgação científica voltado para opúblico lusófono. Queremos ser lidas na academia e fora dela: nas escolas, nas praças, por quem se interessar por filosofia escrita por mulheres e teoria feminista. Visite: https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/
- Quer conhecer os Caminhos metodológicos de uma pesquisa sobre a Filosofia de Educação Nisiana?
Pesquisar sobre mulheres nunca foi algo fácil. É preciso realizar uma vasta pesquisa bibliográfica, quase um verdadeiro exercício de "garimpagem". Pesquisar por obras de autoras mulheres do século XIX, é ainda mais desafiante! Nesse encontro a professora Dra Graziela Rinaldi da Rosa irá contar como foi o desafio de escrever uma tese de doutoramento sobre a pensadora Nísia Floresta. O tema da tese foi sua Filosofia de Educação. Como educadora feminista, e pesquisadora em formação, buscou-se compreender qual a concepção de educação de Nísia Floresta a partir de algumas de suas obras, contextualizando o pensamento de Nísia Floresta com os movimentos de seu tempo, reconhecendo essa pensadora como uma importante fonte do pensamento Latino-Americano. Trata de um estudo ainda não publicado na íntegra. Uma pesquisa densa que soma 350 páginas. Um tema inédito e que foi investigado nos anos de 2008-2012, sob orientação da profª Dra Berenice Corsetti (UNISINOS-RS), na linha de pesquisa "Educação, História e Políticas" do PPG-Edu/Unisinos. Nísia Floresta é uma pensadora ainda pouco estudada na Filosofia. Foi abolicionista, indigenista, republicana, "pré-feminista". Fundou escolas para meninas, escreveu sobre equidade de gênero, propondo uma reforma na educação das meninas brasileiras. Para conhecer o arcabouço teórico que envolve a vida e obra de Nísia Floresta, foi preciso andar entre Sul e Norte do Brasil, por quatro anos, buscando por obras de Nísia e por documentações que nos ajudassem a conhecer o pensamento dessa mulher do século XIX, especialmente obras que versam sobre a educação. "Floresta escreveu sobre os direitos humanos das mulheres e oportunizou o acesso à educação para algumas meninas, lutando para que elas valorizassem os estudos e abandonassem as futilidades. Foi uma educadora que encarou a educação das meninas como uma missão, além de ter discutido a questão indígena de forma singular, valorizando o papel das mulheres e ter provocado as autoridades da época ao questionar sobre o poder e a supremacia dos homens brancos. Suas críticas atingiam também mulheres que destinavam seus filhos e filhas aos braços das amas de leite. Floresta apontava problemas relativos a própria igreja que frequentava e se horrorizava com tantas futilidades de algumas de suas compatriotas. Ensinava os valores para poder ser educadora e dizia também, que as mulheres poderiam ocupar os cargos públicos. Defendia a ideia de uma nação civilizada, e que só chegaria nesse patamar se as mulheres fossem educadas e participassem do contexto social" . (Graziela Rinaldi da Rosa, 2012, p. 17) Para ler mais, ver: http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/3152 Quer saber mais? Não perca: Dia 23 de Outubro de 2020 instagram @minasouza Para conversar com a pesquisadora: grazirinaldi@gmail.com











